quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Hoje é dia




Sabes que dia é hoje?
É dia de aguardar,
Ansiosa,
Pela tua chegada.

Desnudar a pele,
Delicada,
De toda e qualquer roupa.

Antecipar o aroma,
Inebriante,
Do teu perfume.

Sentir os arrepios,
Estremecendo,
O corpo por inteiro.

A vontade de te beijar,
Crescendo,
O desejo de te tocar,
Aumentando,
A excitação de te sentir,
Humedecendo (me).

Hoje é dia de esperar,
Pronta,
Para te receber
E em ti,
Por ti,
Me entregar,
Louca,
Insana,
Ao teu (belo) prazer.







16.Dez.2015

Felicidade





Há lágrimas nos seus olhos. Escorrem pela face como as gotas de chuva, do lado de fora, no vidro das janelas.
Ainda é Outono, mas dentro dela já chegou o Inverno. As noites escuras e soturnas, molhadas e vazias de calor humano, em tudo se assemelham ao que lhe vai na alma: tudo é triste e o desalento comanda.
Não há medo dentro dela. Não há medo de enfrentar o dia sem saber o que a espera: sabe-se forte e capaz de ultrapassar os obstáculos que se lhe depararem.
Não, não é medo.
Nem é solidão. Não, solidão não é pois tem o seu coração cheio de quem (a) ama.
Saudades, talvez. De ser de novo inocente e acreditar que só há bem dentro da gente.
Desilusão, também. Não com os outros, que esses são fáceis de perdoar: ninguém é perfeito e todos são mutáveis, passíveis de aprendizagem. E ela perdoa, desculpa com toda a sua condescendência, como quem está um degrau acima na compreensão da ignorância alheia.
Excepto no que a ela respeita.
Sabe que dá demais, que se dedica demais, que sente demais, que se preocupa demais. Que ama demais. Os outros e a ela de menos.
Desilusão por não ser perfeita. Perfeita mulher, perfeita dona de casa, perfeita amante, perfeita companhia e companheira.
Desilusão por errar. Por não saber tudo sobre tudo e todos. Por não acertar nas melhores escolhas quando tudo é incerto e não depende só dela.
Desilusão por não ser mais egoísta. Por acabar por colocar os outros primeiro. Por acabar por se colocar perante os outros depois. Por sempre compreender as acções dos outros, por muito injustas que sejam. E não é assim que se ajuda. Não é deixando que as vontades dos outros prevaleçam sobre as suas.
Desilusão por pensar menos com a mente e demais com o coração.
E chora por não saber ser de outra forma. Por não saber melhorar os outros por não ser determinada.

Porque a vida é resultado das suas acções e só ela é responsável por elas.
E pelas mudanças difíceis de assumir, mas imprescindíveis à sua (tentativa de) felicidade.










16.Dez.2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A cada dia


A noite é de um Inverno igual a tantos outros: o frio faz-se sentir porque o vento tem laivos de bailarino e as gotas de chuva são o seu par.
A música, essa, não importa pois o ritmo é feito pelo cair dos passos de quem foge apressado para o aconchego de casa.
Casa... Esse lugar onde nos encontramos após o correr de um dia de rotinas sempre iguais e repetidas. Onde as máscaras de uma personagem, tantas vezes secundária, caiem e o âmago do ser se expande e se revela tornando-se na personagem principal de um teatro nunca ensaiado e original. Onde os defeitos se agudizam de forma brusca e as qualidades se valorizam embevecidamente por quem nos ama.
E regressar a casa é isto: é ter à nossa espera quem nos aceita sem condenações, quem nos melhora sem limitações.
Ou não.
Porque a cada dia somos diferentes, somos mutantes e apesar do medo de mudar, há momentos em que apenas faz sentido avançar.
Para um novo eu, para um novo lar,caminhando só ou com alguém disposto a acompanhar.


14.Dez.2015

Nem sempre




Nem sempre o silêncio
Significa ausência de palavras:
Há frases ocas,
Clichés vazios de sentido.

Nem sempre a multidão 
Significa ausência de solidão:
Há momentos em que, 
Apesar de rodeados de gente, 
Estamos ainda mais sós. 

Nem sempre o calar
Significa ausência de pensar:
Há pensamentos que nos borbulham na mente
Incessantes,
Em ciclos constantes, 
Tantas vezes (i)mutantes. 

E, quase sempre, 
É no silêncio que mais se diz.


14.Dez.2015

Memórias


Memórias
De um tempo que não volta,
De um tempo que passou
E tudo
Para trás deixou.

Memórias
Escritas nas lembranças
Gravadas de momentos
Até hoje
Irrepetidos.

Memórias
Que fazem de nós
O que somos,
Crescimento obrigatório
De quem vive
Uma vida cheia de sonhos
Mesmo que (in)concretizados.

Memórias
Que escrevemos a cada dia,
A cada hora,
A cada minuto da nossa vida,
Das nossas decisões,
Das nossas opções,
Dos nossos erros
E, sobretudo,
Dos nossos acertos!


14.Dez.2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ciclos






É no nascer do dia que a noite morre. Deixa de se sentir. Permite-se deixar de existir.
E suspensa fica, intermitente num respirar que é quase ausente.
Os olhos deixam de a ver e mantém-se, ao passar dos outros e dos seus olhares, indiferente. Distante. Não-vivente.
As horas deixam-se escorrer por entre os ponteiros de relógios de gentes apressadas na rotina dos dias.
Até que chega o momento de renascer. De voltar a viver. De voltar a sentir.
Tal como eu à espera de ti. Dia após noite. Cíclicos. Repetidos num movimento sempre igual e constante.
Ciclos a que já me habituei...


01.Dez.2015

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sinto-te a falta




Sinto-te a falta.

Sim, sinto. Sei que parece impossível, quase idiota, mas sim, sinto-te a falta.
Nos dias em que as nuvens decidem chorar e apetece ficar em casa com o cheiro do bolo acabado de fazer. E o chá na caneca que serve para aquecer as mãos.

E nos dias de sol ameno, em que o jardim se enche do aroma das pequenas frésias coloridas ou das flores de laranjeira que o zumbir das abelhas acompanha, como que de mãos dadas.
E ver-te. Sinto falta de te ver. Dos teus olhos azuis cheios de uma vida vivida e vívida. Do teu sorrir quando os disparates me saiam pela boca como verdades empíricas.
Que sabia eu da vida? E ainda agora, com o que já vivi, não sei nada ainda.
Há caminhos que percorremos com receio de errar e sem os teus conselhos são mais difíceis de ultrapassar.

Sim, sinto-te a falta.

Mesmo nos dias em que as nossas conversas azedavam e nos afastavam. Pontos de vista diferentes e formas de olhar a vida diversas.
Mesmo nos dias em que não te orgulhavas de eu fazer parte de ti. Sim, sei que tiveste alguns. Talvez demais...
E nos dias em que me olhavas e vias, não a menina perdida e carente, mas a mulher decidida e firme, avançando nos dias da vida. Crescendo e ficando adulta.

Sim, sinto-te a falta.

