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domingo, 20 de março de 2022

Adeus (à) Vida XLIV




O sangue quente,
Percorre-me a carne,
Freneticamente,
Que quase queima, arde
E na pele se reflecte.
Há vida em mim,
Mas apenas no corpo:
A Alma, jaz morta,
Enterrada e fria,
Vazia de sentires,
De tristeza ou alegria,
Tolhida pela dor,
Pelo sal das lágrimas corrompida.

Jaz morta.
Enterrada e fria.


Cat.
2021.09.22
 

Adeus (à) Vida XLIII


O coração bate,
Bombeia esse liquido vital,
Vermelho, escarlate,
Que percorre a matéria carnal.

Bate, compassadamente,
Sem se importar
Com o que vai na mente,
Com o meu pensar.

Bate simplesmente,
Prolongando os dias
Num infinitamente...

E eu, vagarosamente,
Vou (sobre)vivendo,
Esperando que chegue o fim, finalmente.


Cat.
2021.09.22

sábado, 19 de março de 2022

Adeus (à) Vida XLII

 



Deito a cabeça,
Cerro os olhos,
Sem qualquer certeza
De que volto.
Permaneço neste
Meu Mundo:
Negro, escuro e profundo,
Como um poço sem fundo,
Onde a luz não se sente.
O ar é pesado,
Quente e sem odor,
Apenas existe,
Se permite respirar,
Tal como eu:
Sem qualquer vontade de regressar.
Aqui, não há expectativa,
Não há pelo que esperar,
A dor já não espreita,
Já dói e há que a suportar.
Deito a cabeça,
Cerro os olhos:
Não quero acordar
Nem neste mundo (sobre)viver,
Quero partir,
Ser livre, ser eu, voltar à minha essência
E, sem medo do que há-de vir,
Sentir e assim, ser feliz e sorrir...


Cat.
2021.08.28

sexta-feira, 18 de março de 2022

Adeus (à) Vida XLI

 


Mergulho,
Num silêncio profundo,
Quase absoluto,
De uma Alma vazia,
Negra e perdida.
Submersa,
Permaneço,
Até que o ar
Em mim desapareça,
Se esfume,
Num sopro se desvaneça.
Aguardo,
Numa espera angustiada,
Que o coração pare,
O sangue já não corra
E o corpo,
De uma forma doce
E suave,
Para sempre,
Descanse...


Cat.
2021.08.28

terça-feira, 15 de março de 2022

Adeus (à) Vida XL

 



Morro(me)
Presa num corpo,
Agora,
Inerte,
Sem a (habitual) vida.

Morro(me),
Dia após dia,
Num passar de horas,
De sentido vazias,
Sem amanhã ou agora.

Morro(me)
De Alma negra,
Dorida,
Marcada,
Doente,
Em lágrimas encharcada.
Largada,
Sem piedade,
Na berma duma vida
Aparentemente perdida,
Vivida na inverdade
De ter sentido algum sentido...


Cat.
2021.07.01

sexta-feira, 11 de março de 2022

Adeus (à) Vida XXXIX

 


Adeus...
Adeus ao sol e à chuva,
Ao vento e às ondas do mar,
Ao canto dos pássaros,
Ao cheiro das flores.

Adeus...
Adeus ao sorriso de uma criança,
Às lágrimas salgadas de felicidade,
Ao coração que, cá dentro, bate,
Ao respirar que me faz viver.

Adeus...
Adeus aos que passaram na minha vida,
Aos que partiram e aos que ficaram,
Aos que amo como minha família,
Aos que são sangue do meu sangue e
Isso não se partilha.
Adeus a ti, meu amor,
Pelo que me deste e
Me permitiste conhecer,
Ao Amor eterno,
À minha Alma gémea,
Parte de mim, do meu Ser.

Adeus...
Sei que um dia partirei
E peço (a)Deus ou
A quem do outro lado estiver,
Que não me abandone,
Que por mim espere
Porque sei,
Sei que um dia direi adeus:
Adeus (à) Vida.


Cat.
2021.04.02

quinta-feira, 10 de março de 2022

Adeus (à) Vida XVIII




Presa a um corpo,
Matéria viva que vai morrendo,
A cada hora, a cada dia
Um castigo, um tormento.

Presa, quase desistindo
De deixar de respirar
Para poder, sorrindo,
Para o meu elemento voltar.

Corpo, que no solo,
Sete palmos de terra,
Serei alimento fértil
Numa rodar de vidas.

Alma que me vales,
Que sei jamais morrerás,
Etérea e do que dessa terra,
Um dia, nascerá.

