quarta-feira, 30 de março de 2022

A esperança

 



Há dias em que a esperança é um martírio. Acreditar em algo que se quer é, por vezes, massacrar a Alma. É fazer doer no que intimamente desejamos. É apertar o coração e vê-lo a morrer aos poucos, a deixar de bater, a deixar de viver.
E depois, depois a esperança.
Voltar a acreditar, voltar a querer, voltar a sentir o que nos faz bem.
Muitas vezes a vã da esperança...
Porque quem espera desespera. E eu, hoje, desespero. Tão profundamente que me dói cá dentro.
Não sei o que dói mais: se a esperança ou a falta dela.
Sei que há dias em que não dói e tudo é leve e eu acredito que recuperarei o que tinha, o que era, o que me fazia feliz.
Dizem que só se dá valor ao que se perde... Não, não é verdade. Dá-se mais valor. Apreciam-se os detalhes, as pequenas coisas.
E a esperança de se voltar a isso.
E a (quase) certeza de ser (im)possível...


Cat.
07.03.2022

terça-feira, 29 de março de 2022

Sabes que morro?


viv
Sabes que morro?
A cada dia, hora longe de ti,
Sabes que morro?
A cada toque de pele
Que não te sinto,
Sabes que morro?
A cada beijo
Que de ti anseio,
A cada abraço
Deitada no teu peito
E que não tenho,
Sabes que morro?
A cada momento
Em que me invade o pensamento,
Em que o teu sabor eu sinto na boca,
Em que recordo,
Cada orgasmo em que me perdi
Em ti,
Sabes que morro?
Em todos os momentos
Em que te desejo,
Abraçar,
Beijar,
Tocar,
Amar
E pertencer,
A cada constante minuto,
Sabes que (te) morro?

Cat.
06.03.2022

Os acordes no teu piano


Os acordes no teu piano
Levam-me a passear a mente,
A sentir, verdadeiramente,
O coração.
Cai-me o chão,
As lágrimas no rosto,
De tamanha emoção,
De imenso sentimento...
E eu vagueio,
Doce ou intensamente,
Ao sabor do teu toque,
Ao ritmo do gosto.
E sinto-te,
Perto, premente,
No corpo e na mente,
Que até o teu sabor,
Na minha boca,
Se sente...


Cat.
05.03.2022

segunda-feira, 28 de março de 2022

Sei que sou tua


Sei que sou tua.
Que te pertenço, de corpo e alma.
Que os meus olhos
Só precisam dos teus,
Que a minha boca
Se perde na tua
E que o meu corpo
Se encontra no teu.

Sei que sou tua.
Que as horas
Custam a passar,
Que as esperas
São um lento não acabar
E que os dias
Só brilham contigo a me abraçar.

Sei que sou tua.
Que o meu sangue
Corre por ti,
Que a minha pele
Se arrepia para ti,
Que a minha entrega
Só faz sentido em ti.

Sei que sou tua.
Agora e (para) sempre,
Vestida ou nua,
Perdidamente,
Sei que sou tua.


Cat.
03.03.2022

Saberás tu


Se eu te olhar
Nesses olhos cor de mar
Saberás que vou chorar
De tanto, mas tanto te amar?

Se eu, à tua frente, parar
E a tua boca, entreaberta, fitar
Saberás que só vou pensar
Em esses lábios beijar?

Se eu, o meu corpo ao teu encostar
E a minha pele na tua tocar
Saberás que a respiração irá acelerar
E eu, a ti, me vou querer entregar?

Saberás tu,
O quanto é imenso este meu sentir,
Este meu te querer,
Que me faz, à toa, sorrir,
Que me faz, às vezes, doer?

Saberás tu...


Cat.
02.03.2022

domingo, 27 de março de 2022

Soubesses tu

 



Soubesses tu o quanto te amo
E saberias como me és
Tudo e tanto.
O ar que respiro, mais brando,
O coração que bate, mais forte,
A pele que me cobre, mais quente.
Tudo e tanto...
O cheiro do teu corpo, mais inebriante,
O teu abraço, o mais importante,
O teu beijo, o sabor mais viciante.
O teu sorriso, a minha tentação,
Os teus olhos, de mar, a minha perdição
E o teu corpo,
Ai o teu corpo, a minha inteira e completa rendição.
Tudo e tanto...
Soubesses tu o quanto te amo!


Cat.
01.03.2022

Urgência

 



Hoje, mais que nunca,
Tenho urgência em abraçar-te.
Urgência em me aninhar
No teu peito,
Em me perder
No teu cheiro,
Em beijar
A tua boca.
De sentir a tua pele,
O calor do teu corpo,
O bater do teu coração.
Hoje, mais que nunca,
Necessito que saibas
Que sou tua,
Plenamente tua.
De corpo e sobretudo de
Alma.
Fazes parte de mim,
Do meu ser,
Da minha carne,
Da minha essência.


