quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hoje viajo ao som de...


Tonight I wanna give it all to you
In the darkness
Theres so much I wanna do
And tonight I wanna lay it at your feet
cause girl, I was made for you
And girl, you were made for me

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I cant get enough of you baby
Can you get enough of me

Tonight I wanna see it in your eyes
Feel the magic
Theres something that drives me wild
And tonight were gonna make it all come true
cause girl, you were made for me
And girl I was made for you

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I cant get enough of you baby
Can you get enough of me

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I can give it all to you baby
Can you give it all to me

Oh, cant get enough, oh, oh
I cant get enough, oh, oh
I cant get enough
Yeah, ha

Do, do, do, do, do, do, do, do, do
Do, do, do, do, do, do, do
Do, do, do, do, do, do, do, do, do
Do, do, do, do, do, do, do

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I cant get enough of you baby
Can you get enough of me

Oh, I was made, you were made
I cant get enough
No, I cant get enough

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I cant get enough of you baby
Can you get enough of me

I was made for lovin you baby
You were made for lovin me
And I can give it all to you baby

E é isto...


sábado, 22 de setembro de 2012

Thoughts VIII


E a tua lembrança permanece em mim, guardada nas asas de um vento que me envolve e não tem fim.

Thoughts VII

Um pedido sem palavras, escrito na carne do corpo, onde me lês através dos sentidos.
20/09/2012

Vem, espero-te...

Vem, espero-te.
Como se espera pela hora
De um encontro
Que não tem tempo,
Que demora.
Vem, aguardo-te.
Como se aguarda pela chegada
De um amor
Que se sente no peito,
Com esse intenso ardor
De um ansiado beijo.
Vem, desejo-te.
Como se deseja o toque
De dedos deslizantes
Em pele quente,
Em suspiros sufocantes
De gemidos de louco torpor.
Vem, o corpo coberto
De vento e meu sabor
Anseia pela partilha do teu suor,
Que nasce do ritmo alucinado
Do teu corpo no meu 
Entrançado.
Vem, abro-me em suave desespero
Num sonho quase pesadelo
De te sentir sem te tocar,
De te beijar sem o teu paladar,
De te ter em ventre meu
Sem o odor, calor do teu.
Vem, espero-te...
20/09/2012

Em tudo me perder


O dia vai terminando em cores laranja seco e vermelho pálido num correr de águas de um rio interminável no seu constante desaguar nesse mar de ondas doces e revoltas.
O olhar perde-se na janela que me indica o seguir para além do que é visível nos sonhos dos dias que passam sem ilusões.
Perde-se no que poderá vir a ser o amanhã agora que o hoje já quase chegou ao fim e tudo de novo me trouxe às lembranças de um desejo reprimido e tapado em sufocos de respiração lenta e ofegante.
Perde-se no dia seguinte em que o futuro das horas é incerto numa vontade de me perder de mim e do censo comum de ter de me obrigar a ser banal e idêntica a todos os que me rodeiam e de mim se afastam nessas vidas plenas de grandes nadas.
E eu não quero perder-me em grandes nadas. Quero perder-me em imensos e muitos e minúsculos tudo.
Em tudo é onde me quero perder.
Nesse tudo que por muito singelo que seja é o que nos faz querer viver.
E eu quero-me perder em ti e na grandeza da tua singela presença. Da tua singela voz. Do teu imenso e caloroso abraço que me há-de envolver por completo o corpo e rarrepiar a pele numa entrega inteira.
E o olhar perde-se no véu que tapa a janela que não mostra o que desejo...


18.Set.2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

E é isto...


Máscaras

Por vezes apaixonamo-nos pelas máscaras que criamos e vamos adorando a personagem que permitimos deixar crescer dentro de nós.

Como se fosse realmente verdadeira a forma de pensar e de agir e as palavras nascessem de forma natural como se sentidas.

E criamos um mundo de ilusões que vai crescendo em forma de fantasias demasiado reais para serem apenas fruto do nosso mais profundo desejo.

E as palavras dos outros soam ao que lhes queremos ouvir, raramente ao que na realidade querem dizer pois o nosso mundo é tão perfeito nessa imensa mescla de ilusões que nada o pode macular.

Mesmo que sejamos nós a maior nódoa no nosso pano. Mas aí, as desculpas e as justificações são as mais sinceras e verdadeiras aos olhos de todos. Em especial dos nossos.

