domingo, 28 de fevereiro de 2016

Serias?



Serias capaz de me amar?
Conseguirias amar-me da mesma forma que eu te amei: sem medos, receios e de forma pura?
Amar-me-ias mais a Alma que ao corpo?
Eu nunca te amei o corpo, não o conhecia, era-me indiferente.
Amei-te a alma, a tua essência, o teu íntimo, o âmago dos teus sentimentos.
Amei-te pelo que és. Pelo que me mostraste sem recurso a subterfúgios corporais e promessas de amor eterno.
Nunca o prometeste. Nunca a isso te referiste. E eu, eu amei-te mais ainda por isso.
Amei-te pelas qualidades mas quando te descobri os defeitos, amei-te ainda mais. Porque és real. Porque és humano, imperfeito como eu.
Serias? Serias capaz de me amar assim?


28.Fev.2016


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Hoje viajo ao som de...


Run and hide, it's gonna be bad tonight
Cause here comes your devil side
It's gonna ruin me
It's almost like, slow motion suicide
Watching your devil side, get between you and me

So tell me what I need to do
To keep myself away from you
To keep myself from going down
All the way down with you

Still I want you, but not for your devil side
Not for your haunted life, just for you
So tell me why I deal with your devil side
I deal with your dangerous mind, but never with you
Who's gonna save you now, who's gonna save you?

I can't lie but I don't miss those times
We were on a high, I thought it would never end
But you and I, we've come from the same long line
Good kids with a devil side, just going around again

So tell me what I need to do
To get myself away from you
To keep myself from going down
All the way down with you
All the way down with you

I want you, but not for your devil side
Not for your haunted life, just for you
So tell me why, it's always your devil side
It's always your dangerous mind, it's never you
So who's gonna save you now, who's gonna save you?

So tell me what I need to know
To make you wanna change it all
To keep myself from going down
All the way down with you
All the way down with you

I want you, but not for your devil side
Not for your haunted life, just for you
So tell me why I deal with your devil side
I deal with your dangerous mind, but never with you
Who's gonna save you now, who's gonna save you?
Who's gonna save you now, who's gonna save you?

Who's gonna save you now?
Who's gonna save you now that I'm gone?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Tudo porque...



O dia avança no seu peculiar passar de minutos, hoje gélidos e demasiado molhados.
Não há pessoas na rua e o silêncio é o já interiorizado som das gotas de chuva no vidro da janela e apenas interrompido pelo passar de um carro, rápido e sem apreciar a paisagem.
Hoje não há fotografias às pontes, não há barcos a riscar as águas revoltas de um rio que corre mais veloz para o encontro com o mar e as gaivotas planam baixinho nos céus cinzentos escuro.
Aqui, a pele também sente o frio, o sorriso também se esconde e a vontade de não estar aqui é maior que nunca. É demais, quase insuportável.
A alma também escurece ao ritmo do passar das núvens e do chegar do anoitecer.
Salva-me pensar que ao fim das horas lentas terminarem, chegarei a casa e tudo será diferente.
Terei o calor de um aconchego que cobre o corpo e inunda o coração. E este bombeará mais fortemente esse sangue quente que nos faz viver.
Porque te tenho.
Porque me esperas.
Porque me amas.
Mesmo eu sendo perfeitamente imperfeita.
Porque te amo.
Porque te anseio nos meus braços.
Porque te tenho sempre presente no pensamento.
Mesmo que não te apercebas.
Mesmo que passe um dia sem to dizer. Ou um momento sem to demonstrar.
Porque me és alimento.
Porque te dou alento.
Porque somos o que ambos esperamos do outro. E não esperamos nada mais que tudo.
Tudo que nos faça feliz.
Tudo que nos apeteça fazer e dizer.
Tudo que não nos prenda em rotinas que nos acabam por definhar.
E o calor entre nós nunca morrer!

17.Fev.2016

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ele(s) III



Podia ser diferente e não se contentar em apenas se entregar de corpo e alma. Raio de mania essa de se dar por inteiro. De querer ser tudo o que ele deseja: a amiga, confidente, mulher, mãe, amante... Mas não é possível e aos poucos, a cada falha, a cada nova tarefa incumprida como deseja, apercebe-se da sua impotência em consegui-lo ser.
E isso mata-a. A pouco e pouco, aos bocados e demoradamente. E martiriza-se pensando na sua enorme incapacidade em ser perfeita. E frustra-se a cada pensamento. E os olhos não brilham, os lábios não sorriem e o corpo não deseja. E ele, na cabeça dela, vai deixando de a amar. A pouco e pouco, aos bocados e demoradamente.