Cat.
24.02.2022

sábado, 26 de março de 2022

O quanto me apetece


Sabes o quanto me apetece
Beijar-te?
Sentir os meus lábios nos teus
E dessa boca o gosto provar-te.
Deixar-me levar pelo desejo,
Crescente,
Incandescente,
Premente
De te ser e de te ter.
Entregar-me à tua vontade
De toque,
De agarre,
De posse
E, de todas as formas,
Satisfazer-te.
E no fim,
Com todas as certezas,
Voltar a dizer-te:
Sabes o quanto me apetece
Beijar-te?

Cat.
23.02.2022

Dizer-te





Já te disse hoje que te amo?
Não, claro que não. Há muito que não digo. Há muito que não queres ouvir.
Mas hoje, hoje vou-te dizer: eu amo-te!
Eu amo-te para lá de mim, para além do que sou, do meu corpo, da minha Alma.
Eu amo-te tão profunda e incondicionalmente que não existem palavras que definam ou categorizem este meu sentir.
Poderia tentar explicar, poderia tentar... Poderia tentar, pois não passaria disso: uma ténue tentativa de explicar o inexplicável.
Porque é inexplicável todo este meu sentir por ti.
Porque é imenso.
Porque é imensurável.
Porque é tão profundo e tão certo.
É eu amo-te como nunca te amei: com todas as tuas qualidades e particularidades também.
Mas amo-te mais ainda porque agora, agora que fechei feridas, agora que saí do torpor, agora que recuperei a minha essência, agora vejo-te com clareza. Agora vejo o Homem que és, em todo o teu esplendor, em toda a tua essência e tenho a certeza que és a minha Alma Gémea...
Eu amo-te. Hoje mais que ontem e ainda assim, menos que amanhã.


Cat.
21.02.2022

sexta-feira, 25 de março de 2022

Não me sentes a falta?



Não (me) sentes a falta?
Do cheiro da (minha) pele,
Do calor do (meu) toque,
Do sabor dos (meus) beijos
Da experiência da (minha) boca?
Não (me) sentes a falta?
Das curvas dos (meus) seios,
Do perfeito encaixar das (minhas) ancas,
Da entrega do (meu) corpo
Vezes sem fim,
Louca e desenfreada,
(TUA)
Nesse corpo que é o teu?
Não, não (me) sentes a falta?


Cat.
16.02.2022

Preciso-te dizer





Preciso-te dizer.
É urgente.
É como se as
Palavras, presas na garganta,
Me estejam a impedir de
Respirar.
Preciso-te dizer.
É premente.
Todo este sentir,
Aprisionado,
No meu peito,
A transbordar.
Preciso.
Preciso-te dizer.
Mas preciso que escutes,
Que me ouças bem as expressões,
Que (me) sintas
Sem condenar ou julgar.
Preciso-te dizer:
Faltas-me.
De corpo e alma.
Os teus beijos,
Os teus abraços,
O teu bater de coração no meu.
As tuas mãos na minha pele.
As nossas pernas entrelaçadas.
O meu corpo sobre o teu
E as nossas almas ligadas...
E eu preciso-te dizer,
É urgente

Cat. .
15.02.2022

quinta-feira, 24 de março de 2022

Teu




Há dias em que a tua ausência me é demasiadamente dolorosa. Realmente sentida no imo do meu ser. Palpável.
Há dias em que não me sinto a viver. Em que o passar dos minutos é tão indiferente que nem me dou conta que já foram. E eu continuo aqui. Igual. Como que suspensa, no tempo, no sentir, no te amar.
E, no entanto, às vezes, tudo cai em mim. Tudo se torna real. Tudo parece ser, acontecer é, sobretudo, doer.
Sim, às vezes dói-me. Bem cá dentro. No mais íntimo do que sou.
Uma dor excruciante. Imensa. De (quase) morrer.
E as saudades... As saudades do que ainda tenho para te dar. Para contigo partilhar. Sentir. Amar.
E tenho tanto no que resta da minha vida e muito para além dela.
Porque o que sinto cá dentro é imenso. É enorme. É tão maior que eu...
É um amor imensurável. É eterno. É incondicional.
É teu.


Cat.
10.02.2022

O que se faz?




O que se faz quando a saudade nos invade?
Quando a ausência sobre nós se a até?
Quando as memórias nos enchem a Alma e o coração aperta com essa tua falta?
O que se faz?
E quando os meus lábios desejarem os teus?
Quando a minha precisar do calor da tua?
Quando a minha boca desejar o teu sabor?
O que te faz?
O que te faz quando olhar para o que vivemos? O que construímos?
E o que nos falta viver, sonhar e criar?
O que se faz?
O que se faz com tudo o que somos e com o que ainda podíamos ser?
O que se faz?
Vive-se um dia atrás de outro?
Penso que é isso... Apenas se (sobre)vive.

Cat.
09.02.2022

quarta-feira, 23 de março de 2022

Olhar-te nos olhos

Olhar-te nos olhos,
Mergulhar em ti:
Na tua boca,
No teu corpo...

Fazer-te meu,
Saborear-te sem pressa,
Cada recanto desse
Corpo teu...

Cair de joelhos.
O gosto do teu imenso prazer
Na minha boca,
Escorrendo dos lábios...

Olhar-te nos olhos,
Sabendo que sou mais tua
Do que tu alguma vez
Serás meu.