Habitualmente o sofrimento causado por terceiros é o grande culpado. Sim, é tão fácil desculparmo-nos os falhanços e más decisões colocando o ónus nos outros.

Sim, há quem esteja apaixonado pela sua própria máscara e não consiga assumir os seus erros e falhas. Os seus defeitos e acções menos acertadas.

E aponte o dedo a quem, por qualquer motivo tem uma acção menos própria, menos perfeita do ponto de vista inteiramente parcial da perfeição que a máscara criou. Nem que a acção seja igual a tantas que já tivemos.

Mas a minha máscara e a que vejo todos os dias ao espelho sem a maquilhagem dos teatros em que alguns são meras personagens secundárias em que se acham o centro do mundo.

Não sou apaixonada pela minha máscara: é real e deixa marcas neste rosto que o tempo vai teimando em não conseguir mascarar.
Marcas do assumir que o erro faz parte de mim e que com ele tenho de viver, aprender e não sempre os outros culpabilizar.

E tu? Já aprendeste a não te mascarar e a assumir que também consegues perfeitamente errar?
16/09/2012

Palavras parcas

Por vezes as palavras são parcas em reflectirem o que nos vai na alma.
Como se não fossem suficientemente grandes ou profundas ou até exactas do sentimento que nos inunda os pensamentos.
Como uma sensação de deixar sempre algo por dizer, incompleto e a necessidade de nos repetirmos de forma a reforçar esse sentimento acaba por lhe tirar a intensidade.
É como a tua presença em mim: és parte do que sou, entranhado em cada poro da minha pele num odor que me vicia e me percorre por inteiro.

É como a tua ausência em mim: deixa de correr o líquido que me faz viver e me alimenta o corpo sedento do teu sabor e a alma carente do teu amor.

E não há palavras para a dor que a tua não presença me provoca e nem o tempo se torna meu amigo pois não ameniza este sentir e que me mergulha num imenso não viver.

14/09/2012

Temo

Temo que o tempo não seja meu amigo no passar dessas tardes em que o meu desejar não se concretiza de forma efectiva.

Temo que as horas em que o sol mais me aquece não sejam suficientes para que se mantenha o calor do que faz meu coração bater descompassado.

Temo que os sonhos desejados sejam meros ideais utópicos de uma vida que não e se torne realidade.

Temo que tudo desapareça numa nuvem de nevoeiro cerrado sob o rio que corre despreocupado com o desaparecer das emoções e motivações.

Temo que o teu tempo seja de um verbo diferente e não aguente o esperar para concretizar.

Por vezes não temo nada e a certeza é imensa e certa em mim e sei que tudo será como sonhamos e idealizamos, bem melhor no fim.

14/09/2012

O caminho

E o caminho que nos espera é longo e carregado de sombras e curvas que nos impedem a visão, que nos deixam na plena escuridão do que poderá vir e ser.
Jamais é fácil o contornar e o ultrapassar dessas muitas vezes enormes insignificâncias que nos atormentam o pensar e nos adormecem os passos impedindo-nos de seguir o que nos está traçado, destinado ao dia seguinte e que será uma nova árdua e dura ...
tarefa.
A vida e o que esta nos destina é uma incógnita que nunca ninguém decifra, descobre-se ao poucos e jamais se finda.
É um caminhar em direcção a um final que por vezes nos soa a irreal, sem sentido, sem objectivo, perdido num andar que não tem fim, que não termina e que nos cansa, esgota.
 Mas há fases do caminho que nos deixam de sorriso nos lábios, de coração carregado de nova e renovada energia e vontade de avançar e vencer.
E há os que vamos encontrando por essa estrada.
Os que nos derrubam e vão ficando para lá das curvas que nos travaram.
Os que entram e acompanham no passo mais ou menos lentos do andar que nos dá gosto e prazer em concretizar. Os que ficam em nós e que jamais nos libertam de si. Os que nos amparam e são o nosso porto de abrigo, o nosso refúgio do tempo sem sol e inundado de frio.

 E é a esses, os que jamais me condenam por muito que erre no caminho, que agradeço os dias em que feliz me sinto. É a esses que em mim habitam e nunca de mim sairão, são meus, parte de mim vive na sua alma e na minha, parte deles não me abandona.

 E o caminho é longo e áspero e doce e suave e com recordações que se cravam na memória das lembranças e nos fazem crescer e melhorar.

