segunda-feira, 14 de maio de 2012
Sede...
A noite cai lá fora. Do outro lado da janela, destas paredes, um turbilhão de vidas corre sob o ameno calor de uma quase noite de Verão. Ouço as vozes de quem sorri aos doces e efémeros amigos de uma qualquer mesa de esplanada. Os copos sucedem-se em sumos que borbulham, mudando as cores que nos alimentam a sede e as vontades.
E eu tenho dessa sede de querer refrescar a boca.
Dessa sede que me faz desejar mais, um vício que não consigo que me largue, uma dependência independente das vontades.
Uma sede inexplicável, sentida a cada dia que passa, a cada hora mais intensa, mas que nunca cessa, pelo contrário! Quanto mais a tento matar, mais ela aumenta. Quanto mais a tento saborear, prolongar o seu sabor em mim, para recordar e me saciar quando não o puder ter em mim, mais me aumenta a vontade!
E deste lado da janela, destas paredes, mato a minha sede de ti, em tragos longos e demorados ou sorvendo-te aos poucos...
2012.05.12
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Nunca o dizer...
Sinto a tua língua deslizar na pele húmida dessa água salgada de suor de dois corpos unidos, enlaçados num só, guardando-me o sabor. Gotas desse esforço inesforçado de nos amarmos, deitados um no outro, sedentos desses líquidos que de nós brotam, como fontes de néctares improváveis, únicos. Sinto o teu olhar demorar-se no meu, falando sem palavras, dizendo sem se ouvir um som, de como me gostas, mesmo perfeitamente imperfeita, de como me sentiras a falta depois de vestidos os dias rotineiros, de farpelas condicionadas a todos os outros olhares. Beijos trocados no murmurar de lábios roçantes, sentimentos demonstrados em abraços demorados, não de despedida, à saída, mas de sou teu e sou tua no tempo que dura o durante. E as mãos entrelaçadas, vão deslaçando o emaranhado de dedos que se apertam gritando em silêncio um adeus quando, na verdade, desejamos nunca o dizer...
2012.05.10
Meu jardim...
Desperta o dia em mim ao ritmo do compasso do tempo dos raios de sol no jasmim. Cheiro que me invade, que aumenta de intensidade, como o calor que no meu corpo, quente dos lençóis carmim em que me amaste, ao lembrar-te vai subindo na pele que se arrepia, que acorda a cada respiração mais ofegante. Jardim luxuriante, húmido de gotas de vontade, misturadas com meu néctar e teu da noite intensa, doce e louca, em que este corpo que agora desperta, foi teu. Peito aberto e desnudo, que cubro e uno com mãos que são apenas as minhas e toco-me onde te desejo sentir e o corpo ondula, querendo mais o teu crescer. O teu entar e sair. O teu me tomar e domar e controlar e mandar. E sou tua, aberta, exposta como o jasmim que, logo pela manhã, se entrega ao sol que invade o meu jardim.
2012.05.11
Durmo em ti
Durmo contigo,
Com o teu calor,
O teu sabor nos meus lábios
Sedentos desses teus beijos.
Durmo sobre ti,
Cobrindo teu peito,
Respirando acerelarado
De todo o frenezim
De o meu sentir assim,
Peito no peito colados,
Corações embalados
Em toques suaves de dedos entrancados.
Não durmo quase nada,
Que não consigo controlar
O ímpeto do corpo, de ser amada,
Beijada, tocada, tomada
Desse teu querer
Que me enche e dá prazer!
Durmo em ti,
No teu corpo suado,
Com gosto salgado,
Por mim lambido,
Apertado,
Abraçado,
Puxado, sorvido e devorado.
Durmo em ti,
Meu sonho incontrolado...
2012.05.08
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