Cat.
05.02.2022

Sabes que te vou amar

Sabes que te vou amar
Até ao meu último:
Suspiro,
Respirar,
Bater do coração.

Até que a pele
E a carne arrefeçam,
Geladas pela chegada
Da não vida.

Até mesmo quando
A lembrança já não tiver
Memória
Dos teus beijos,
Dos teus abraços,
Dos teus olhos cor de mar.

Sabes que te vou amar
Para além do meu ser,
Para lá da minha essência,
Para além da minha existência
E do tempo que se mede.

Sempre.
Eternamente.
Incondicionalmente.


Cat.
05.02.2022

terça-feira, 22 de março de 2022

Quero o frenesim


Quero o frenesim de um primeiro beijo,
Quero o toque suave dos teus lábios
E da tua língua a medo na minha.

Quero o despir lânguido da blusa,
A pele arrepiada da leveza da tua mão
E a tua boca entreaberta olhando-me os seios.

Quero os teus dedos no meu molhado sexo,
Deslizando e penetrando-me
Sem que eu possa (ou sequer queira)
Parar(te).

Quero-te,
Quero ter-te dentro de mim.
Ritmado. Forte. Fundo.

Quero, num acesso de loucura,.
Que não pares e que me acabes com a tortura
E, no orgasmo, sentires que sou,
Plena e totalmente, tua.


Cat.
04.02.2022

No odor da tua pele

 



No odor que a tua pele emana
Ficar ébria e cingir os sentidos
Apenas às sensações.

Perder a noção e o pensamento
Deixar que o corpo sinta e
Permitir-se ser tua.

Na boca esse sabor que é teu
Viciando-me o gosto
Deixando-me faminta por mais.

Ser eu sendo tua,
Descobrindo o prazer em cada poro,
O desejo a cada beijo,
O arrepiar a cada toque,
O estremecer de cada orgasmo.


Cat.
04.02.2022

segunda-feira, 21 de março de 2022

Sabes quando...



Sabes quando
A boca
Se lembra
Dos beijos lânguidos
E os lábios se entreabrem?

Sabes quando
A pele
Revive
O toque das tuas mãos
E logo se arrepia?

Sabes quando
O corpo
Recorda
O passar da tua língua
E o sexo humidifica?

Sabes?

Sabes o que é
Desejo,
Louco,
Insano
Em tudo fica em alerta?

Sabes o que é
Querer(te)
Tanto,
Que nada mais
Importa?

Sabes quando
Só (te) quero pertencer
E, num orgasmo,
(Por ti)
Quase morrer e renascer?

Sabes?


Cat.
2021.11.29

Invadir-me o paladar

Olho-te e
Mergulho nesses teus
Olhos cor de
Mar.
Hipnose perfeita,
Já só sinto o teu
Odor,
Já só desejo que
Me faças ajoelhar,
Que guies a minha cabeça para
Junto do teu
Másculo sexo.
Pronto.
Erecto.
E eu,
Gulosa,
Entreabro os lábios
E, olhando-te nos olhos,
Brinco com a língua,
Provocando-te,
Atiçando-te.
Luxúria ou
Simples desejo,
És meu,
Pertences-me
E eu comando.
Ritmo crescente,
Vontade premente,
E o gemido antecipa,
O desejado momento,
De ter, de sentir,
O teu prazer imenso,
A encher-me a boca,
A invadir-me o paladar.



Cat.
06.11.2021

domingo, 20 de março de 2022

Adeus (à) Vida XLIV




O sangue quente,
Percorre-me a carne,
Freneticamente,
Que quase queima, arde
E na pele se reflecte.
Há vida em mim,
Mas apenas no corpo:
A Alma, jaz morta,
Enterrada e fria,
Vazia de sentires,
De tristeza ou alegria,
Tolhida pela dor,
Pelo sal das lágrimas corrompida.

Jaz morta.
Enterrada e fria.


Cat.
2021.09.22
 

Adeus (à) Vida XLIII


O coração bate,
Bombeia esse liquido vital,
Vermelho, escarlate,
Que percorre a matéria carnal.

Bate, compassadamente,
Sem se importar
Com o que vai na mente,
Com o meu pensar.

Bate simplesmente,
Prolongando os dias
Num infinitamente...

E eu, vagarosamente,
Vou (sobre)vivendo,
Esperando que chegue o fim, finalmente.


Cat.
2021.09.22

sábado, 19 de março de 2022

No meio de tormentas


 
Vivo no meio
De tormentas,
Minhas apenas,
Eu creio.
Dores intransponíveis,
De em palavras colocar,
Impossíveis.
Minhas.
Únicas.
Indefiníveis.
Apenas reais,
Verdadeiras,
Sentidas,
Neste peito
Que sufoca,
Com este coração que...
No (de)correr desta maleita
Apenas,
Somente,
Empedernece.