13/09/2012

Rendida


E o desejo invade-me a alma,
E o corpo segue o caminho
Que lhe pedes
Sussurrando ao ouvido.
E a vontade de te pertencer,
De te me dar,
De te sentir e receber o prazer
Aumenta a cada beijo de lábios tocados,
A cada toque de dedos entrelaçados,
A cada deslize de língua molhada
Em pele que e tua por mim salgada.
E eu já não estou em mim,
Já não penso ou sinto para além de ti,
Tomando-me,
Invadindo-me,
Sorvendo-me o corpo inteiro
Num ritmo que me alucina,
Me rouba o ar,
A gemer me obriga.
E eu sou tua,
Assim,
Por completo,
Me dou por rendida.
13/09/2012

Cerca-me o corpo

Cerca-me o corpo
Num abraço perfeito
Em que as peles se tocam,
Se sente a emoção no peito.
Doce corropio de beijos,
Que me desperta
O pensar e o desejo
De te sentir,
Aqui, ao meu lado,
Deitado neste leito,
Tomando-me toda,
Por inteiro,
Num arrepio que não controlo.
Invade-me a boca
Com todo o teu gosto,
Marca-me a pele com o teu odor,
Faz-me tua sem receio,
Enche-me o ventre com o teu corpo,
Faz-me vibrar em ondas de prazer,
Nesse vai e vem em que me provas
O gosto do corpo,
Num tempo sem horas.
12/09/2012

A maior de todas


Há alturas em que a vontade de não ser eu impera em mim como uma certeza que não admite dúvidas ou passos que não sejam firmes.

Há alturas em que o meu eu não coincide com o que sou como se fosse outro alguém que não esta mulher que vejo e reconheço no espelho há tantos anos.

 Há alturas em que gostaria de ser perfeitamente perfeita sem qualquer dúvida de que cada acção seria a certa.
Em que jamais uma palavra ou atitude da minha parte seria injusta, cruel, parcial ou egoísta.

 Gostava de assim ser: incapaz de magoar quem quer que fosse e a cada minuto as decisões serem indubitavelmente as mais correctas.

Como se soubesse o futuro.

Mas não sei.
E a cada segundo veloz que passamos nesta vida de dias incertos são impossíveis de prever.

E eu, eu erro porque sou imperfeita.
Porque a cada acção e reacção ou omissão é decidida de acordo com o momento e o que sei desse instante.
E eu queria ser perfeita, numa vida perpeita e com sentimentos perfeitos.
Mas sou apenas eu, num mundo pequeno de imensas imperfeicções, sendo eu a maior de todas...
10/09/2012

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Hoje viajo ao som de...

E é isto...


Há em mim


Há em mim uma sensação que me deixa sem sentir, sem o peso do viver e do saber.
Uma sensação de perda que me desassossega a alma de uma forma imensa e me esvazia.
Como se me tivesse perdido de mim, como se fosse uma outra dentro de mim, como se renascesse e naã me reconhecesse.
Mas sou eu. Eu estou aqui.
Sou a mesma? Ou mudei?
Se mudei foi onde se me sinto a mesma na forma de pensar e sentir?
Por vezes sinto que perco um pouco de mim.
Quando me dou e não me recebem.
Quando me entrego e não me compreendem.
Quando me mostro demasiado sem medos ou máscaras e depois me traiem.
A confiança.
A ingenuidade.
Mas já não devia acreditar assim. Mas acredito. Porque imagino todos como sou.
E perco-me de mim. E pergunto-me como pude dar-me sem pensar no resultado.
E só desejo voltar a tapar-me, cobrir-me dessa capa que transparente não deixa que a trespassem. Enquanto me lembrar.
Há em mim esta sensação de me voltar a fechar e não me mostrar.
10/09/2012

Meia de mim


Meia de mim.
É o que vive hoje que apenas quero que passe em rápido e veloz passo.
Meia de mim.
É o que respira este ar que quente não me aquece o sangue fervilhante de gelo em veias que paradas não me movimentam.
Meia de mim.
É o que este coração guiado pela mente que não comanda nada que seja diferente do que tu me fazes pensar.
Meia de mim.
Não quer deixar passar os dias em que não estás presente.
Não quer parar de te ouvir as palavras escritas em suaves versos de querer e desejar.
Não quer sofrer com a indiferença a que me prostas e atiras ao rosto aquecido por lágrimas de sal que caiem em suaves jorros.
Meia de mim não te quer largar.
Meia de mim não te pode esquecer.
Não consegue este viver sem te ter.
Meia de mim.
A outra meia jaz morta no leito do julgamento em que me condenaste e eternamente culpaste.
 