Presa, sem ter como fugir,
Tento viver e todos os dias sorrir,
Pois sei que jamais partirei:
Sendo o corpo na terra
Ou a Alma... No seu elemento.


Cat.
2021.04.01

quarta-feira, 9 de março de 2022

Adeus (à) Vida XXXVII

 

Digo-te que partirei
Um dia,
Como não sei,
Mas será como devia:
De Alma leve e vazia.

Digo-te que não me chores
A partida,
Será sinal que os meus sentires
Já curaram a ferida.

Digo-te que partirei
Feliz e sem demoras,
Será breve a despedida,
Um beijo e um até já,
Sem delongas.

Digo-te que não me chores,
Pelo menos por perda ou tristeza,
Se lágrimas salgadas caírem
Que sejam, do nosso reencontro,
Ter absoluta certeza.

Cat.
2021.03.31

Adeus (à) Vida XXXVI





Penso na hora derradeira:
Será branda ou uma tormenta,
Fecharei os olhos suavemente
Ou sentirei a dor de um coração a parar?

Não sei o que me espera,
É uma incógnita, uma incerteza...
Viverá, depois, a minha Alma
Ou serei nada mais que poeira?

Perderei noção de quem sou,
De tudo o que vivi,
Ou pensarei apenas
No que deixarei aqui?

Não quero pesos em mim:
Nem no corpo, nem na Alma,
Gostaria de me ir assim,
Dormindo como quem sonha.



Cat.
2021.04.30

terça-feira, 8 de março de 2022

Adeus (à) vida XXXV


Pergunto-me quantas vezes
Terei de viver
Para que a vida
Deixe a minha Alma morrer?

Quantas vezes terei
De me transformar,
De noutra me tornar
Para poder descansar?

Serei merecedora de tamanha tormenta,
De na pele do rosto carregar
Sulcos de lágrimas salgadas,
De o corpo já não ter força para lutar?

Que terei feito,
Nesta ou noutra vida,
Para tal me acontecer,
Para a morte (ainda) não merecer?



Cat.
2021.04.30

terça-feira, 18 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXXIV


 


Sei que não escaparei
Ao dia em que estes
Meus olhos fecharei
E a Alma largará as suas vestes.

De frente não olharei
Para quem me vem buscar,
Sei quem é, conheço o seu passar,
Não precisa que a venham anunciar.

Calma, sem receio, ficarei
Nessa hora que não tem par,
Não desejo cá ficar,
Neste corpo de matéria ímpar.

Deixarei que o coração pare,
Que deixe o sangue de bombear,
Que se acabe o respirar
E os olhos, para sempre, fechar.

Voa, Alma, voa,
Regressa ao teu verdadeiro lar,
Onde o verbo que reina é o amar.


Cat.
2021.03.02

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXXIII

 




Segredos inconfessáveis
Fazem-me uma mera humana,
Pecados impensáveis
De quem ama.

Sentimentos voláteis,
Agora odeia e lágrima derrama,
Agora sonha impossíveis
Que enchem a Alma.

Parece-me tudo vivido,
Sem esperança de ser feliz,
Sem sentido,
Numa vida triste e vazia de quereres.

Flutuo, na água de um rio,
Que avança frio
E o corpo nele dança

Sem esperança, vazio,
E a vida aqui, por um fio,
E eu, não tenho medo, de pela Morte me deixar levar.


Cat.
2021.02.23

Adeus (à) Vida XXXII


 



Sou vento em dia de Outono,
No Verão, centeio cor de mel,
No Inverno, sou acre, sabor a fel,
Na Primavera, renasço, como flor num tronco.

Sou veloz como cada segundo,
Sou um minuto na imensidão do viver
Sou horas e dias de vida feita a correr,
Sou anos, caminhando, neste mundo.

Sou tudo e não sou nada,
Sou também mulher em água parada,
Como que morta, estagnada.

Sou ínfima centelha quase apagada,
Num teatro de gente mascarada,
Que, como eu, depressa estará enterrada.


Cat.
2021.02.22

sábado, 15 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXXI




Sei que chegará a hora
De um dia adeus dizer,
De esta vida de agora
Deixar de viver.
Vais chegar de mansinho,
Quase sem eu sentir,
Durante o sono, a dormir,
Para que não sinta dor?
Ou vais fazer-me sofrer,
Ter que olhar-te nos olhos
E nesse momento saber,
Que já não me permites viver?
E como será morrer?
O corpo inerte no leito,
Frio, duro, morto,
A Alma liberta, flutua
Como pássaro no ar planando,
Como folha na água, sem destino?
Não me importa como chegas,
Como me levas ou carregas,
Serei livre do tormento
Da carne que me prende,
Pois serei Alma pairando
No ar, no mar e na terra,
Ou nas águas do meu rio.