Podia ser diferente mas gosta dela assim, tal como é. Com as suas pequenas imperfeições: faz dela uma mulher real, que a ele se equipara. Sim, ele não é perfeito mas também não tenta ser. Sabe que podia ser melhor mas é feliz assim porque ela o aceita. Como ele a ela. E não importa que não seja a melhor cozinheira, a perfeição a passar a ferro ou que não aspire a cada poeira no chão da sala.
Ele ama-a pelo sorriso, pelo olhar sedutor e apaixonado, pelas curvas de um corpo que se sabe mover e o excita. Pelos beijos. Pelo sexo. Pela companhia. Pelo sexo que é (quase sempre) fenomenal. Sim, o sexo é importante para ele. E ela preenche todos os seus requisitos.
Sente que a rotina das tarefas diárias são um peso demasiado grande na forma como ela reage e quer mostrar-lhe que nada, mas mesmo nada é mais importante que estarem juntos. Verdadeiramente juntos, abraçados, enroscados ou apenas, um ao lado do outro, sentados. E mesmo que a ausência de palavras impere, não é constrangedor ou mau ou sinal que algo não está bem ou que ele esteja saturado dela ou mais um milhão de outras coisas que passam pela cabeça dela! Não, é apenas porque não há necessidade de encher o silêncio. É porque é confortável. E não há nada melhor que saber apreciar momentos a dois, em silêncio.

17.02.2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Ele(s) II



A cada dia se importa menos com o tanto com que se importa. Vai-se esvaziando das preocupações.
O que ele não sabe é que a diminuição do importar é equivalente ao aumento da indiferença, à diminuição do amor.
Do amor não, que ela continua a amar com a mesma intensidade, ou talvez mais. É mais consciente o sentimento. Como o é a importância que dá às coisas.
Ela sabe que não basta amar.
Ele pensa que só isso importa. Que tudo o resto é secundário, de menor dimensão no que significa amar.
Ela cansa-se das rotinas massacrantes de a cada dia tentar que o amor prevaleça.
Exausta deixa de se interessar pelo que ele faz pois ele sente que é pressão.
Deixa de dizer que o ama pois dizia-o vezes demais e, para ele, perde a verdadeira essência do sentimento.
Deixa de o seduzir com mensagens onde demonstra o quanto o deseja, de uma forma tão explícita que ele lhe pede para parar pois está a trabalhar.
Deixa de o procurar com a intensidade e a vontade de quem quase morre de fome ou sede porque os corpos, mais imperfeitos por culpa do passar do tempo e do aumento do típico desleixo, já não respondem da mesma forma e para ele é ponto fulcral que ambos estejam bem. Mesmo que ele não esteja. Mesmo que ele falhe mais que ela. Mesmo que ela sempre tenha estado bem com o corpo que tem.
Desistir de se importar é o que ela acabará por fazer.
Não por já não o amar, apenas por sentir que não vale a pena lutar. Porque um dia, pouco se importará com o que ele possa fazer... E aí será tarde, já não haverá volta a dar.
E o amor acabará por ceder à rotina do não se importar, à sensação que, por ele, já não vale a pena lutar.



13.Fev.2016

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Escrever(te)



Pergunto-me porque escrevo e a resposta não surge fácil na ponta dos dedos. Nem na ponta da língua ou em pensamentos coordenados. Não! Aparece de forma disforme, confusa e desordenada.
Vários pensamentos vão-se formando na mente. Pensamentos não, são mais palavras que se unem a outras palavras e formam uma frase. E tenho que a escrever.
E o restante é uma catadupa de palavras chave que se vão encadeando umas nas outras. E nas quais não penso. É uma espécie de acto reflexo que muitas vezes, quando as palavras realmente se marcam presença na mente, tudo parece confuso, chegando a parecer ilógico.
Não sei porque escrevo.
Nem tão pouco sei se escrevo.
Debito palavras que fazem mais ou menos sentido.
Não é para outros. Não tenho a pretensão de ser lida e, muito menos, compreendida.
Não é para mim. Conscientemente não o é. Nunca releio as frases que se vão formando e firmando em linhas de coerência dúbia.
E há a sensação de repetição. De monotonia demasiado enfadonha e descolorida de novos sons e compassos.
Tudo sempre igual, semelhante ao anterior. A culpa? Das palavras! Dessas palavras que ecoam de forma permanente na minha mente. Palavras que me são fiéis e não me abandonam jamais. Palavras sempre presentes e constantes.
Houve tempos em que escrevia para ti. Em que te respondia ou te dizia o que de mais profundo sentia, desejava, ansiava.
Houve alturas, muitas e durante muito tempo em que todas as frases te faziam sentido.
Agora, nada o faz. Agora que já não me lês, todo o sentido se torna (im)possível.