07/09/2012

Encher-me de ti


Por vezes a tua presença ausenta-se de mim e nessas alturas eu vivo, sinto o correr do vento no rosto como afago de sabor a mel e o sal do mar penetra-me e entranhar-se-me na pele.
Por vezes a tua presença desaparece do meu pensar e do meu sentir e esses momentos são raros em cores de arco-íris que se apresentam em pétalas de outros odores.
Por vezes a tua presença não me larga e o que o meu corpo sente no paladar do gosto de uma romã rubra de cor intensa e madura é superior ao que vivo no dia-a-dia.
Mais sentido.
Mais vivido.
Mais carregado de todas as cores que nunca foram criadas e jamais pintadas em telas de sonhos de beijos e línguas em lábios largadas.
Mais marcado na carne que aquece no calor ameno do Sol no pico de Verão como quando me puxas para ti e me fazes sentir a tua mão forte e segura, prendendo-me de forma indelével nesse teu percorrer súbito do meu corpo coberto de ti e despido de tudo.
E eu quero encher-me de ti.
Sentir-me abafar com a presença do teu ser e de ti sorver tudo que me possas ofertar e eu te possa tirar.


07/09/2012

Esvaída de mim


Sonhos desfeitos,
Em pó transformados
Num rio sem leito,
Sem dor e sentidos
Largados em espaços
Para sempre perdidos
No rumo desta vida
Que passa vazia,
De crenças e sabores,
De paletas de cores
Em rubro amarelecidas.
Sombras que guiam
Os dias sem caminho
Apertam-me o peito,
Abrem-me a ferida
Que um dia foi feita
Por uma lança esquecida
Em corpo adormecido
Para sempre rendido
Num pesar que não avança
E me deixa perdida
No negro do tempo,
Esvaida de mim e ti,
De tudo que é alimento...

04/09/2012

Vazia. Nua.

Vazia.
Nua.
Despida de mim e do que sou.
De pensamentos.
Carrego em mim sentimentos que juntos são um punhado de vento gelado e que arrepia no eco do nada.
Vazia.
Nua.
Sem nada que tivesse sido ou algo que possa ser.
Um respirar que quase não adianta ao sufoco que se prende e arrepende aqui, na garganta.
Vazia.
Nua.
Sem o calor do sangue que ferve e corre e alimenta o corpo que a pele cobre.
Nada em mim existe.
Apenas um corpo inerte que não se sente e que teima em não te esquecer e deixar de amar.
Vazia.
Nua.
Prostrada à espera do tempo passar...

03/09/2012

Impõe-se a hora


Impõe-se a hora do regresso sem que a vontade se resuma a alguma.
Visto o corpo devagar como as horas em que desejo que estas voem num rápido passar de minutos, que teimosos, se vão deixando arrastar.
E a pele vai guardando o cheiro do teu paladar largado em prementes toques de língua nas curvas que me te dão prazer e que vou tapando para em mim te guardar, te manter.
As marcas da nossa suave batalha de mãos e dedos deslizantes em corpos colados sem medos, sem receios ou freios, são o que restam do tempo que demasiado veloz passou e em que o teu calor invadiu o ventre que é meu e me tomou, me deu e de mim recebeu.
Não há temores, nem culpas.
Há vontades cumpridas.
Desejos tocados, sentidos, partilhados.
Há a ânsia da repetição num tresloucado acto feito perdição e doce rendição.

 E eu rendo-me a ti.
Ao teu beijo. Ao teu abraço.


