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Há muito que não voltava aqui, ao meu lugar, ao meu canto, ao meu porto de abrigo.
Há muito que não actualizo o que vou sentindo. O meu diário quase parece um anuário, dada as ausências prolongadas.

A verdade é que a vida acaba por nos "engolir" nos seus caminhos (in)certos.
Não que seja mau. Não que seja bom. Apenas é. Assim, sem rodeios na certeza de que nada é certo. Nem o que pensamos garantido e muitas vezes o que nem imaginamos.

Sim, a vida é uma certa incerteza.
Onde o sentir é um tormento e, ao mesmo tempo, uma bênção.
Nunca sei.
Nunca saberei.
Apenas sinto. Demais. Demasiadamente.
Tão profundamente que me esqueço de mim, do que sou, do que pretendo, do que sonho e desejo.
E perco-me.
De mim. Do meu rumo. Do meu crescer.
E assim perdida, fico sem me perceber. Fico sem me (re)conhecer. Sem (me) escrever e e deixar sair todo o meu sentir. Com ou sem sentido. Mas meu. Apenas meu.

Hoje, sinto que me falta esta catarse, de me expurgar de tanto sentir, de tanto querer, de…

Entrego(me)

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Sentir O calor do teu abraço, Acolhendo-me no teu corpo. O sabor dos teus lábios, Molhados e dos meus Sedentos.
Sentir O chão a fugir, A pele a arrepiar A vontade, O desejo, A me invadir.
Aperto(te), Toco(te), Saboreio(te), Por inteiro!
Luxúria que me tenta, Prazer que me alimenta, O meu corpo (te) entrego... No (teu) corpo me perco e me encontro!
Cat. 2019.10.17

Entregar(me)

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Saber que me queres, Assim, Sem subterfúgios vulgares. A mim, Sem o cliché dos mesmos lugares, Num sem fim De toques e suaves deslizares.
Sentir, Que o desejo te invade, Num deixar ir Que o agora já é tarde, E eu quero-te a invadir O meu corpo não pela metade, Inteiro, no teu ir e vir.
Perder, A razão, o pensar. Ser apenas prazer, Neste tão nosso, nos entregar.
Cat. 2019.09.26

Caminhar

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Caminhar. Segura de que o dia vai, a dado momento, terminar.
E aí, descansar.
Deixar para trás a rigidez do corpo e do formatado pensar.
Desligar. Se possível for.
Permitir fluir, sem obrigar, sem orientar e apenas ser. Apenas deixar voar, vaguear.
Até adormecer. E aí não mais recordar, não mais sentir e suspender o viver.
Até acordar. E voltar a ter que caminhar.
E esperar que o hoje seja melhor que o anterior. Que o amanhã tenha mais para me dar, para (me) permitir, para sonhar e acreditar. Para que eu tenha vontade de (realmente) caminhar...

Cat.
2019.09.16

Surpreendentes

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As pessoas são surpreendentes. Pelo bom ou mau lado. Mas ainda assim surpreendentes.

Ou talvez seja eu que assim ache.

Neste meu mundo de sonho ou ilusões, como habitualmente me dizem. Apesar de nada saberem de mim, das minhas dores, das minhas cicatrizes ou feridas abertas.

Mas sim, eu ainda me surpreendo com as pessoas.

Hoje, confirmei uma vez mais, que as pessoas que se mostram frias e, sobretudo, fazem questão de o mostrar e, grande parte das vezes, de o afirmar, são as mais quebradas por dentro. São as que, apesar da resmunguice, da doença que as assola, da falta de tempo e, muitas vezes, de dinheiro, mais fazem pelos outros. São as que mais se incomodam, preocupam pelos outros. Pelos que são indefesos e incapazes.

Pessoas que, para se defenderem de sentir (ainda mais do que o que sentem) verbalizam o que não são. Acho que com medo de se mostrarem verdadeiramente e de com isso serem usadas e voltarem a sofrer.

Pessoas que têm tanto para dar, tanto sentir, tanto carinho, empatia e até a…

A ti Mãe... V

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O dia caminha já para o seu fim, sem o calor típico de Verão, num Agosto morno.
Caídas das árvores, há já folhas no chão, anunciando um Outono antecipado.
Por vezes a brisa é mais forte e faz-me arrepiar a pele. E nesse instante, nesse preciso momento, instintivamente, abraço-me e aconchego-me.
E, de forma mais premente que o habitual, tu vens-me ao pensamento.
O teu abraço. A tua mão no meu rosto, no meu cabelo, deslizando e puxando-me para o teu peito. Para o teu abraço.
Não! Não tenho memórias assim, tuas. Não! De todas as vezes que me abraçaste, fui eu que pedi. Que quase mendiguei. Que empurrei o meu corpo contra o teu e te forcei a fechar-me dentro dos teus braços.
Mas não faz mal. Não importa. O resultado era o mesmo: sentir-me segura. Protegida. Querida. Amada...
E não há, havia, melhor lugar que esse: o do teu peito e dos teus abraços.
E faltas-me. Tanto. Para além do demasiado. Para além da saudade. Muito, mas muito mais para além da ausência.
Quase dói. Quase não, dói mesmo. Como um…

Solidão

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A solidão é uma porta aberta: apanha-te desprevenida e quando dás conta, está confortavelmente instalada.
Queres que saia, que se vá, que te deixe tão rápido quanto o chegou e... Nada. Apenas o silêncio. O constante silêncio da solidão.
Nada mais adentra dentro de ti como a solidão.
Nada mais se apodera de ti como a solidão. Por muito que dela necessites. E todos necessitamos. Em algum momento somos nós que a procuramos, somos nós quem a desejamos e a convidamos a entrar. E aí é fácil gerir a estadia.
Mas não é dessa solidão que falo. É da outra. Daquela que sentes quando os outros te desiludem. Quando os outros não agem de igual forma perante a vida, a amizade e o relacionamento. Aquela solidão em que sentes que apenas uma das partes dá. Tudo. Uma e outra vez. Aquela solidão que aparece nas pequenas coisas que, para ti são óbvias, mas para os outros nem com desenhos a mexer. Quando pensas que é tão simples colocares-te no lugar do outro, que não imaginas não o fazer, que te é inconcebíve…

Amar(te)

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Podia escrever-te um poema que falasse de amor e do cheiro das flores na Primavera, do sabor dos teus lábios carmim e da falta de ti nos momentos em que a vida nos obriga a afastar.

Podia escrever-te uma carta em que exaltasse todo o meu sentir por ti e do quanto te quero na minha vida para todo o sempre.

Mas a vida não é um conto de fadas ou um filme romântico em que desencontros e opções de vida acabam sempre em bem, com todos os intervenientes felizes e a seguirem a sua vida com o amado ao lado.

Não, a vida não é um conto de fadas, de princesas e cavaleiros salvadores.

Não. A vida e o amor são duros, cheios de pedras no caminho, carregados de alegrias e tantas ou mais dores.

São feitos de cedências e de adaptação. São feitos a cada dia, a cada gesto, a cada palavra dita e a cada momento.

São feitos de muitas pessoas que não só nós. De pessoas que nos acrescem ou confundem. De tentações e ilusões. De amizade ou desilusão. E nós, dentro da nossa humanidade, absorvemos tudo isso. E mudamos.…