11.Fev.2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ele(s) I


Se o ama? Sim, ama.
Com toda a força que há dentro dela.
Com todos os poros da pele dela.
Com toda a alma e entrega e companheirismo e amizade e carinho.
Sim, ama-o.
Como jamais amou antes. E não, não sente a velha máxima que prega aos sete ventos como verdade empírica: " o nosso maior amor é o último".
Não.
Este é o amor que a fez crescer, amadurecer como pessoa, mulher, companheira e amante. Dele e acima de tudo, dela. E do seu corpo que não sabia desconhecer tanto até ao toque dos dedos dele a terem ensinado, até ter encontrado o desnorte de se entregar aos prazeres da pele, da carne e do sexo.
Sim, porque o sexo não é tabu. Nem proibido. Nem pecado. Pecado é passar a vida sem saber que há muito além do sexo no sexo.
Há partilha, confiança, diálogo e os limites não têm preconceito como sobrenome, apenas respeito. Por ela, por ele e por ambos.
E dele sorveu, como alguém esfomeado pela vida, tudo o este lhe poderia dar.
E aprendeu que a vida deve ser regida assim, como o sexo: sem culpas, de consciência tranquila, respeitando os limites dos outros e os seus.
Que tudo deve ser vivido com prazer, alegria e vontade genuína. Genuína, aprendeu a gostar do que é, sem vergonha das opções que eventualmente faz, sem receio de falhar, sem se agarrar ao que é seguro.
Com ele aprendeu a voar... Como não amar quem nos ensina a voar?



11.Fev.2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Desistir



Às vezes apetece desistir.
Baixar os braços, deixar de lutar, resignar-me às evidências e ficar.
Apenas ficar.
Parada. Imóvel. Inactiva. Desligada.
Não fazer parte da acção, só reagir. Automaticamente.
O essencial para não morrer. E assim, não me desiludir, não me entristecer, não me aborrecer, não me nada.
Não pensar, não desejar, não sonhar, não almejar, não nada.
Não pedir, não suplicar, não falar, não gritar, nada.
E eu grito sem que me ouças a voz.
Um grito surdo que me sai da garganta potente e forte e se esvai, propagando-se no espaço como nada. Como o silêncio. E a vida, apesar do grito, segue, impávida e serena.
E o que cá ficou dentro por gritar, é um nó impossível de desembaraçar, um emaranhado de pensares que nunca de
viam ter existido, nunca deviam ter tentado sair, nunca deviam ter-se permitido tentar fazer ouvir...


10.Fev.2016

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Dicionário de coisas simples XXVI.I


E o sonhar(te)?
O sonhar(te) é o tempo,
Infindo,
De nunca mais chegar a hora
De te ter nos meus braços.

E o desejar(te)?
O desejar(te) é a memória do teu toque,
Quente, ardente, insano,
Percorrendo a minha pele.

E o amar(te)?
O amar(te) é a vontade do corpo, da alma e do coração,
Que faz de ti a minha
Única perdição, paixão e,
De viver, a minha razão.


08.Fev.2016

Dicionário de coisas simples XXVI




E o beijar?
O beijar é o viciar do teu sabor na minha língua,
É o entregar a alma pela boca.

E o abraçar?
O abraçar é a minha pele com a tua a aquecer,
É o que nos une a se materializar,
É o nosso local seguro.

E o deitar?
O deitar é o descanso do corpo,
É o prazer de contigo tudo partilhar,
E a certeza de que é aqui que desejamos estar.