Do carinho que só tu sabias dar. Do teu sentido de humor único e singular. Do amor incondicional que só tu tinhas por mim.
Das palavras que queria ter-te dito e ficaram guardadas no sufoco de um respirar.
Dos beijos e abraços que ficaram perdidos em momentos “menos apropriados”. E abraços e beijos e amos-te não têm tempo certo a não ser o tempo que se impõe pela vontade. Aquele momento, naquele tempo, naquele sentir que fica gravado em quem dá e recebe. E faltaram-me mais tempos e momentos destes...
Faltas-me, cada vez mais.



25.Nov.2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Hoje viajo ao som de...



"Do You Remember"


When did we lose our way?
Easier to let it go (mmm...)
So many can't tell anybody
Harder to let you know

Call me when you've made up your mind but you won't
Caught up in the way that you played my heart
Only love could ever hit this hard

Oh, don't be scared about it
Don't forget it was real
Do you remember the way it made you feel?
Do you remember the things it let you feel?

How do I make you stay
When it's easier to let you go?
Nobody knows what we know about it
No one needs to know

Call me when you've made up your mind but you won't
Caught up in a way that you played my heart
Only love could ever hit this hard

Oh, don't be scared about it
Don't forget it was real
Do you remember the way it made you feel?
Do you remember the things it let you feel?

When you love to your limit
You gave all you're given
Who you gonna pray to when you're there?
Will you find out that there ain't no other love
No other love for you?

Oh, don't be scared about it
Don't forget it was real
Do you remember the way it made you feel?
Do you remember the things it let you feel?

Oh, when you think about it
Do you remember me?
Do you remember the way it made you feel?
Do you remember the things it let you feel?

Odeio-te





Odeio-te.
Às vezes odeio-te ao ponto de querer bater-te. De querer trincar-te todo. De raiva,de um ódio que me sobe das entranhas. Que me enche por completo.
Às vezes odeio-te tanto que só me apetece mandar-te embora. Desistir de tudo. Viver só mas tranquila, sem este sentir que me mata e definha. Deixar de me sentir inútil e pequenina. Deixar de me sentir culpada sem ter culpa alguma.
Odeio-te.
Às vezes odeio-te ao ponto de odiar a mim mesma. Esta imperfeição de ser gente que odeia e ama e sente.
E por isso pareço demente, neste limbo de sentimento. De não te querer e desejar ter-te sempre presente.
Odeio-te.
Às vezes odeio-te. Quase tanto quanto te amo...





22.Nov.2015

Ridícula


Ridícula. Não há pessoa tão ridícula como eu.
Choro com pena de mim. Ridículo!
Choro com a ausência de ti. Ridículo!
Sofro por ser assim. Ridículo!
Sofro por depender de ti. Ridículo!
E há a culpa quando nem disso se trata. Ridículo!
E há o desespero de querer mudar. Ridículo!
E eu a querer ser perfeita. Ridículo!
E a aumentar a imperfeição. E a insegurança. E o não gostar de mim. Ridículo!
E a dúvida de não ser o melhor que sei.
E a certeza de ser o melhor que sou.
E o ciclo completou: choro com pena de mim.
Ridícula. Não há pessoa tão ridícula como eu.


22.Nov.2015

Thoughts XXIX



Vou vestir-me de flores...
Porque morta já eu estou.
Porque a vida já não vive em mim.
Porque o tempo já não é de viver. É de aos poucos me deixar morrer.


22.Nov.2015

Não há viver sem ti




Não há viver sem ti...
Há uma estranha forma
De os dias passarem,
Envoltos nessa norma
De todos iguais serem.

Há sim, um passar de horas
Perdido em cenas de um filme
Igual, compassado e sem demoras,
E tudo é inerte, incólume.

As pessoas são meros transeuntes
Num passeio de rua, para mim vazia,
Meros passageiros, por mim passantes,
Num dia de sol parecendo chuva fria.

E eu preciso-te,
Do perigo que me és,
Na alegria no meu olhar-te,
Do me sentir voar, mesmo com a terra aos pés.

Não, não há viver sem ti.




18.Nov.2015

Temo


Temo que a vida chegue ao ponto de não me surpreender.
De não me fazer ter vontade de viver. De não me voltar a fazer sorrir.
De o sol, apesar de brilhar, deixar de me iluminar.
De as horas passarem em minutos iguais a si mesmos e de as ondas deste mar serem sempre as mesmas a cair.

Temo que os rostos de quem comigo se cruza na rua, apesar de diferentes, não se consigam renovar.
De os olhos não voltarem a mostrar o sentir que alma traz em si.
De o coração deixar de fazer circular o sangue que faz viver.
De o movimento do corpo seja um simples e automático repetir.

Temo que as cores se tornem todas num cinza quase morto de um não-viver, de um apenas respirar para não morrer...


04.Nov.2015

Mar


Ouvi o mar sussurrar o teu nome nas gotas perdidas na areia, para ele corri e nada recebi de ti.

O vento chamou por mim e para ele em vão sorri e de ti nada me trouxe.
O sol deixou de brilhar e a chuva caiu, como que chorando a sua ausência e de ti soube o que era a saudade. O que é viver sem o abraço quente de quem ama.
As lágrimas trouxeram-me à boca o sabor do teu corpo depois de me amares e os lábios abriram-se para, de alguma forma te sentir.
E as horas, essa infinidade de minutos, demoram a trazer-te para o meio de mim. A fazer-te, de novo, parte de mim. A deixar-me, finalmente, voltar a viver.


26.Out.2015

Escreverei


Não quero livros. Não quero histórias com um final feliz.

Quero viver apenas. Quero uma vida feita de capítulos. Cada um diferente do outro.

Não quero uma vida igual a tantas outras. Não quero uma história já escrita, já vivida e contada por outros.
Quero fazer os dias à minha maneira. Quero que as horas contem os meus momentos. Que os anos sejam como uma passagem de uma história construída a cada passo.

Não quero as perdas e a felicidade que outros vivenciaram.

Quero as minhas. As que me fazem crescer e mudar. As que me fazem sorrir e chorar.

Quero o viver que me faz feliz. E quero-o contigo ao meu lado enquanto eu te fizer feliz. Enquanto a nossa história se escrever em conjunto.

E quando já não houver motivo para escrevermos juntos, para nos mantermos juntos, eu acrescentarei um novo capítulo. Muito mais triste. Muito mais sem sentido. Muito mais vazio. Mas escreverei porque apesar de tudo um esforço para viver eu farei.




25.Out.2015

Feliz de mim



Há no viver uma subjectividade imensa. Eu vivo. Tu vives. Todos vivemos.

Sim, os dias passam e as rotinas cumprem o objectivo de nos ocupar as horas que preenchemos com tarefas, quase sempre, monótonas.

Mas é isto viver? Apenas concluir o que supostamente temos de fazer? O trabalho, o convívio com pessoas que, na maioria das vezes, não são como nós, não pensam como nós e que, de uma forma ou de outra, são mais idênticos a nós, ao nosso viver, do que alguma vez imaginamos.