Cat.
2021.02.19

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXX



Sobrevivo,
Numa existência mediana,
Quase sem sentido,
Nas horas que passam perdidas.
Há um abismo
À minha espera,
Como um oceano imenso,
Em que se mergulha sem medo.
Mas ainda não é hora
De submergir por inteiro,
Ainda há obra para ser feita,
E eu, à escolha não tenho direito.
Partirei quando chegares,
Quando decidires,
Quando a cabeça me empurrares
E eu mergulhando, deixarei os meus sentires.
Por agora apenas aguardo,
Que os dias passem rápido,
Não há força no meu espírito
E o corpo já pouco aguenta.
Mantenho-me à tona,
Com água pelo pescoço,
Quase sufoco com a dor que pesa e me puxa,
Mas ainda assim, luto, flutuo e sobrevivo
À tua espera.


Cat.
2021.02.18


 

Adeus (à) Vida XXIX






Num dia de Verão,
Num dia frio de Inverno
Ou quando as folhas cairão
Do céu, em fim de Outono,
Um dia ela virá,
No seu único terno:
Preto, escuro e sombrio,
E com ela me levará.
Deixarei tudo que amo,
Todos os sorrisos e lágrimas,
Todos os momentos que não viverei.
Será salvação da Alma
Em detrimento da matéria
Ou será apenas o fim
Que nada tem de eterna?
O corpo padece de dores,
A Alma sofre tormentas,
Mas nunca piores
Que tudo que o amor alimenta.
O amor pode ser belo
Ou a maior infelicidade,
Pode ser alegria
Ou uma desilusão sem medida.
Corre o sangue no corpo,
Vermelho carmim,
Pode o amor ser morto
E nunca ter um fim?
Quando ela chegar,
Serei corpo no chão,
Terra infértil, onde flores não nascerão
De tão envenenado o meu coração!


Cat.
2021.02.16

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXVIII


 

Será a morte fria,
Escura,
Doentia?
Será húmida,
Desconfortável,
Quase apodrecida?
Ou será morrer,
Como na água entrar:
Devagar,
O deixar-se ambientar,
Ir perdendo o calor,
Adormecer a dor,
Entorpecer o sentir,
E depois,
Num instante, mergulhar,
Fechar os olhos e,
Nunca, nunca mais voltar?


Cat.
2021.02.09

Adeus (à) Vida XXVII

 


Ir-me-ei quando assim tiver de ser:
Ninguém foge ao destino,
Desde o nascer ao morrer
Está traçado o caminho.
Não há forma de fugir,
Tudo gira e faz sentido,
É um deixar ir,
Libertar-se do que está ferido.
Deixar o que não presta,
O que só faz lágrimas salgadas
Descer pelo rosto e nada resta,
Que as dores, no peito encarceradas.
Quando o corpo estiver pronto,
Ou a Alma com a tarefa cumprida,
Peço que não me chorem a partida:
Sou centelha ínfima dentro de um corpo
Agora podre, inerte, morto,
Que volta para casa, que regressa à verdadeira vida!


Cat.
2021.02.09

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Adeus (à) Vida XXVI


 

Aiii morte que te alongas,
Há muito que espero a minha hora,
Já não há nada que me prenda
A esta vida (quase) sempre perdedora.
Já vivi o que para mim havia,
Já deixei o amor avisado:
Não chores na minha partida,
Pois se acabou o meu coração pesado.
Aiii morte que te demoras,
Eu quero deixar as lágrimas,
Aqui, na terra perdidas
Para outras Almas.
Sei que chegarás
Doce, serena, veloz,
A mim, sofrer não farás:
Já quase te conheço a voz.
Aiii morte porque não chegas
E me acabas com as tormentas,
Quero dormir de vez
Nessa única tua beleza!


Cat.
2021.02.04

Adeus (à) Vida XXV


 

Esvai-se a vida
Do corpo, inerte,
Morte rápida, ávida,
A de quem tem (essa) sorte.
Sai devagar a Alma,
Do corpo que agora jaz
Deitado numa cama
Deixado, abandonado, incapaz.
Já não há vermelho sangue
Correndo pelas veias,
O coração já não bate,
E a mente parou, sem memórias.
Mas a Alma, cujo corpo ficou para trás,
Vive e viverá
Nas lembranças de quem me traz
No pensamento, no coração e sempre me recordará.
Viverei eternamente,
Como flor seca entre folhas de um livro,
Que vive sem na verdade viver
E que não vive sem na verdade morrer...

Cat.
2021.02.08