08.Fev.2016

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Razão ou ser feliz


Preferes ter razão ou ser feliz?
Uma pergunta que sempre me faz pensar pois a resposta não é tão óbvia como pode parecer.
Não, não é.
É por demais evidente que quero ser feliz. Quem não quer?! Utopia dirão uns; não há felicidade continua, só momentânea dirão outros; mas todos a desejamos. Todos ansiamos que faça parte do nosso dia a dia e tantas vezes faz mas estamos tão cegos com a azáfama que nos é imposta que não a vemos, não a sentimos.
Eu quero ser feliz, o mais que puder, o maior tempo possível,sempre. Com as pequenas coisas da vida, com os pequenos gestos que têm para connosco, com a aprendizagem do que é realmente importante. E sim, com o passar dos anos as prioridades alteram-se e o que me faria feliz antes já não é importante hoje.
Preferes ser feliz ou ter razão?
E a resposta balança na mente e deixa-me pensativa.
Já optei por ser feliz e fechar os olhos a algo que me faria ter razão e, instintivamente, escolhi ser feliz.
Uma, duas e outra vez.
E fui. Muito feliz.
Até tudo se repetir.
Há determinados aspectos no quotidiano que me são impossíveis de contornar. Principalmente quando há a obrigatoriedade de ser um exemplo.
O velho ditado popular "olha para o que digo, não para o que faço" não funciona com personalidades em desenvolvimento. Há que ser, verdadeiramente, o exemplo do que achamos correcto e incutimos ou exigimos dos outros.
E é difícil educar.
E é difícil perder hábitos que eram a nossa forma de viver. Que era tudo o que sempre desejamos e éramos felizes assim: sem regras. Chegar a casa era chegar ao paraíso, ao nosso perfeito paraíso.
E a vida muda. E as opções que fazemos mudam essas rotinas sem regras que nos faziam felizes.
E tudo muda. E a responsabilidade de ser responsável pelo desenvolvimento moral de alguém muda tudo.
E há um momento em que dizer, mandar, obrigar não chega. É preciso ser o exemplo. É preciso mudar.
E sim, quero que admitam que tenho razão e que, tal como eu, cresçam e passem das palavras às acções.
Sim, quero que olhem para nós e nos vejam diferentes de tudo o que conheceram até hoje.
Sim, quero que olhem para nós e sintam que, apesar das nossas limitações, das nossas diárias aprendizagens e ajustes, nos vejam como alguém que não os defraudou. Como alguém que exige e cumpre. Como alguém que não usa do poder para exigir apenas e castigar quando não cumprem.
Há um momento na vida de quem criámos que não basta mandar, há que exemplificar.
E por muito que custe mudar, há que o fazer por um bem maior.
E são pequenas coisas do dia a dia que fazem a diferença: partilha de tarefas. E cumprir escrupulosamente as mesmas. Regras básicas que incutem respeito, entreajuda, responsabilidade.
Sim, quero ter razão porque o nosso ser feliz já não funciona nesta nova vida. Tudo mudou e nós não somos só nós, somos educadores, formadores e exemplos.
Preferes ter razão ou ser feliz?
Não há resposta fácil mas sei que não quero ser aquela "mulherzinha asquerosa" de que muitos se queixam.
E neste jogo de cintura que é necessário a mulher fazer, balançamos entre o sr feliz e o ter razão como numa corda bamba, sempre sem saber qual deve prevalecer...


06.Fev.2016

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Seria diferente?



O dia já cumpriu a tarefa de aquecer a alma e o corpo. Entrega-se agora, lenta e demoradamente, ao descanso.
O único som que aqui existe é o do silêncio e pela janela vê-se a agitação do fim de tarde de uma sexta-feira e o rio, esse, corre sem pressa para se juntar ao mar e se tornar imenso.
Há pássaros a regressar e outros a partir, cruzam o céu azul manchado de tons laranja como nos dias de Primavera. As luzes das ruas já espreitam por entre os prédios onde o sol já não marca presença.
E aqui, dentro destas paredes, o corpo também deseja o descanso e que a tranquilidade invada a alma e a mente se deixe vaguear em sonhos (im)possíveis de concretizar.
E os sonhos são tão (im)previsíveis... Como amar e ser amado, como querer e ser desejado, como seduzir e ser cortejado. Como ter o corpo e o ego lisonjeado.
É tão (im)previsível a necessidade de ser feliz. E são tão facilmente (in)alcançáveis.
Tudo pelo tempo. A culpa é sempre do tempo: não era o momento certo, não estava bem naquele momento, se soubesse o que sei hoje, se..., se..., se...
Se fosse hoje seria tudo tão (in)diferente. Somos o que somos. Somos o que crescemos e aprendemos em determinada altura – de novo o tempo que nos condiciona.
Eu não agiria de forma diferente, em determinada altura, perante determinada situação.
Seria mais ou menos (in)feliz? Não posso saber. Foi o que decidi. Foi o que escolhi. Foi o que foi.
E estou bem assim. Adormecendo ao final do dia tranquilamente.


05.Fev.2016