Viver é cumprir com o percurso de vida que, mais cedo ou mais tarde, é nada mais nada menos que uma cópia da vida de tantas outras pessoas. Os estudos, o emprego minimamente estável para que as possibilidades de constituir família sejam maiores e os filhos possam ter tudo o que estiver ao alcance do que o dinheiro pode comprar - bens e serviços.
Mas é isto viver? Não, viver não é isto! Isto é sobreviver!

Viver é fazer o que dá prazer! É poder ter tempo para nós, é manter uma certa independência do que fazemos e ter o nosso espaço, ter o direito a ser quem desejamos, sem olhares condenativos. É ser aceite independentemente das decisões que tomamos.

Todos somos diferentes. Mas todos temos o mesmo objectivo: ser feliz. E todos sonhamos de forma diferente esse objectivo.

E tudo depende de nós, de não querermos apenas sobreviver.

Feliz de mim que ainda tenho sonhos pelos quais lutar.
Feliz de mim que ainda acredito que no sonho de viver!


15.Out.2015

Jamais me abandonas

Sozinha, mas nunca só.
Há em mim o cheiro do teu corpo,
Tão vívido como se aqui estivesses,
Tão quente como se me abraçasses,
Tão perfeito como sentir me fazes.

Há na minha pele o arrepio do teu toque,
Tão presente que me marca,
Tão real que me enche de desejo,
Tão perfeito como se me percorresse o corpo.

Há aqui,
Agora,
A vontade de te ter,
De te pertencer,
De a ti me entregar,
De em mim te receber.

E o corpo reage
Às memórias em mim guardadas,
Às recordações na pele gravadas,
E os meus dedos são (quase) como os teus,
Imitando o teu calcorrear-me,
O teu dedilhar que me deixa sem chão,
Sem terra, sem pensar,
Que me enche de um tesão
Que me faz perder e,
Apenas sentir o
Desmesurado prazer de,
Para ti,
Ter um orgasmo.

Sozinha, mas nunca só. Jamais me abandonas.

10.Out.2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Hoje viajo ao som de...




From walking home and talking loads
To seeing shows in evening clothes with you
From nervous touch and getting drunk
To staying up and waking up with you

But now we're slipping at the edge
Holding something we don't need
All this delusion in our heads
Is gonna bring us to our knees

So come on let it go
Just let it be
Why don't you be you
And I'll be me

Everything that's broke
Leave it to the breeze
Why don't you be you
And I'll be me

And I'll be me

From throwing clothes across the floor
To teeth and claws and slamming doors at you
If this is all we're living for
Why are we doing it, doing it, doing it anymore

I used to recognize myself
It's funny how reflections change
When we're becoming something else
I think it's time to walk away

So come on let it go
Just let it be
Why don't you be you
And I'll be me

Everything that's broke
Leave it to the breeze
Why don't you be you
And I'll be me

And I'll be me

Trying to fit your hand inside of mine
When we know it just don't belong
There's no force on earth
Could make me feel right, no

Whoa

Trying to push this problem up the hill
When it's just too heavy to hold
Think now's the time to let it slide


So come on let it go
Just let it be
Why don't you be you
And I'll be me

Everything that's broke
Leave it to the breeze
Let the ashes fall
Forget about me

Come on let it go
Just let it be
Why don't you be you
And I'll be me

And I'll be me


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Lugares nossos





Há lugares nossos, daqueles onde ninguém consegue chegar, parar e partilhar.
Lugares que são parte de nós. Que sabemos estarão sempre ali, esperando, imaculados e como que parados no tempo, à nossa espera.
Onde podemos regressar a cada momento que nos seja necessário.
Lugares que nos (re)confortam. Lugares que nos acolhem na nossa imensidão de conflitos ditados pelo correr da vida, pelo crescer do nosso ser. Lugares que nos aceitam sem condenação.
Há lugares nossos.
E TU, és o meu lugar. Onde posso ser tudo, onde posso dizer tudo.
O que sou e o que deveria ser.
TU és o meu lugar, onde me posso recolher e sou sempre amada. Onde o meu caminho se torna mais leve, mais fácil e eu, uma versão de mim, a cada dia, melhorada.



12.Outubro.2015

Pegar ou largar




Definir-me é uma tarefa mais que difícil, quase impossível.
Falar de mim é assumir as qualidades que me atribuem e os defeitos que me reconheço. E vice-versa. O que é mais complicado ainda.
Ou talvez não.
É fácil quando somos avaliados por outros: temos o poder de realmente ouvir ou de ignorar. Por muito que não gostemos de ouvir é fácil ignorar: não sabes do que falas, não passaste pelo que passei, não sabes nada de mim.
As piores avaliações são as que fazemos a nós. As que, de consciência, assumimos: positivas ou mais negativas.
Encontrar o meio-termo é o mais difícil, quase impossível.
E por vezes somos os nossos maiores críticos.
Sim, sou das minhas piores avaliadoras. Mas aprendi a adormecer de consciência tranquila, sem que o peso de determinada decisão me incomode.
Acredito que são sempre feitas de acordo com aquele determinado momento. Se faria de outra forma, noutra altura da minha vida? Não sei. O mais certo seria responder sim. Sim, faria.
Mas não me arrependo do que fiz. Ou deixei de fazer.
E sim, tudo tem um tempo para acontecer, para ser feito.
E esse tempo é quando o nosso íntimo nos diz: vai, vai em frente que é esse o caminho. Sem dúvidas, de consciência plena e tranquila.
E não, não me arrependo do que fiz. Ou deixei de fazer. Assim, com todas estas amarras que fazem o meu percurso e, sobretudo, o que sou.
E é pegar ou largar!







09.Outubro.2015

Voar



Voar nos braços de quem (se) ama... Mesmo sem sair do chão.
Quando o corpo descansa ao lado do teu, sonhar é quase obrigatório. E haverá algo mais sublime que deixar a mente vaguear por entre palavras feitas de sonhos que são vividos ao mais ínfimo pormenor?
Detalhes que vamos construindo a cada passo dado a igual distância: nem mais à frente, nem mais atrás. Igual. Porque somos dois em uníssono. Porque somos ambos feitos do mesmo querer e, sobretudo, do mesmo partilhar.
E como gosto de me partilhar contigo. Mesmo os meus mais infundados receios.
Porque contigo não há medos, não há incertezas, apenas um caminho a construir, uma vida a dividir e sentimentos a multiplicar e a somar a tudo que já temos. A tudo que já conseguimos.
E tu fazes-me imensamente feliz. E contigo (quase) nada me pesa e a vida passa leve, como se voasse em mim.
E não é isto voar nos braços de quem (nos) ama?