Cat.
2021.08.28

Adeus (à) Vida XLII

 



Deito a cabeça,
Cerro os olhos,
Sem qualquer certeza
De que volto.
Permaneço neste
Meu Mundo:
Negro, escuro e profundo,
Como um poço sem fundo,
Onde a luz não se sente.
O ar é pesado,
Quente e sem odor,
Apenas existe,
Se permite respirar,
Tal como eu:
Sem qualquer vontade de regressar.
Aqui, não há expectativa,
Não há pelo que esperar,
A dor já não espreita,
Já dói e há que a suportar.
Deito a cabeça,
Cerro os olhos:
Não quero acordar
Nem neste mundo (sobre)viver,
Quero partir,
Ser livre, ser eu, voltar à minha essência
E, sem medo do que há-de vir,
Sentir e assim, ser feliz e sorrir...


Cat.
2021.08.28

sexta-feira, 18 de março de 2022

O que faço aqui


 

Às vezes pergunto-me o que faço aqui.
Às vezes duvido de tudo o que sou. De tudo o que digo, de tudo o que penso e de tudo o que faço.
Duvido como se... Não valesse a pena. Como se fosse completamente indiferente, inútil. Como se eu não existisse.
Mas existo. Eu sou. Não sei muito bem quem, mas sou.
E vivo. Ou sobrevivo.
E faço o meu caminho, seja ele qual for, seja por onde for, mesmo que eu não veja ou sinta que o estou a percorrer.
Às vezes, demasiado perdida. Outras, a maioria, seguindo o meu instinto.
E eu ouço o meu instinto, eu guio-me pelo meu sexto sentido. Nunca me falhou.
Pensando bem, nem quando me senti perdida...
Talvez eu nunca esteja perdida.
Talvez eu não veja o caminho por não ser esse o sentido da vida.
Talvez o caminho se faça apenas caminhando, avançando cruzando vidas e aprendendo.
E quantas vidas, seres maravilhosos se cruzaram comigo e tanto que me ensinaram!
Talvez eu nunca esteja perdida: apenas aguarde o tempo certo para que novas vidas me possam ensinar. A crescer. A ser mais e melhor.
Talvez alguém me aguarde também, para que eu possa ensinar ou partilhar o (tão) pouco que sei...


Cat.
2021.00.15

Adeus (à) Vida XLI

 


Mergulho,
Num silêncio profundo,
Quase absoluto,
De uma Alma vazia,
Negra e perdida.
Submersa,
Permaneço,
Até que o ar
Em mim desapareça,
Se esfume,
Num sopro se desvaneça.
Aguardo,
Numa espera angustiada,
Que o coração pare,
O sangue já não corra
E o corpo,
De uma forma doce
E suave,
Para sempre,
Descanse...


Cat.
2021.08.28

quinta-feira, 17 de março de 2022

Carregado de tudo

 



Estou há tempos a tentar colocar por palavras algo que não consigo.
Está entalado. Preso. Sufocado.
Há uma ponta, ali, à espreita e eu bem puxo por ela, mas...
Nada. Zero.
Uma ponta seguida de um nó. Enorme. Na garganta. Nos dedos. No cérebro.
Nada. Zero.
Uma vontade enorme de me libertar, de explodir, extravasar e o quê? Nada! Zero!
E o peito vai-se enchendo de palavras não ditas e o coração vai ficando aperto, cada vez mais apertado e o peito cheio... É um sufoco. Só quero gritar. E abro a boca e pronto: nada, zero sons.
Um grito surdo. Inaudível. Cheio de um nada carregado de tanto. E as lágrimas acompanham. E bato no peito para me esvaziar disto tudo que há cá dentro e que não me sai em palavras. Disto que me atormenta, que me enche e me mata, aos poucos, desta forma tão lenta...
E grito. Grito este grito surdo. Inaudível. Feito de nada, carregado de tudo.


Cat.
2021.08.20

Difícil ser eu


Há dias em que é difícil ser eu, viver os meus dias, as minhas horas, os meus momentos e os meus sentires.
Há dias em que acordar é uma vontade remota. Em que sair da cama e ter de viver é uma... Obrigação.
Hoje é um desses dias.
Hoje é difícil ser eu.
Hoje é um dia em que queria ser outra pessoa qualquer, viver uma outra vida qualquer, ter um outro dia qualquer.
Talvez como a maioria das pessoas...
Hoje parei a ver as notícias e... Algo foi morrendo cá dentro. Acho que foi a alegria, não tenho a certeza. Mas algo foi morrendo ao longo das notícias, ao longo do dia.
O Mundo é um local maravilhoso, perfeito até... Não fosse o ser humano.
Temos tanto de belo como de horrendo.
Temos tanto de bom como de maléfico.
Somos uma espécie de anjo e diabo.
Somos de extremos. Pena é que um dos extremos está a destruir o que há de belo.
Um dos extremos está a dizimar o que de bom se conseguiu.
Um dos extremos está a matar e a aniquilar outros seres em tudo, a si, semelhantes. Por pequenos nadas disfarçados de grandes causas...
E isto mexe comigo. Cá dentro. No meu peito, na minha consciência, na minha razoabilidade.
Mas o meu mundo também tem destas coisas: de diferentes formas de estar, de viver, de olhar o outro e conseguirem dizimar sonhos, expectativas, planos, vidas... Pequenos gestos, pequenas palavras, grande soberba, desentendidos, grandes estragos... E eu, no meio. A desejar viver um outro dia qualquer, duma outra qualquer vida.