02/09/2012

Pele quente


Pele que quente
Apenas anseia
Que o toque se complete,
Que o deslizar a arrepie,
Que o teu corpo a penetre.
Pele louca de desejo
De vontade de prazer
De te sentir na carne
Tocando,
Apertando,
Beijando lábios de luxúria carmim
Em frenéticos suaves movimentos
Ritmados num compasso
Que acentua o querer!
Que louco e intenso castigo
De quase te sentir no ventre
Tomando-me,
Fazendo-me tua
Em ondas de imenso prazer.
Quero-te!
Desejo-te!
Aqui, em mim, neste corpo que te pertence.
01/09/2012

Perco-me o corpo


Perco-me o corpo
No caminho sem destino,
Sem rumo, sem trilho,
Num andar sem saber onde,
Sem sentir os pés pousar
Na terra feita queixume.
Arde a pele sob o sol
Que o vento não arrefece
E o pensar não se recorda
Do que já foi e já passou
E da mesma forma,
Nunca se esquece
Do que sentiu e nunca sofreu.
Perco-me a alma
Vagueando nestes dias
Sem horas, só vividas
Arremessada contra as pedras
Do que piso,
Sem receio de a partir
Mais que em mil pedaços,
E assim permitir
Que o tempo e o caminho
Sejam apenas e somente passos
Sem sentido.
Perco-me de mim,
Dos desejos que pressinto
No chegar de um odor
Que relembra as sensações
Do prazer e do amor,
Que depois de sentidos
Saã guardados em recordações.
Perco-me sem saber
Onde vou acabar
Mas espero sem desesperar
O teu abraço no meu
Entrelaçar.
31/08/2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

E é isto...


Cobre-te!


Desperta o corpo
Lenta e suavemente
Dum sono vazio,
Constante de ausência
De sentires e sem sabores,
Sem as paletas de cores
Que os sonhos acarretam.
Acorda aos poucos
Da dormência da noite,
Na cama fria do calor do Verão
Sem medo do dia
Que não acaba com a solidão.
Entregando-se à vida
A pele desperta,
O desejo invade
Este corpo que se mexe,
Ondula em vontades,
De te ter sob o ventre
Enchendo-me de vontade
De te sentir cá dentro.
Não aguento a saudade
 De te tornar real,
De te sentir o beijo,
O querer e o prazer.
Tapa-te!
Cobre-te!
Cala-te corpo,
Acalma-te nas vontades,
Nos toques solitários
De te imaginar verdade...
31/08/2012

Melancolia...


O sol vai alto no céu azul e imenso de cor a fim de Verão.
O vento teima em levantar a poeira do caminho e obrigar as ervas altas e douradas de cor palha que ladeiam o poço que há muito secou a movimentarem-se numa dança descompassada e suavemente atribulada.
Os sons das alfarrobas a largarem o ventre da árvore mãe e a cairem no seco do chão quebram a monotonia da brisa baloiçante.
Os cabelos soltos teimam em invadir-me o rosto e a fustigar-me a face como um suave roçar de dedos.
A melancolia invade-me numa forma desconhecida em mim.
Uma espécie de ausência e vazio, como o imenso mar de terra cor salpicado aqui e além por uma oliveira que os pássaros acolhem como deles poupando-se ao calor deste sol que queima.
Quase um oásis no deserto.
Quase uma esperança no desespero.
Quase um sorriso por entre as lágrimas.
Por vezes sou confrontada com vazios que me preenchem por completo, que me dominam a alma e infectam o corpo. Um veneno que chegando ao coração, depressa se espalha e entranha e nunca mais me larga.
O coração que devia ser como o poço: vazio de tudo e cheio de nada.
Apenas existir sem sentir o que sente.
Sem saudades do que não teve.



30/08/2012

A vergonha da alma...


A passagem pelos dias é feita de forma invariavelmente irregular e permanentemente inconstante.
O que sou foi-se moldando ao longo dessas horas que fui acumulando em dias tranformados em anos. Fui criando uma forma de estar e de olhar os retalhos de vida minha, tua, deles, de ninguém e de todos, numa amálgama de formas de agir e de sensações que tornam difíceis a digestão de tantos sabores das emoções que me provocam.
Por vezes chega a doer-me a boca do corpo mesmo ali na entrada da alma e há vontade de fechá-la, impedir que me adentrem no coração e me façam marcas indeléveis.
Mas não posso.
E este não poder faz-me fazer de mim o que sou, com a minha forma única de evitar estes sentires.
Por vezes invadem-me vontades de reacções em que não me reconheço no correr habitual dos minutos que sopram velozes no dorso do tempo.
Mas são minhas. E a vergonha da alma esse a que chamam arrependimento, por vezes também é meu dono.
A vergonha do erro, da injustiça é muito superior à vergonha ruborizada aquando do desejado e sonhado toque nos lábios, ou do corpo tão imperfeitamente perfeito que posso ter.
E são raras, muito raras as vezes em que esse sentimento se apoderou de mim.
Raramente me envergonhei assim, da alma!
E tu?
Já te envergou a alma?
Já te conseguiste perdoar de a teres deixado corar num encarnado demasiado sangue?
28/08/2012