08.Outubro.2015

E o silêncio volta a reinar



E o silêncio volta a reinar.
E o falar volta a ser abafado pelo som do calar. E tudo se volta a engolir, num ciclo vicioso de falar e não parar e de calar para não (nos) magoar.
E estas são as decisões que incham o peito que passa a parecer louco, demasiado apertado e quase a rebentar.
E o sufoco começa. E tudo na mente é um turbilhão de quereres e deveres, entre o certo e o errado, o que podemos e, sem dúvida, não desejamos.
E as atitudes são o que são, feitas de momento carregadas de razão ou de (apenas) emoção.
E não podemos ser tudo, misturado e sempre certo? Não. Não podemos e temos de dividir-nos entre o que somos e o que desejamos. Entre o que vemos e o que em nós projectam(os).
E afinal somos tantos e tão diferentes e no fundo todos iguais: com receios de não acertar e a certeza que vamos, quase sempre, falhar.
Pelo menos aos olhos de alguém a quem jamais queremos ferir, a quem queremos agradar...



07.Outubro.2015

Aguardar


Aguardar. Vou aguardar por ti.
Sem a pressa da ansiedade que por vezes me domina o pensar.
Sem o receio infundado em sinais de algo nunca vejo a acontecer.
Sem que o corpo se canse da tua ausência.
Sem a alma se perca na solidão do teu não estar.

Aguardar. Vou aguardar por ti.
Com a vontade em revolta pelo tempo que te demoras.
Com a certeza que tenho do sentir que te une a mim.
Com o corpo despido de toda a insegurança.
Com a alma cheia de tanto que tenho para te contar.

Aguardar. Vou aguardar por ti.
Que venhas no tempo que te impõe o ritmo dos passos, da vontade, do querer, do sentir.
Do quanto e quando me possas amar.
Plena e (im)perfeitamente.
Como só tu sabes.
Como só tu podes.

Aguardar. Vou aguardar por ti.


07.Outubro.2015

Calar. Silenciar


Calar. Silenciar.
Não proferir qualquer palavra. Qualquer som. Quaisquer frases que possam, deliberadamente, transmitir opiniões.
Sobre o que quer que seja. Sobre tudo e qualquer coisa. Sobretudo sobre o estado das pessoas. Sobre os sentimentos.
Calar. Silenciar.
Porque são poucos os que se importam.
Porque são cada vez menos os que (realmente) prestam atenção.
Porque os que se preocupam, os que nos compreendem de verdade, sabem ler no olhar, nos lábios que se cerram e nos sons que não se propagam pelo ar.
Calar. Silenciar.
E só mostrar quem realmente somos, o que verdadeiramente pensamos, a quem nos sente sem necessitar de perguntar...


06.Outubro.2015

Pensamento voa

E o pensamento voa,
Incontrolado,
Pelas memórias do corpo,
Por ti tocado.
E a vontade renasce,
Renovada,
De um desejo incontido
De me sentir amada.
E a pele pede,
Num grito sussurrado,
Por ti ser provada
Pela tua língua molhada.
E a carne anseia
Pelo teu corpo
Ser tomada,
Pelo teu vai-e-vem imposto,
Ser sempre assim, domada.
E o pensamento não voa mais,
É o corpo quente
E o desejo insano e presente
Que agora,
Vibrando,
Compulsivamente
Comanda.


06.Outubro.2015

Sim, eu amo-te



E o dia vai passando. Devagar e contrastando com a ansiedade de te poder sentir. De te poder beijar. Abraçar e amar.

E como te amo... Mesmo sem os corpos se tocarem. Apenas com o cruzar de um olhar cúmplice e do sorriso franco e que me conquista sempre.

Sim, eu amo-te. Para além da pele, para além do corpo, para além da luxúria da entrega a que me (de)voto. Para além do compreensível e do passível de ser explicado.

Sim, eu amo-te. Para além de mim. Daqui do meu peito até aí, onde quer que estejas. E a distância não se faz sentir porque vives em mim.

E ainda assim, o dia passa demasiado devagar para tanta saudade de ti que tenho de aniquilar.



01.Outubro.2015

Despiu-se



Despiu-se.
A roupa do dia sufocava. A blusa apesar de fina e quase transparente aquecia-lhe a pele demasiadamente. Queimava de forma invisível e sem marcas capazes de comprovar o quão quente o corpo se encontrava.
A saia justa e de cor preta escorregava pelas pernas de forma lânguida, sem vontade de se descolar daquele corpo.
Os sapatos ficam.
Os saltos agulha fazem-na sentir no topo do mundo,bela e segura nos passos que dá.
Despiu-se.
Deixou os preconceitos caírem com a roupagem. Desfilou e admirou o corpo (im)perfeito de quem já não tem 20 anos mas que sabe e admite do que gosta.
Sem julgamentos. Sem condenações. Sem receios de olhares alheios e de outras opiniões.
Despiu-se...
E nua se entrega ao prazer de (saber) ser Mulher!


30.Setembro.2015

Dicionário de coisas simples XXIII


E o medo?
O medo é o sentir que se esvai
Enredando o pensamento
Do que é (im)possível.

E o vazio?
O vazio é o corpo cheio
Dessa sensação invasora
Da ausência que se sente.

E o perder?
O perder é sentir fugir por entre os dedos
A razão da alegria de se viver
Uma vida de coração cheio.


30.Setembro.2015

Sentem



Sentem
Nos corpos o
Frenezim do
Toque da ponta dos
Dedos que
Percorre a
Pele que se
Arrepia e
Estremece numa
Entrega absurdamente
Insana de dois
Amantes que se
Sorvem.

(Enquanto o
Corpo assim
Vibrar.)


23.Setembro.2015

Dias assim...




Há dias assim.

Em que os dias lhe parecem passar ao lado. Do outro lado da vida, do outro lado do que é.
Como se nada se passasse, nada vivesse, o tempo parasse.
Suspensa num respirar autónomo, num bater de coração sistemático, num não pensar.

Num não viver.
E tudo é igual.
E tudo não deixa de ser o mesmo de um ontem idêntico ao amanhã.

Rotinas previsíveis de horas constantemente similares.
Cheias de um vazio que contrai, aperta e esmaga o peito. O peito não, a alma.

E sente-se pequena. Demasiado pequena.
E sente-se inútil, demasiado substituível, demasiadamente invisível.

E a vida não pode ser vivida assim: numa solidão que a torna vulgar. Igual a tantas outras pessoas que vivem sem sonhos, sem esperança, sem a vontade de mudar.

E ela não é isto.
E ela é tanto mais que isto. Tanto mais para dar... Para ser e para viver.

Basta que o coração vença a inércia da tristeza que a vai invadindo.
Basta que o sorriso volte aos seus lábios e os olhos brilhem de emoção perante quem ama. Perante quem A ama.

E os dias mudam. Deixam de ser assim...



18.Setembro.2015

Procuro palavras




Procuro palavras
Perfeitas,
Que possam definir
O que há dentro do meu ser.


Procuro palavras
Cheias de todo este sentir
Que me invade sem que eu saiba,
Sem eu querer.


Procuro palavras
Demonstrativas,
Exemplificativas,
Deste sentimento
Que me preenche
E me esvazia.

Procuro palavras
Que possa assumir como minhas,
Apenas por mim escritas,
Apenas por mim sussurradas
E espalhadas ao vento,
Numa tentativa de me (fazer) perceber,
E me (fazer) compreender.