Cat.
2021.08.18

quarta-feira, 16 de março de 2022

Ser, apenas ser


 

Por que é tão difícil gostar de nós?
Por que é tão difícil aprender a voltar a gostar de nós?
Por que temos de analisar tudo o que pensamos, a forma como agimos, o que dizemos? Sempre, a toda a hora? Por que razão?
Não podemos apenas ser? Ser sem essa (quase) sempre esmagadora auto-crítica? Sem essa destruidora de egos e da confiança?
Não podemos deixar de analisar o que somos, quem somos? Deixar de pensar é falsamente acreditar que podemos agradar a todos? Que temos forma de criar empatia com todas as pessoas que cruzam a nossa vida? Mesmo quando é genuíno, quando és a tua melhor versão? Ou não será nada disso?
Será apenas necessidade de aceitação? Pura insegurança?
Eu tenho uma (extrema) necessidade de aceitação, de aprovação, de que gostem de mim.
Não deixo de dizer o que penso, o que sinto
Não deixo de ser quem sou, não perco os meus valores, não sou falsa.
Ou serei?
Terá essa necessidade a capacidade de me fazer mostrar uma pessoa realmente diferente da que sou?
Será que me julgam falsa e uma jogadora, correndo de acordo com a maré?
E qual o motivo da minha preocupação com isso?
Quero, preciso que gostem de mim.
Quero, preciso.
E isso é o bastante para me deixar a pensar se me deixo facilmente adulterar...
E eu só quero ser. Ser com todos os meus defeitos e virtudes. Com tudo o que há em mim, de bom e de menos agradável.
Ser, apenas ser e não me (deixar) condenar por assim ser...

Cat.
2021.07.31

Tento, mas não consigo




Tento, mas não consigo.
Não há forma, não há jeito, não consigo.
Os pensamentos enchem-me o cérebro. Correm velozes sem me darem tempo para sequer os analisar.
Tal como os sentires que há cá dentro: viajam, de um extremo ao outro, sem que os possa assimilar.
E por entre este ciclo, a inércia. A sensação inevitável de não conseguir. De ser incapaz.
Vejo tanto e oiço tanto que... Só me apetece fugir ou rir. Chorar ou ignorar. Ficar ou avançar.
É um limbo, uma corda bamba.
Gostava de não querer saber.
Gostava de poder não ver.
Gostava de ser cega, surda e muda.
Há um ego nas pessoas, todos o temos. Mas hoje, há um ego disfarçado de boa vontade, de bondade... Para mostrar.
E isso é o que eu menos consigo entender: a necessidade de chamar a atenção para o "eu".
Carência? Acredito que será isso acima de tudo.
Talvez eu esteja aqui a divagar por algo que não tem sentido, não tem qualquer explicação.
Mas fico, quieta, numa inércia, de tão estupefacta que me deixam...
Lá está, eu tento, mas não consigo!

Cat.
2021.07.06

terça-feira, 15 de março de 2022

Da minha boca

 



Da minha boca
Nada sai
Senão
Um silêncio,
Mórbido,
Moribundo.

Um silêncio
Negro,
Que grito,
Bem de dentro,
Do meu fundo.

Por entre os
Lábios meus,
Entre-abertos,
Há sons,
Palavras,
Pedidos, desejos,
Inaudíveis
Que esvoaçam,
Presos em asas
Que não solto.

Da minha boca,
Não sai nada
E,
No entanto,
Sai tudo
(O que não digo)...

Cat.
2021.07.01

Adeus (à) Vida XL

 



Morro(me)
Presa num corpo,
Agora,
Inerte,
Sem a (habitual) vida.

Morro(me),
Dia após dia,
Num passar de horas,
De sentido vazias,
Sem amanhã ou agora.

Morro(me)
De Alma negra,
Dorida,
Marcada,
Doente,
Em lágrimas encharcada.
Largada,
Sem piedade,
Na berma duma vida
Aparentemente perdida,
Vivida na inverdade
De ter sentido algum sentido...


Cat.
2021.07.01

segunda-feira, 14 de março de 2022

Percorre-me o corpo


Percorre-me o corpo
O frenesim do tempo
Que anseia, louco,
O teu toque.
Percorre-me a pele
O arrepio de te sentir
O respirar junto
Ao ouvido.
Acelera a vontade
Sentir-te as mãos
Nos seios,
A boca, tua, na minha,
Línguas enlaçadas,
Sedentas.
Toca-me o sexo,
Húmido,
Excitado,
Quase a explodir
Apenas com o desejo.
Faz-me tua,
Assim, ainda vestida,
Como se fosse pecado,
Com os teus dedos sábios,
Assim, provocando,
Até os sentir dentro de mim,
Bem fundo
E não me segurar,
Numa entrega única,
E dar-te,
Todo o meu mel,
Todo o meu prazer...


Cat.
2021.06.23

(Im)Perfeita






(Im)Perfeita
Aos olhos de outros,
Aos teus
E aos meus.

Tentativas vãs
De tudo parecer
O que, na verdade,
Não o é.

Mostrar sorrisos,
Amarelos no sentir,
Imagens de felicidade
Que não podem existir.