Remendada


A vida não passa de uma manta de retalhos que unimos uns aos outros com o fio que tece os dias que correm.
Retalhos de memórias que são factos da nossa vivência e percepção sobre o que nos vai acontecendo carregados de emoção e sensações.
Só o que nos marca nos fortalece e ajuda a crescer, perceber e entender. Seja bom como o sol de Verão à sombra de uma oliveira, como o mar que nos enrola o corpo na ponta da areia ou menos bom como o vento que nos gela a alma vazia aquando de uma perda.
Retalhos que são meus e teus em dias juntos e unidos em sintonia.
Retalhos que são meus carregados de ausência e sonhos desvanecidos na tela que queremos desenhar e de cor pintar.
Retalhos que se unem, encadeiam em ciclos de dias, meses, anos e que não se findam. Pelo contrário multiplicam-se.
Eu tenho a pele vestida de imensos retalhos de vida. E nunca chegam, nunca estou completa, nunca me preencho e a busca pelo retalho que cobrirá o restante do meu corpo um dia terminará. Até lá, vou ficando, dia após dia, cada vez mais remendada.

27/08/2012

Por vezes...


Por vezes canso-me de mim própria e imagino-me sendo tudo o que não sou.
Como se encarnasse uma personagem com forma de pensar e sentir e agir e reagir diversas da minha.
Uma personagem onde posso ser tudo o que quero e não quero ensaiando reacções e respostas que na minha pessoa diária jamais faria.
E olho-me assim, de frente ao espelho do que não sou. Um reflexo de uma outra eu, uma mim sem o que sou.
Sim, por vezes quero ser muito diferente do que sou, mas o espelho que reflecte a minha pele não me mostra algo que eu goste. Apenas porque é falso. Trabalhado. Manipulado.
E vou retirando as características que fui criando para parecer outra que não eu.
Uma a uma.
E sobro eu.
De novo.
Com os defeitos que não consigo mudar e as qualidades que me são fiéis.
Não há maior vergonha que ser alguém que não somos.
E eu sou o que sou.
Sem máscaras que sempre acabam por cair...
23/08/2012

Há dias...

Há dias em que nos sentimos tolhidos e toldados, formatados numa vontade que não é nossa, que nos ultrapassa e nos invade movimentos e pensamentos.
Como se levados numa corrente que não tem destino ou objectivo ou que mesmo tendo não é de todo perceptível ou o que desejamos. Mas ainda assim nos consegue arrastar no seu meio pelas pontas dos dedos que se deixam tocar por essa vontade de nos deixam os levar.
Uma vontade de não querermos lutar e desistir para apenas descansar num suave mar em que as ondas vão por dentro e na pele, no sorriso de falsa felicidade por aí navegar.
Será errado tentar não ser quem somos? O que o nosso íntimo nos diz, nos faz ser?
Não sou melhor que ninguém, erro, provoco dor e deixo mágoa nos que por mim passam. Mas não o faço com esse propósito.
E isso, mata-me, revolta-me as entranhas e o coração quer deixar de sentir.
Gostava de ser mais uma na onda destas marés cheias e vazias em que apenas eu contasse.
Há dias em que gostava de ser guiada pelo caminho que não me mostrasse a beleza e a fealdade do que me rodeia, destes extremos que somos capazes de provocar e trazer amarrados à pele que é a nossa.
Guiada, conduzida, insensível, sem medos ou pensamentos que me invadissem.
Há dias em que não me apetece viver, apenas apetece existir.
 
23/08/2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Hoje viajo ao som de...

What is in this wine? the more I drink the more I wander off into a stranger's eyes I like the way that they reflect my thoughts what is in this air? it feels like feathery dust everywhere and as I breathe it in I breathe the masculine scent of his skin and I feel homeless your comfortable caress has triggered unfamiliar restlessness you and I are we I feel I've lost my individuality you're watching me rebel believing stories only hearts can tell but when is it enough? when do I call my feelings on their bluff and I feel homeless and I remember us now but I forgot what we felt like somewhere along the way

Quando?