Procuro palavras
Que não sejam banais,
Que possam ser um sim e um não,
Que possam ser uma certeza incerta
E uma certa incerteza.
Contraditórias e lógicas.
Emotivas e firmes.
Carregadas de amor e de acreditar,
De incredulidade e fé,
De pesar e solidão,
De alegrias salpicadas de lágrimas de sal.

Procuro palavras
Que me definam
Nesta bipolaridade de sentires
Que me invadem sem precedentes,
Nesta dualidade de pensamentos
Que fazem de mim única,
Imperfeita,
E sobretudo,

Humana.


19.Setembro.2015

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Hoje viajo ao som de...




"Last Dance"

Tell me lies and lullabies but don't tell me to change
Don't give me that face

Sick with hope, cracks in this heels
Bitter seal fashioned from steal

Ohh this last dance,
Turn away (turn away)
Ohh this last dance (this last dance)
To walk away (to walk away)

Tell me lies and lullabies but don't tell me to change
Don't give me that face

These oily feathers prepped for a fight
Game on, game on, game on tonight

Ohh this last dance,
Turn away (ooh, turn away)
Ohh this last dance (this last dance)
To walk away (to walk away)

This last dance,
It's tough to face (it's tough to face)
It's tough to face (it's tough to face)
This last dance (this last dance)
This last dance (this last dance)
It's tough to face (it's tough to face)
It's tough to face (it's tough to face)
This last dance (this last dance)
This last dance

Tell me lies and lullabies but don't tell me to change
Ooh, don't give me that face...

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Hoje viajo ao som de...






Don't, don't believe what they say
'Cause I just knew new every day
It said plain around
Take me back and not too far
Don't believe what they say
'Cause life
I feels knew every day
I don't
Don't believe what they say
Let me say
In my sweet in bed
in my life
all say
in the bus on the ground
in the air in the sea
When I left
cried
trying to eat that was you
All I could see was you
They say, they say, they say
So let me say again allowed
Take me back
Without you
without us
without our love


E é na ponta dos pés que a vida se faz...



E é na ponta dos pés que a vida se faz...

Sabe que a sua vida está,
Fatalmente,
Na ponta dos pés. ...
No avançar segura e certa
Das decisões que toma,
Do caminho que sabe ter de seguir.
No parar e deixar-se estar
No lugar (não muito) seguro
Que o receio do futuro
Insiste em atravessar à sua frente.
Na ponta dos pés,
Que teimam em
Segurar-lhe o corpo
Sedento de aventura,
Aguentar-lhe o peso da
Ansiedade por descobertas
Que a levem mais além
Do que é,
Que a farão muito maior
Do que alguma vez foi.
Na ponta dos pés
Que avançam ao ritmo
Das (in)certezas
Do que é o fazer da vida.

28.Agosto.2015

Ignorar

 
 
Ignorar,
Ela tem apenas que ignorar.
Tudo o que lhe faz mal,
Todos os que lhe fazem menos bem.
Seguir a vida sem parar...
A pensar se será normal
Viver com tudo o que a vida tem.
E a vida, essa,
Passa demasiado depressa,
Para se preocupar
Com o que pensa o mundo
Da sua forma de estar
Nos dias que correm
E nas horas que passam.
Que lhe importa o que pensam?
Que diferença lhe faz a opinião de gente
Que passa, na maior parte das vezes,
Indiferente
Ao sentir que lhe vai na alma?
Que importância têm os olhares,
De soslaio,
De pessoas que não conhece?
Que lhe importa se o corpo,
Cansado e gasto, já não obedece,
Já não responde com a mesma rapidez,
Embora no íntimo do seu ser,
Continua a viver e a aprender com a mesma avidez?
O que ela quer,
Mesmo que com o rosto marcado
Por lágrimas escorridas,
Sorrisos ao vento atirados,
Beijos tocados mesmo que (não) apaixonados,
É viver de cabeça erguida,
É olhar em frente
E seguir o dia-a-dia,
Com a clareza de que não é perfeita,
E a certeza que a alma dormirá tranquila.
 
 
 
27.Agosto.2015

Hoje, aqui


Hoje, não há pensar.
Hoje, aqui, não há a rapariga que se assusta com as vicissitudes da vida.
Hoje, aqui, há uma mulher que sente na pele o desassossego das vontades que a carne anseia.
Os lábios que se molham, na ânsia de um beijo de língua.
Os dedos que deslizam desenhando a mais imprópria fantasia. Desprovida de sentimentos superiores de carinho e de amor. Amor, hoje, só ao corpo, à pele e ...ao sexo sem conta, peso e medida.
Sexo puro.
Sexo pelo prazer, mais do que (te) dar, de ter prazer.
Hoje, aqui, não há a frágil menina, a amada esposa.
Hoje, aqui, há a descarada e libertina, a mulher que seduz ao limite, a que te alimenta as fantasias, a que (quase) só imaginas poder existir.
E tudo que imaginas, hoje, há aqui, neste corpo que adora(s) sentir!
Hoje, aqui, há a (tua) puta que apenas (te) quer foder!
 
 
 
25.Agosto.2015

Quase


A tarde avança no seu correr habitual, com as horas a durarem o mesmo de sempre e os minutos a dominarem o tempo sem que passe ou avance mais ou menos devagar.

Não é Verão e o rio está da mesma cor do céu: um cinza sem vida, sem brilho, sem luz, sem chuva. Apenas se vislumbra vida quando as embarcações dão um ar da sua graça, movimentando, agitando e criando abstractos desenhos ondulantes nas sua...s águas.

Não há cheiros no ar, que o vento hoje está adormecido.

Não há pássaros a chilrear, que o sol não os convida a cantar.

Não há fotografias nas margens, que as cores das paredes das casas empalidecem.

Há contudo, uma letargia que se entranha em tudo. Como se fosse uma névoa, escurecendo, adormecendo, fazendo perder a vida em tudo quanto toca no seu quase imperceptível avanço.

Uma letargia que também me conquista, me desanima, me conquista numa guerra surda que não se faz sentir.

E o corpo apenas reage ao que olhos vão desvendando por entre o cinza, por entre os baços brancos e azuis quase mortos. E parece que pouco há para ver, que pouco há para sentir, que muito pouco há para viver... E o coração quase pára. Quase desiste de bater. Quase se deixa levar pela vontade de não resistir, de não querer vencer.

Quase.

Quase. Porque o (sobre)viver depende sempre de nós. Depende sempre do que há cá dentro do peito. E se há dias em que parece vazio, apertado e estreito, caregado de solidão ou tristeza infinita, outros há em que a vida mais alto grita, em que a vontade se agita e o sangue fervilha!

Não importa o dia lá fora.

Não importam as presenças ou as ausências, o brilho ou a escuridão, a felicidade ou a solidão. Importa o que sou e o que dou. Importa a diferença que faço no meu (tão pequeno e ínfimo) Mundo, na pessoas que amo.

E eu amo! Tanto que eu amo! Com todos os poros do meu corpo, com toda a força do meu ser, com todo o amor que a Alma pode conter!