Viver amarrada,
A quase tudo que não é,
Viver iludida,
Numa imagem criada,
Fingida,
Fabricada,
Mas de falsa beleza pintada.

Depois do rosto e de cara lavada,
Surge a (im)perfeição
Do que é,
Simplesmente,
Ser-se humana.



Cat.
2021.06.04

domingo, 13 de março de 2022

Coisas minhas... Provavelmente sem sentido


 

Coisas minhas... Provavelmente sem sentido.

Hoje li o "Postal do dia", de Luís Osório, de há quatro dias. Um "Postal do dia" sobre um caso mediático e de difícil abordagem: o da menina esquecida no carro.
Um "Postal do dia" carregado de algo que parece ser cada vez mais raro, a empatia.
Não vou divagar ou exprimir os meus pensamentos sobre o assunto: não teria palavras para tal. Há situações que não consigo sequer imaginar, quanto mais verbalizar o que me poderão fazer sentir.
Não vou enaltecer ou criticar quem comentou: são reflexo da vida que experienciaram e da forma que encontraram para lidar com as suas experiências e emoções.
Não. Mas li comentários que me fizeram pensar. Comentários de pessoas que perderam entes queridos e, apesar de dizerem que não acreditam em Deus, o culpam.
Não, não vou dizer que Deus existe, eu nunca o vi e nunca me apareceu em sonhos.
Não, não vou dizer que Deus não existe pois há uma necessidade enorme de acreditar que algo superior interfere nas nossas vidas e somos abençoados ou castigados ou, melhor ainda, encontramos a explicação para o inexplicável. Entram o fatídico "tinha de ser", "está num lugar melhor ", terminando no "foi um milagre".
Chamam-lhe fé. E cada um tem a sua. À sua maneira, com ou sem Deus ou outro nome que lhe queiram dar.
Eu não sei o que tenho.
Eu não sei no que acredito.
Eu tenho tristezas, perdas e dores marcas na Alma que nunca fecharão por completo. Ausências. Saudades. Egoísmo por desejar que ainda cá estivessem.
Eu tenho "milagres" em situações do dia a dia, eu tenho "intuições" sobre o que dizer, sobre as pessoas, sobre situações, como se fosse guiada, como se me sussurrassem ao ouvido, como se, naquele preciso momento, me colocassem o raciocínio, as palavras no cérebro. Eu tenho "dejá vu", tantos e tão reais...
Eu não sei que nome lhes dar, eu uso palavras que já existem pois não sei explicar de outra forma. Não há outras palavras. E não são as correctas. Não são porque não é bem isso, é algo diferente.
Mas às vezes penso nisto, no contexto em que nasci, nas pessoas que conheci, no que me fez crescer. Principalmente, e usando uma expressão que não consigo expressar de outra forma, como ser humano.
Porque dizemos tanto que crescemos como seres humanos se não acreditarmos, mesmo que de forma camuflada, subconsciente, de que somos mais do que matéria e pó?
Penso nisto da fé, da vida, do Céu e do Inferno, desde muito nova. Penso na injustiça de um Deus que me fez nascer de pele branca e olhos azuis (e ser assediada ao ponto de querer esconder-me nos cantos das salas de aula, dos pátios da escola, de nunca usar decotes ou saias curtas...) numa sociedade de primeiro mundo, numa família onde, graças ao trabalho árduo dos meus pais, nunca me faltou nada material e, do outro lado do hemisfério, crianças como eu, mais novas que eu, bebés, inocentes, morriam com falta de alimento.
Que Deus permite algo tão díspare, tão antagónico ao que, numa sociedade Católica, é ensinado?
Pois, os milagres e os acontecimentos fatídicos...
Eu não sei tanta coisa, mas sei que, tem de haver, quero acreditar que há, mais do que um corpo e um cérebro.
Eu acredito que há uma Alma, com várias hipóteses de redenção, de aprendizagem, de crescimento e evolução.
Eu acredito, como na música do António Variações:
"Eu tenho um anjo, anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia
Eu tenho um anjo, anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia
Eu não o vejo, eu não o oiço
Mas sinto sempre a sua companhia

Eu tenho um guarda que é um anjo
Que me protege de noite e de dia
A toda a hora e em todo lado
Posso contar com a sua vigia
Não usa arma, não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida

Ele não, não usa arma
Ele não, não usa a força
Usa uma luz com que ilumina
A minha vida (...) "

Mas isto sou eu, que não sei nada e não conheço palavras para explicar certas coisas que acontecem, que vivo e que sinto...
Eu sei no que quero acreditar e é isso que, na minha pequenina cabeça e pequeno mundinho, faz sentido: ser melhor. Melhor pessoa, melhor ser humano o que implica ser e aprender o que é melhor para mim. Ter amor próprio sem ego, ter consciência das qualidades e dos defeitos, aceitá-los e melhorar.
Olhar para os outros e pensar que não viveram o mesmo que eu, que não posso julgar pois não sei. Mas posso ouvir e tentar perceber. Mas posso mostrar outros caminhos, outras possibilidades porque vivi coisas diferentes e com isso, aprender com outros também.
Acredito, não, eu sei que se nos olharmos como iguais, como seres em crescimento, em aprendizagem e fossemos mais empáticos, o nosso mundo seria melhor.