Quando devemos largar o sonho, os desejos, as ilusões?
Deixar que o vento que as trouxe numa brisa clida e suave sob a pele, as leve na sua forma mais brusca e rebelde. Que as arranque de nós com uma velocidade estonteante e frenética para que as recordações não fiquem em nós a marcar compasso.
Quando há recordações.
Pode não haver nada que fique depois do vento nos fustigar a face com tamanha violência que chega a alma e a esvazia. Por completo.
E sobra nada de uma ilusão, de um sonho, de um desejo.
Mas não é assim que acontece.
A suave brisa que nos enche de emoções tem a mesma velocidade que a que nos deixa sem recordações.
E tendemos a agarrar o que queremos nosso. E isso é que demora a aceitação da perda.
Eu sei que te perdi porque nunca a brisa te guiou até mim. Foi um caminho solitário daqui para aí, de mim até ti. Nunca o contrário.
E hoje largo-te em definitivo com a ajuda da brisa morna e doce de odores nossos nunca sentidos em paladares que jamais foram trocados.
Hoje deixo que a brisa me dispa de ti e permito-me deixar-te para trás.

23/08/2012

O vento...



E chega até mim no vento feito brisa suave de ondas de calor a música que é nossa.
Ouço-a sussurrar junto a areia onde o mar a torna molhada e salgada, as notas que vibram numa pauta feita história onde somos protagonistas.
E o murmurar das ondas trespassa o ar acompanhando-a numa dança sem compasso ritmado que recorda o nosso amar.
E o meu corpo recebe-as sem esperar, deixa-se invadir e contagiar e sinto-te o perfume e gosto do beijo invadindo-me os sentidos, deixando a pele a arrepiar e a ti, cada vez mais, a desejar.


20/08/2012

Teia de Sedução

Vou preparar-me
Sem rodeios
Ou freios
Que me prendam as vontades.
Vou tornar-me no teu sonho,
No teu querer,
No teu desejo,
Na tua fonte de prazer.
Vou ser Mulher,
Felina,
Ousada,
Recatada
Ou disfarçadamente tímida.
Vou ser olhar que te provoca,
Que te seduz,
Que te invoca o corpo
No desejo de um beijo
Carmim, voraz.
Vou ser pele que te inunda
Os sentidos,
Nos dedos o deslize suave,
No olfacto o perfume inebriante,
No gosto,
Ah no gosto o paladar de outros mundos,
Intensos, únicos parados em horas feitas segundos!
Vou ser Eu,
Plena de mim,
Com todo o meu ser,
Vou conquistar-te,
Fazer-te perder em prazer,
Nos fios do meu desejo,
Na minha teia de sedução.
 
18/08/2012


Cumplicidade


E eu e tu somos um só,
Um único quando me tomas,
Quando te deixas por mim levar.
E eu e tu somos um,
Encaixando os corpos,
Partilhando sabores de beijos
Que juntos trocamos,
Em lábios que rocam,
Línguas que lutam num intenso frenezim.
E eu e tu somos nós,
Quando nos olhamos
E de palavras não necessitamos,
Quando te leio os movimentos,
E tu a mim os sorrisos e os trejeitos.
E eu e tu somos iguais,
Almas em corpos que juntos se completam,
Se compreendem e adivinham,
Num único sentimento
Pleno de cumplicidade.

17/08/2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Hoje viajo ao som de...

Déjame vivir Libre Como las palomas Que anidan en mi ventana Mi compañía Cada vez que tú te vas. Déjame vivir Libre Libre como el aire Me enseñaste a volar Y ahora Me cortas las alas. Y volver a ser yo mismo Y que tú vuelvas a ser tú Libre Libre como el aire Déjame vivir Libre Pero a mi manera Y volver a respirar De ese aire Que me vuelve a la vida Pero a mi manera. Y volver a ser yo mismo Y que tú vuelvas a ser tú  Libre Pero a tu manera Y volver a ser yo mismo Y que tú vuelvas a ser tú Libre Libre como el aire

Thoughts VI



Não há forma de te retirar de mim sem que me leves contigo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sonhos...