E eu amo! Tanto que eu amo! E isto, por si só, é suficiente para querer voltar a viver.



11.Agosto.2015

O que custa é o vazio


O que custa é o vazio.

Não é o passar das horas, longas, demoradas, imensas.
Não é o recordar dos sorrisos, das palavras, dos abraços trocados.
Não é a memória que se recheou de cheiros, beijos, brisas no cabelo.

O que custa é o vazio.

Que inunda todo o corpo. De dentro para fora, de baixo para cima.
Que envolve sem piedade a Alma. Como um novelo que se enrola, enrola, enrola e nunca se desfia.
Que aperta num sufoco que a garganta não liberta.

O que custa é o vazio.

Do tempo que quase pára.
Da ausência da cor dos teus olhos.
Da falta do toque que me alimenta.

O que custa é o vazio.

O vazio de te ter e não parar de querer.
O vazio de me faltares mesmo quando me abraças.

O que custa é o vazio do medo de te perder...


23.Jul.2015

Estúpida



Estúpida, sinto-me estúpida.
Mas muito estúpida mesmo. Assim no nível mais alto da estupidez humana, tipo mestre da estupidez. É isso, é assim que me sinto.
Estúpida porque tento,uma e outra e outra e outra vez. Sempre, mesmo quando não há retorno.
Estúpida porque falo, primeiro o que sinto, depois o que não sinto - e é neste momento que alcanço o topo da estupidez. Falo o que não sinto para magoar, para atingir, para obter algum tipo de reacção, para te sentir vivo e não amorfo, fechado nos teus pensamentos que não conheço.
Estúpida porque exagero, no que é bom, mas extrapolo no menos bom.
Estúpida porque me arrependo de perder o norte.
Estúpida porque peço desculpa por ser tão estúpida e sinto-me estúpida por não ter qualquer retorno.
 
Estúpido ou não.
Estúpida porque mesmo com razão cedo sempre na tentativa da reconciliação. Cedo sempre ao sentir que em mim habita por ti. Cedo à vontade de sentir o teu abraço, o teu corpo a acalmar o meu, o teu me amar a unir-se ao meu.
Estúpida porque sofro mais do que devia. Porque me preocupo mais do que devia. Porque ninguém é perfeito e eu, eu tenho a estúpida da mania que tenho de o ser.
Estúpida porque ninguém consegue ser.
Estúpida porque tento,uma e outra e outra e outra vez. Sempre, mesmo quando não há retorno.
Talvez não seja estúpida o que me sinto... Talvez seja só frustrada. E cansada. E desanimada. E perdida. E estúpida por não ver que tudo isto vale, o equivalente, a nada...



09.Jul.2015

Dicionário de coisas simples XXII


E a saudade?
A saudade é o coração guardar o som da tua voz,
O toque da tua mão na pele,
O azul do teu olhar que me acalma e protege.

E o chorar?
O chorar são gotas de água,
Num sentir que me ultrapassa,
Que me inunda por completo
E me açambarca.

E o sorrir?
O sorrir é o gesto que me sai da Alma,
Consequência de um tão grande,
Imenso e intenso
(Te) amar.



06.Jul.2015

(In)Viver



A tarde vai fluindo ao sabor de um morno Verão, acariciado por uma brisa doce e leve.
O rio faz-lhe companhia com o seu correr lânguido e quase parado não fossem os barcos carregados de sorrisos e de palavras que soam a felicidade, espanto e encanto.
Palavras que têm falhado nos meus dias. Palavras que tenho sentido ausência. Palavras que se cobrem de vazio. De pesar. De lágrimas secas, que não rolam pelo rosto mas inundam o coração, a alma.
 
Palavras de saudade. Imensa. Que não se explica, que não se pode obrigar a deixar de sentir porque está cá, mora em mim, habita-me o ser. Cada vez mais, cada vez mais forte, mais vincada e presente.
 
Ao ponto de não me deixar (quase) viver...
 
Ao ponto de até as palavras não serem suficientes...
 
De serem, completa e efectivamente, inúteis.
 
E o silêncio domina, mente e pensamento. E a inércia é senhora do corpo e da vontade.
 
E os dias não passam de momentos em que a vida (quase) não é sentida.
 
 
 
03.Jul.2015

Pedir-te

Pedir-te,
Vou pedir-te que saias.
Que saias dos meus minutos mais ínfimos,
Das minhas horas mais longas,
Da minha vida.

Vou pedir-te que saias,
Dos momentos em que só tu me alentas,
Das memórias que só tu alimentas,
Das minhas recordações.

Vou pedir-te que saias,
De cada instante que vivo,
De cada sorriso que crio,
De cada lágrima salgada que verto.

Vou pedir-te que saias,
Que deixes de comigo construir a felicidade,
Dos sonhos concretizarmos,
De viver a vida desejada.

Vou pedir-te que saias,
Que contigo leves as esperanças
E que comigo deixes as amarguras,
As incertezas e inconstâncias.

Vou pedir-te que saias,
Que me leves as lembranças
Do teu corpo no meu,
Da tua boca na minha,
Das promessas felizes.
Deixa-me com o coração carregado
Deste torpor que é amar-te
Mais que a tudo,
Acima de tudo,
Mais que a mim.

Vou pedir-te,
Vou pedir-te que saias,
Para que possas respirar
Despegado do sufoco
Que te causa o meu amar...
 
 
 
20.Jun.2015

Há no corpo


Há no corpo,
Bem no meio do peito
Um lugar onde te guardo,
Onde te trago comigo.

Há no meio de mim
Um sentir que não se perde,
Que não se esvai,
Que nunca perde a intensidade.

Há no corpo,
Presa no peito,
A saudade de ti,
Nos momentos distantes
Longe do me deitar no teu peito.

Há na pele
Memórias gravadas
De beijos e toques,
De entrega e posse,
De, de dois que somos,
Apenas ficar um.

Há na minha Alma
Um amor incondicional,
Que a ti me prende,
Me faz completa,
Inteira.

Há em mim,
Neste corpo,
Neste peito,
Nesta Alma,
A certeza que te pertenço,
Que é em ti que me completo,
Que em mim habitas,
Que é assim,
A teu lado,
Que feliz vivo!
 
 
 
16.Jun.2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

Hoje viajo ao som de...

"Light Up The Dark"

I don’t have to mention that I saw you today
I shone the sun into your eyes
And you don’t always have to question why there’s pleasure and pain
Cos there’s no truth for you to find

I’m drawing perfect circles round the life that we could share
And what is ours, is ours to keep
I know the thing you want the most, you hide it over there
Safe at the dark end of the street

When the devil's waiting
Down by the river calling out
I wanna be the one to light up the dark in you
And when the flood is over and all the love is pouring out
I wanna be the one to light up the dark in you
Light up the dark in you
Light up the dark in you
Oh, light up the dark in you

There’s so little I’m afraid of when it comes to an end
But I can’t leave you on your own
When the chaos turns to silence and your enemies your friends
I will run away the storm

When the devil's waiting
Down by the river calling out
I wanna be the one to light up the dark in you
And when the flood is over and all the love is pouring out
I wanna be the one to light up the dark in you
Light up the dark in you
Light up the dark in you
Light, light up the dark in you
Light up the dark in you
Light up the dark in you
Light, light up the dark in you
Ooh...