Cat.
2021.05.16

Sem palavras


Ando sem palavras... Logo eu, a quem (quase) nunca faltaram.
É verdade que os dias ganharam nova vida, trazem-me vivências diferentes, aprendizagem e crescimento. O que torna tudo ainda mais estranho.
Ando sem palavras...
Estou numa fase que não compreendo. "Numa fase", seja isso lá o que for. Sei que, apesar de me sentir bem, de estar bem, grata e feliz, não me surgem palavras. "Feliz"... Sim. Não. Nem um meio termo é.
Ando sem palavras, é o que é.
Palavras difíceis de encontrar para expressar o que me vai na mente, o que guardo na memória e o que sinto no coração.
O coração, esse maldito que sente sem pedir autorização.
A mente, essa incessante pensadora de tanta coisa que não interessa.
A memória, essa ingrata que me faz recordar quem já não tenho comigo.
A memória, como uma cómoda cheia de gavetas, quase sempre fechadas. Algumas, a malvada, deixa-as semi-abertas, prontas a escancarar o que uma data, um cheiro ou um sabor despoletam.
Tenho, apesar do momento bom que passo, gavetas abertas, carregadas de recordações que me trazem saudade e dor e lágrimas fugindo dos olhos.
São gavetas que jamais se fecharão, eu sei... Não há chave que as encerre definitivamente e se atira ao mar para não haver possibilidade de as reabrir. São gavetas cheias. Transbordantes.
Se eu as quero fechar para sempre? Não!
Eu quero poder olhar para dentro delas e a Alma não se dilacerar. Olhar para tudo o que lá está e não sangrar de dor.
Há ausências que jamais se esquecerão, mas queria não sentir a ausência, a dor ao olhar a gaveta. Queria sentir o amor, os risos, os abraços, os passeios, os beijos e os momentos vividos.
Entre o final de Abril e o início de Maio, tenho duas gavetas que sempre se abrirão... E, infelizmente, sinto que muitas lágrimas ainda cairão.
É por isso que ando sem palavras... O que os olhos não vêem, o coração não sente, dizem. Mas é mentira.


Cat.
2021.05.01

sábado, 12 de março de 2022

Mais negros


O dia vai a meio das suas horas, o sol está mais quente do que o habitual para um dia de Primavera e as pessoas sorriem com os olhos. Pelo menos assim me parece.
Os pássaros banham-se e bebericam da fonte na praça, alheios a toda esta (a)normalidade em que vivemos nestes últimos tempos.
Ainda bem. Ainda bem que há pássaros felizes e que (en)cantam.
No entanto, cá dentro, do meu peito, no meu coração e nos meus pensamentos há confusão.
Sim, há uma infinidade de sentimentos que me deixam num limbo, numa bipolaridade que me desconcerta ainda mais.
Hoje há nostalgia.
Hoje há memórias boas, felizes.
Hoje há lembranças tristes, de me fazerem caur lágrimas pelas faces do rosto...
Sou grata pela vida, pelo sol e pela chuva, pelo mar salgado e o cheiro das laranjeiras em flor.
Sou grata pelas pessoas que tanto me ensinam.
Mas há, num canto de mim, algo que me assola de quando em vez: a partida definitiva de quem amamos.
Por muito que acredite que estarão melhor fazem-me falta e o meu egoísmo deseja-os cá. Para me abraçarem. Para me amarem incondicionalmente. Para me sentir menos vazia, menos... Sei lá o quê.
A ausência é dolorosa e demora a aceitar...
Hoje estou assim, num misto de pensamentos, confusos e mais negros que luminosos.

Cat.
2021.04.16

Palavras na ponta dos dedos



Por vezes gostava de ter as palavras todas, na ponta dos dedos, para descrever o que sinto. E não tenho. Jamais terei.

Há palavras que nunca existirão, pois nunca serão as exactas para determinado sentimento.
E eu, eu tenho muitos sentimentos.
Sou uma imensidão. Talvez tão grande e, de certeza, tão profunda quanto o mar.
Sim, sou igual ao mar: na tempestade e na calmaria, no salgado das lágrimas, no que dá e no que recebe... E damos tanto e recebemos tanto. Tanto de bom, como de lixo que só nos faz atrasar nas experiências e no verdadeiro viver.
Mas como o mar, há que aprender a renovar-me a dada maré.
Há que fazer o que dita o coração e a minha natureza, a minha essência e à noite, sob a luz da lua e a proteção das estrelas, dormir um sono profundo e descansado. De Alma limpa e consciência tranquila.

É, por vezes gostava de ter as palavras todas na ponta dos dedos...
Hoje é um desses dias.


Cat.
2021-04.11


sexta-feira, 11 de março de 2022

Remendo-me


 


Remendo-me.