Sonhos desfeitos,
Em pó transformados
Num rio sem leito,
Sem dor e sentidos
Largados em espaços
Para sempre perdidos
No rumo desta vida
Que passa vazia,
De crenças e sabores,
De paletas de cores
Em rubro amarelecidas.
Sombras que guiam
Os dias sem caminho
Apertam-me o peito,
Abrem-me a ferida
Que um dia foi feita
Por uma lança esquecida
Em corpo adormecido
Para sempre rendido
Num pesar que não avança
E me deixa perdida
No negro do tempo,
Esvaida de mim e ti,
De tudo que é alimento...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Arco Perfeito

O corpo suspira
No peito que deseja,
Que anseia ser tocado,
Sentido e beijado.
Em todos os poros
Nesta pele que me pertence
Comandam os sentidos,
Num frenesim sem descanso,
Que se apuram a cada toque,
Beijo,
Deslize de dedos,
Em pontas molhadas de linguas
Salgadas e quentes.
Sabores intensos que se trocam
Em corpos humidos de uma vontade
De entrega e pertenca.
Vem!
Toca-me o corpo,
Toma-me sem preconceito,
Faz-me tua,
Abre-me num arco perfeito!

17/08/2012

Thoughts V

A verdadeira liberdade assenta na possibilidade de escolhermos o nosso caminho e aceitarmos todas as opções que fazemos ao longo do mesmo.

16/08/2012

Thoughts IV

E um dia calarei  todos os sons dos meus lábios pois ouvir-me-ás apenas pelo olhar...

13/08/2012

No leito


E é aqui no leito onde deito o meu corpo que te sinto a ausência de forma mais intensa.
Quando os minutos se transformam em infindáveis horas recordando abraços fugazes de tardes completas em que nos transformamos em um.
E o sol tenta aquecer-me o corpo e alegrar-me o coração num brilhar por entre os ramos das figueiras sobranceiras à janela fazendo os passaros chilrear.
E tudo é em vão.
Não há forma de te esquecer o sabor, o toque, o querer e o amar.

13/08/2012

Não momento

E a certeza do fim apodera-se da minha incerta ilusão de que poderia ser diferente o desfecho.
A certeza de que afinal não poderia salvar-te e trazer-te de volta a vida que largaste algures pelo caminho.
Sabes? Há sempre aquela idiota e estúpida sensação de esperança que nos alimenta o coração.
E agora apenas o burburinho de num silêncio de um fim anunciado sem necessidade de desculpas e palavras de conforto.
E o adeus ao que nunca foi acontece num olhar distante e carregado de interrogações enquanto eu me visto de novo e cubro a pele com a certeza de não ter sido o momento...

13/08/2012

Me deixar estar...


E a manhã chega num quente que se cola nos lábios acompanhada de uma suave brisa que me revolve os cabelos. Lânguida e calma como os dias de férias devem ser.
O odor do mar não se sente por entre cheiro a ervas de oregãos secos ao sol e dos coentros acabados de apanhar numa mescla que quase se sente no paladar.
E eu preciso do cheiro a mar.
Desse mar que mesmo longe me envolve, me seduz e me faz querer nele entrar sem saber o que dele esperar.
Desse intenso mar que me recorda como me quero perder no teu olhar, em ti mergulhar sem receio do que ja fomos, sem ilusões do que seremos.
Sim, sem dúvida que quero em ti navegar e em ti, para sempre, me deixar estar...

13/08/2012

Despojos

A manhã chega doce e suave com a sua típica luminosidade crescendo e entrando no quarto num ritmo alucinadamente lânguido. Traz consigo o dia filtrado de sons e cores pelo tecido esvoaçante e translucido das cortinas de tons dourados quentes.
 E o calor tipico de Verao em que os odores das flores invadem as casas, apoderando-se delas, enchendo-lhes os espaços vazios de vida. E nós, pobres almas imperfeitas, sucumbimos a essa magia que nos quase toca a pele, despertando-nos os sentidos e desejos.
Aguardamos ansiosamente que o tempo das horas se ultrapasse a si próprio, acerelando-se rapidamente para que a noite chegue sem demora.
A noite em que a entrega se consuma, em que os lençóis serão testemunha de um amor sem fronteiras onde os corpos navegam entre lagos suaves e mares revoltos, entre o saber e o desconhecido.
E de novo a manhã chega, mostrando-se dona e senhora, acordando a cama carregada de despojos de uma noite fria, crivada apenas com as minhas ilusões, os meus sonhos...
 
08/08/2012

Thoughts III

O teu beijo, devorando-me os lábios, saboreando-me a língua é a minha fraqueza, ao que não te resisto...

04/08/2012