segunda-feira, 26 de março de 2012

Melhor sorte...

Tento escrever-te todos os dias. Como era hábito fazer. Como quando sabias que eram para os teus olhos lerem, o teu coração saber.
Hoje, não escrevo. E agora jamais para ti.
Partiste, foste embora, não me voltas a saber as palavras que te eram destinadas.
Outra terás que tas escreverá, que te fará sonhar mais além, mais forte e mais sentido.
Mesmo que não tenhas, não é importante.
O que importa é que te foste, que me deixaste neste mundo de letras soltas sem forma de as encaixar umas nas outras. Como fazia. Sem esforço. Sem pensar. Apenas o meu sentir que nas minha mente fluia, que nos meus dedos convergiam e se uniam em intensas palavras e nunca tão imensas como os meus sentires por ti.
Foste minha inspiração. E expiação.
Foste minha tentação. E meu pecado.
Foste tudo que desejei. Agora não peço nada. Não desejo, apenas peço que os dias sejam, cada dia mais pequenos e que passem depressa, velozes, para que este sentir, que me aperta, seja breve e em mim não se demore.
Hoje escrevo sem mote, sem razão para o fazer.
Talvez ainda pense que me lês, que me sentes.
Então sente. Sente em mim a morte.
A morte do meu querer, da minha razão de viver.
Mas sente apenas hoje porque hoje é o que sinto.
Amanhã, amanhã viverei e terei, sem dúvida, melhor sorte.

22/03/2012

Em ti dançar...


Danço ao som do eterno tango
Que nos juntou,
Que nos fez unir,
Sentir,
Partilhar e desejar.
Quente, demente,
Intenso de fervor,
De corpos que se sabem de cor,
Sem nunca se terem tocado,
Sem nunca se terem abraçado,
Sentido,
Espremido ou provado.
Danço ao som do teu mar,
Em que o rio do meu corpo
Insiste em desaguar,
Em se perder e em ti se fundir,
Se misturar.
Continuo a dançar em sonhos
De suave e doce mar,
De gotas de sal na pele,
Que insistem em me temperar,
De todo o teu sabor.
Anseios, loucos devaneios
De em ti, a ti me entregar,
De pela tua boca me deixar beijar,
De pela tua língua quente e húmida
Novos trilhos na pele te deixar criar,
De por tuas mãos te aprender a tocar,
De por minhas mãos me saberes provocar,
De por nossos poros novos cheiros, juntos, possamos criar.
Quero-me em ti a dançar,
Corpo que me possui,
Que me alimenta,
Que me acalma o fogo de mil cores de âmbar.
Quero-te em mim a entrar,
Ventre vertendo de mim,
Néctar que queres saborear,
Que de mim vai escorrendo,
Culpa desse teu domar,
Desse teu tomar e agarrar
Que me enche de prazer.
Vem, sente-me, prova-me,
Faz-me deixar de sonhar e
Ao som deste tango,
Em ti dançar...

22/03/2012

Lugar no coração...



No meu coracao nao havia lugares por ocupar, lugares vazios. Nao! O meu coracao era um completo e imenso mar salgado e morno. Um mar sem os salpicos da incerteza, sem o trovao das ondas da amargura, sem as mares dos amores e desamores.
Nao! O meu coracao era um mar calmo, sereno onde apetece navegar sem rumo.
Nao haviam em mim duvidas ou caminhos por descobrir. Era um passar de horas seguro, garantido e seria eterno ate acabar.
Ate ao dia em que tudo mudou.
E o mar revoltou-se e inundou o corpo desse calor que me arrepiou ate a alma.
E a calmaria transformou-se em tempestade de mar e vento e sal gotejante saltando no ar.
E veio a liberdade! A liberdade de sentir na boca o paladar do mar.
A liberdade de desejar querer mais do que esse gosto na pele. A vontade de saber a que sabe o mel de urze vertido na boca. A vontade de sentir no rosto o quente do vento sul com cheiro de chuva de verao e terra salpicada de gotas ou correr descalca no jardim de erva acabada de cortar. O cheiro das laranjeiras em ramos de flores brancas carregados do zumbir das abelhas.
Tocar pele na pele e sentir todos os estremeceres do desejo a fluir e a convergir em mim.
No meu coracao existem agora lugares vazios, que anseio tocados, sentidos e, sobretudo, preenchidos.
No meu coracao ha agora lugar para mim!

19/03/2012

As culpas...



A analise fria de uma relacao e algo que nao existe. Como avaliar de forma impessoal a relacao, os actos, as decisoes, as palavras ditas e as nao ditas?
Quem e totalmente isento nessa analise?
E impossivel! Isso seria como abstrairmo-nos dos nossos papeis nas nossas relacoes e analisarmo-nos, como se fosse um filme em que a nossa personagem se divide na que observa as accoes da outra.
E mesmo assim, analisando de fora, seria muito pouco provavel que os nossos sentimentos nao nos acompanhassem na assistencia.
E como custa a auto-analise dura e crua de nos proprios, da nossa forma de estar perante os outros.
E se falarmos numa relacao amorosa que nao resulta... Bem isso e entao impossivel.
Somos invadidos por sentimentos que nos toldam a percepcao dos acontecimentos.
E se amamos, a distancia do amor ate ao odio e infima. E quantas vezes odiamos? E quantas vezes nesse odio somos e dizemos o que nao queremos por estarmos consumidos por esse vil sentimento que se apodera de nos, nos controla.
E admitir que somos imperfeitos? Admitir que erramos? Admitir que somos passiveis de ter a nossa quota parte de responsabilidade no nao ter dado certo?
As culpas nunca sao so tuas, so minhas. Sao dos dois. Uma relacao e feita a dois.
E eu que nao agi e tu que nao esperaste.
E eu que demorei e tu que te desesperaste.
E eu que sonhei e tu que te iludiste.
E eu que nao tive coragem e tu que te desdizeste.
E eu que era coerencia e tu a eterna inconstancia.
As culpas? Sei la de quem sao as culpas...

19/03/2012