When the devil's waiting
Down by the river calling out
I wanna be the one to light up the dark in you
And when the flood is over and all the love is pouring out
I wanna be the one to light up the dark in you
And when the devil's waiting
Down by the river calling out
I wanna be the one to light up the dark in you
And when the flood is over and all the love is pouring out
I wanna be the one to light up the dark in you
Light up the dark in you
Light up the dark in you
Light, light up the dark in you
Light up the dark in you

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Perfeitas parcerias

Corpo,
Matéria que sente na pele
O ardor de um toque,
O sabor de um beijo,
O calor do desejo.

Pele,
Arrepiada pelo deslizar de dedos
Pescoço abaixo,
Pelo apertar de um seio
No meio de uma mão.

Mão,
Que detém o poder de saber
Os sentidos despertar,
O desejo aumentar
No desespero de a carne tomar.

Boca,
Sedenta de um beijo trocar,
Do corpo beijar,
Do sexo,
Ávido, molhado,
Provar e saborear.

Corpo,
Pele,
Mão,
Boca,
Desafiantes,
Desconcertantes,
Envolventes,
Perfeitas parcerias
Na entrega e no prazer,
No dar e no receber.
 
 
15.Junho.2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Deseja

Deseja
Que o gosto da boca
Se misture com o seu
Num beijo em nada morno,
Mas quente e ardente de quem ama.

Deseja
Que as línguas se entrelacem
E os seus dedos deslizem,
Descobrindo a pele
Que, arrepiada,
Anseia pelo toque.

Deseja,
Cada vez mais,
Que a sua mão a tome,
Percorra cada pedaço do seu corpo,
Se demore nos seios,
E desça até ao ventre,
As pernas se abram lentamente,
E o sexo,
Já húmido,
Seja invadido pelos seus dedos.

Deseja
Que a boca lhe siga a mão,
Que a saliva a inunde
E os sabores se mesclem
E ele a beije
E os sexos,
Finalmente se fundam
E afundem,
Um no outro,
Ele nela e ela nele,
E o prazer os domine,
Os descontrole até,
Por fim,
Que o cansaço os vença.
 
 
 
11.Junho.2015


terça-feira, 26 de maio de 2015

A ti, Mãe... II


A noite já comanda as horas que o dia foi cedendo sem esforço.
A brisa não se faz sentir.
Os sons da noite estão suspensos num silêncio que se abateu há muito, no dia de hoje.
As pessoas não se sentem, estão confinadas nas suas vidas sem que eu as sinta.
Hoje, o odor das flores não se faz sentir....
Nem tu. Nem o teu cheiro. Nem a tua voz. Nem o som do teu respirar, do teu coração bater. Nem a tua presença.
 
Vazio. Um vazio que não sei como suportar. Um vazio que jamais irei ultrapassar, que em mim vai para sempre ficar.
Um vazio que tentarei apaziguar com as memórias que tive o privilégio de guardar, de armazenar.
Momentos que contigo vivi.
Momentos que contigo aprendi a saborear.
De ti, fica em mim grande parte do que sou.
De ti, ficam em mim os valores com que me criaste.
De ti, fica em mim a vida que me deste.
O orgulho de ter nascido de ti.
De ti, fica em mim todo o amor que me deste. Todos os beijos. Todos os abraços. Todos os (in)compreendidos ensinamentos. Todos. Todos guardados para sempre em mim. Como o meu amor por ti.
 
Isto não é um adeus, é um até sempre...


26.Maio.2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Desilusão



Há dias em que não apetece viver. Hoje é um deles.
Desmotivação ao mais alto nível. Vontade de dormir e não acordar tão cedo. Ou nunca acordar.
Há dias em que não apetece abrir os olhos. Hoje é um deles.
Tristeza que invade a alma e os olhos de lágrimas.
Há dias em que apetece não ver. Hoje é um deles....
Cerrar os olhos com todas as forças em mim existentes e recusar-me a olhar, a ver, a sentir, a respirar este ar de uma sociedade podre e em nada nobre.
Há dias em que a esperança morre. Hoje é um deles.
Morre de tanto se renovar a cada notícia desprovida de humanidade. Carregadas de falta de respeito. Inundadas de desprezo pela vida. Humana e animal.
E a vida é tudo o que temos. E o que fazemos com ela.
Não há pessoas perfeitas. Não há quem seja imune ao consumo, ao ter e ao ser aceite.
Mas há respeito que se deve e merece. E há a noção do certo e do errado. E há o fazer e receber e o retorno.
Há dias em que todos os valores em que acredito me fazem sentir deslocada. Num mundo à parte.
Não, não sou perfeita. Erro, muito, talvez demasiado. E repito erros, muitas vezes de forma inconsciente, por muitas, válidas ou não, razões.
Mas há em mim coisas que me parecem demasiado desajustadas aos dias de hoje... Talvez seja uma “morcona” que aqui anda.
Há dias em que não me apetece viver.
Aqui, junto de gente que não sente como gente.
Hoje é um desses dias.
 
 
13.Maio.2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A ti, Mãe...

 
A tarde avança lenta e branda como o sol que aquece corpos que anseiam pelo seu calor. Avança suave como a brisa que tráz esse doce odor a flor de laranjeira. Avança quase parada como o Rio, apenas agitado pela ondulação que pequenas embarcações desenham nas suas águas formas apenas imaginadas.
Avança demasiado devagar e hoje, ao contrário de outros momentos, queria que parasse. Que não avançasse... Que não passasse.
 
Queria que ficasse suspenso o tempo que ainda me falta para te viver.
 
Queria que o dia se mantivesse e as horas fossem eternas. Que os minutos não se desavanecessem.
 
Que não desaparecessem.
 
Queria que o dia vivesse para sempre sem que o tempo passasse.
 
E eu viver-te-ia assim, sem tempo e para sempre.
Sem o medo de chegar a hora que se anuncia e me mata a cada dia.
Sem o medo de te ver deixar de sorrir e de me falar. De te ver esse olhar que mesmo sem falar consegue tudo dizer.
 
E eu viver-te-ia assim, sem receio de perder-te.
Sem o medo de te ver partir.
Sem o medo de ter de te dizer adeus.
 
E eu viver-te-ia mais que nunca. Saborar-te-ia a doçura mais que nunca. Absorve-te-ia a sabedoria de quem viveu mais que nunca. Amar-te-ia mais que nunca.
 
E como amo, a ti, que me deste a vida e incondicionalmente, sempre amaste...
 
 
11.Maio.2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Hoje viajo ao som de...