A cada tropeço na vida, a cada desilusão, a cada sonho perdido pelo caminho.
Rendendo-me.
A cada dia sentido como desperdiçado, perdido, não vivido.
Remendo-me.
A cada lágrima salgada de tristeza, a cada dor no coração e no corpo.
Remendo-me e renasço.
Cada momento é vivido, mesmo que não pareça, pois os dias passam e as horas não param, suspensas num eterno infinito. Embora às vezes assim pareça.
Remendo-me e renasço.
Porque não viver também é necessário, ter tempo para deixar correr e não decidir.
Renasço a cada tormenta ultrapassada, a cada pessoa perdoada, a cada dor que marca mas não deixa mágoa.
Faz parte do crescer.
Faz parte do aprender.
Faz parte do relativizar. E é tão importante relativizar... Deixar de lado o que não nos acrescenta, o que nos pesa, o que não traz alegria e põe sorrisos nos nossos rostos.
Por vezes lutamos em batalhas sem sentido. Embora às vezes não pareça.
É preciso olhar a vida com amor, esperança e paz de espírito.
É preciso aprender a não carregar fardos de outros e os nossos inúteis, que alimentamos, como culpas e arrependimentos. O que está feito não se desfaz.

Remenda-se e renasce-se a cada dia, melhor hoje que ontem.


Cat.

2021.04.14

Adeus (à) Vida XXXIX

 


Adeus...
Adeus ao sol e à chuva,
Ao vento e às ondas do mar,
Ao canto dos pássaros,
Ao cheiro das flores.

Adeus...
Adeus ao sorriso de uma criança,
Às lágrimas salgadas de felicidade,
Ao coração que, cá dentro, bate,
Ao respirar que me faz viver.

Adeus...
Adeus aos que passaram na minha vida,
Aos que partiram e aos que ficaram,
Aos que amo como minha família,
Aos que são sangue do meu sangue e
Isso não se partilha.
Adeus a ti, meu amor,
Pelo que me deste e
Me permitiste conhecer,
Ao Amor eterno,
À minha Alma gémea,
Parte de mim, do meu Ser.

Adeus...
Sei que um dia partirei
E peço (a)Deus ou
A quem do outro lado estiver,
Que não me abandone,
Que por mim espere
Porque sei,
Sei que um dia direi adeus:
Adeus (à) Vida.


Cat.
2021.04.02

quinta-feira, 10 de março de 2022

Adeus (à) Vida XVIII




Presa a um corpo,
Matéria viva que vai morrendo,
A cada hora, a cada dia
Um castigo, um tormento.

Presa, quase desistindo
De deixar de respirar
Para poder, sorrindo,
Para o meu elemento voltar.

Corpo, que no solo,
Sete palmos de terra,
Serei alimento fértil
Numa rodar de vidas.

Alma que me vales,
Que sei jamais morrerás,
Etérea e do que dessa terra,
Um dia, nascerá.

Presa, sem ter como fugir,
Tento viver e todos os dias sorrir,
Pois sei que jamais partirei:
Sendo o corpo na terra
Ou a Alma... No seu elemento.


Cat.
2021.04.01

Cairei

 



Um dia cairei,
De joelhos rendida:
Tudo o que lutei,
Resultou no que devia.
Chega de lágrimas no rosto,
Salgadas pelo desgosto,
De viver em demasia,
Vidas que não esquecia.
Fardo pesado trazia,
De pecados inconfessáveis,
Guardados, cravados na Alma,
Profundamente ferida.

Um dia cairei
E de joelhos rendida,
A certeza terei
Que todos os pecados, as mágoas e as feridas,
Foram expiados
E assim partirei
De Alma curada e com alegria!

Cat.
2021.03.31

quarta-feira, 9 de março de 2022

Adeus (à) Vida XXXVII

 

Digo-te que partirei
Um dia,
Como não sei,
Mas será como devia:
De Alma leve e vazia.

Digo-te que não me chores
A partida,
Será sinal que os meus sentires
Já curaram a ferida.

Digo-te que partirei
Feliz e sem demoras,
Será breve a despedida,
Um beijo e um até já,
Sem delongas.

Digo-te que não me chores,
Pelo menos por perda ou tristeza,
Se lágrimas salgadas caírem
Que sejam, do nosso reencontro,
Ter absoluta certeza.

Cat.
2021.03.31

Adeus (à) Vida XXXVI





Penso na hora derradeira:
Será branda ou uma tormenta,
Fecharei os olhos suavemente
Ou sentirei a dor de um coração a parar?

Não sei o que me espera,
É uma incógnita, uma incerteza...
Viverá, depois, a minha Alma
Ou serei nada mais que poeira?

Perderei noção de quem sou,
De tudo o que vivi,
Ou pensarei apenas
No que deixarei aqui?

Não quero pesos em mim:
Nem no corpo, nem na Alma,
Gostaria de me ir assim,
Dormindo como quem sonha.



Cat.
2021.04.30

terça-feira, 8 de março de 2022

Adeus (à) vida XXXV


Pergunto-me quantas vezes
Terei de viver
Para que a vida
Deixe a minha Alma morrer?

Quantas vezes terei
De me transformar,
De noutra me tornar
Para poder descansar?

Serei merecedora de tamanha tormenta,
De na pele do rosto carregar
Sulcos de lágrimas salgadas,
De o corpo já não ter força para lutar?

Que terei feito,
Nesta ou noutra vida,
Para tal me acontecer,
Para a morte (ainda) não merecer?



Cat.
2021.04.30