Lover Killer
 
Billet spied, bolt sped
Across the field, crows fled
I left and wounded
Left one dead
Billet spied, bolt sped
Across the field, crows fled
I left and wounded
Left one dead
Left one

Lover killer
At the wall in the mirror

Billet spied, bolt sped
Across the field, crows fled
I left and wounded
Left one dead
Billet spied, bolt sped
Across the field, crows fled
I left and wounded
Left one dead
Left one
Lover killer
At the wall in the mirror

On the one side I can dream my future, dream my future
On the other, I can feel my nature, feel my nature

Inside myself I have a moment to choose
To hold or to refuse,
To shoot or to let loose
The cawing crow the pulsing throat

Lover killer (lover killer)
At the wall in the mirror!

On the one side I can dream my future, dream my future
On the other, I can feel my nature, feel my nature
(x2)

I AM A LOVER AND A KILLER
LOVER/KILLER
LOVER/KILLER
I AM A LOVER AND A KILLER
LOVER/KILLER

sábado, 25 de abril de 2015

Doces Delírios


Doce o toque
De um deslizar de dedos
Abrindo caminhos,
Desvendando segredos.

Atento ao reagir da pele
Que se arrepia perante quente
De um beijo sedutor
Que nos faz ir adiante.

Delírios assolam a mente
Provocam vontades
Que se mostram sem receio
Num desfilar de palavras
Insanas, ardentes.

Dedos que se tornam prementes,
Beijos que se trocam molhados e quentes,
Línguas que percorrem recantos
Até agora inexistentes.

E os corpos,
Ansiosos de toque,
De desejo,
Apertam-se e entrelaçam-se,
Encaixam os sexos
Numa dança que descontrola,
Num vai-e-vem que assola,
Contorcem-se,
Vibram em espasmos,
Loucos e intensos,
De um
Inexplicável
Prazer.
 
 
25.Abr.2015

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Hoje viajo ao som de...



It's rippin' me apart
In a dark room ,in cold sheets
I can't feel a damn thing
I lost myself between your legs
Your medicine is in my head

You know I'd better be alone
But then you pow me on the phone

Oh,the habits of my heart
I can't say no
It's rippin' me apart
You get too close
You make it hard to let you go

I tell myself I like that
When you tie my hands behind my back
You're confident
I give you that
But if you love yourself you can hit the sofa

Cause I'd rather be alone
But you ..to leave my room
Oh,the habits of my heart
I can't say no
It's rippin' me apart
You get too close
You make it hard to let you go

Oh,the habits of my heart
I can't say no
It's rippin' me apart
You get too close
You make it hard to let you go

I can't say no
It's rippin' me apart
You get too close
You make it hard to let you go

E é isto...


Cansaço



Há um cansaço que me invade. De dentro para fora, cresce dentro de mim e inunda-me por completo.
Primeiro a Alma, depois a mente, depois o corpo.
Um cansaço que não consigo explicar, apenas o sinto. Sinto-o a aumentar. A tomar-me. A sufocar-me. A tirar-me toda e qualquer réstia de vontade, de querer ou de poder.
Um cansaço que me comanda à inércia.
(Quase) Sem vida.
(Quase) Morta.
Um (quase) desistir. De ser, de lutar, de viver.
De querer, de ser, de aprender, de evoluir, de viver.
De acrescentar, de sorver, de sentir, de amar, de viver.
De dar, de compreender, de (me) surpreender, de viver.
De partilhar, de oferecer, de receber, de viver.
Um (quase) desistir do que os meus olhos vêem. Do que a minha mente pensa. Do que a minha Alma sente.
Um cansaço de tudo (quase) sempre igual.
Um cansaço de todos (quase) sempre banais.
Um cansaço, até ele, (quase) sempre repetido.
E repetida é, também, a estóica força de acordar. De (me) renovar, de sobreviver, de (re)viver.
De sorrir, de chorar, de (re)viver.
De este cansaço combater, de (re)viver.
A cada novo dia, a cada novo momento (re)viver.
 
 
22.Abr.2015

Percorre-me


Percorre-me,
Os cabelos
Com esse teu
Deslizar de dedos,
Suavizando
As minhas dores.

Percorre-me,
O rosto
Com esse teu
Carinhoso tocar,
Limpando
As minhas lágrimas.

Percorre-me,
O corpo
Com essa tua
Firmeza de mãos,
Marcando
A pele do teu amar.

Percorre-me,
As entranhas
Com essa tua
Intensa,
Louca,
Insana vontade
De me tomar,
De me fazer vibrar,
Até a clareza nos faltar,
A consciência se perder
E sermos apenas dois,
Percorrendo-nos em nome
De todo este
Prazer!
 
 
17.Abr.2015

Ninguém vive tudo até morrer



O dia avança na sua constante e compassada rotina de horas que vão passando sem que nos aprecebamos de como correm.
A luz é inconstante e vai-se fazendo notar quando as negras núvens se dispersam levadas pela forte brisa que ondular do rio não esconde. Há um misto de cheiros no ar: a terra molhada que lembra o quente do Verão, as laranjeiras carregadas de inebriantes flores que nos embalam os sonhos, desses que fazem a vida acontecer e as glicínias em cachos de pequeninas flores de um degradé de tons liláses são o exemplo que a Primavera chegou.
E a Primavera é assim: um renascer da vida adormecida pelo frio que nos encolhe o corpo e, sobretudo a alma. Uma explosão de cor exposta em cada pedaço de terra, em pétalas suaves e frágeis de quem agora nasceu e tem uma vida à espera. E vivem-na em todo o seu esplendor de cores e odores que aos nossos olhos fazem um quadro digno de uma qualquer tela ou máquina fotográfica.
Aqui, dentro de mim, há tudo isso: essa estranha sensação de renascer, de querer voltar a viver e ser. Como se fugisse de mim, do meu corpo e fosse mais do que fisicamente sou.
E sou mais, mais que esta carne que um não há-de responder à vontade de andar, de viver e de ter capacidade para o fazer.
Sou mais que a matéria que me envolve, que estas vestes que me tapam as vergonhas do passar dos anos, dos produtos que inventamos e nos disfarçam as rugas de sorrisos e lágrimas que jorramos.
Sou mais, tanto mais...
Sou a soma dos desgostos de perder alguém que amava, de sentir a dor do nunca mais...
Sou a soma das alegrias de amar alguém como a mim, de ver a felicidade dos que me rodeiam...
Sou a soma de viver tudo isto. De ter memórias gravadas como recordações no coração e que aí têm lugar cativo e outras, tatuadas na pele beijada, tocada, amada por quem me partilhou corpo e alma, beijos e sonhos.
Sim, sou tudo isto. Tudo o que a vida me proporcionou e as escolhas que fiz. Não há lugar para arrependimentos. Não há lugar para onde olhar para trás e chorar – isso, já eu fiz em devida altura. Há apenas o aceitar e o sorrir feliz por ter vivido.
Sim, sou tudo isto. Mas mais serei porque sei que ainda tenho mais a viver.

Ninguém vive tudo até morrer.

E eu tenho tanto, mas tanto mais para viver, para dar e receber. E a cada dia, cresce a certeza que vou ser ainda mais feliz. Porque (te) tenho, porque (te) amo, porque (te) vivo em cada minuto desta minha (ainda) existência. Enquanto (eu) durar!
 
 
17.Abr.2015

E é isto...