segunda-feira, 19 de maio de 2014

Indefesa



Indefesa,
Nos lances que o teu olhar,
Desafiador,
Investe sobre as minhas vestes,
Adivinhando
O arrepiar da pele,
E o sorriso que se entre-abre,
Mostrando o brilho da boca
Sedenta
De se juntar à tua.

Lábios que se tocam,
Desvendando sabores
Em movimentos lentos,
Subtis,
Provocadores.

Língua na língua,
Numa luta desenfreada
Demonstrando a vontade,
O desejo que aumenta.

Mãos que se tocam,
Que se largam,
Que exploram os contornos dos corpos,
Ansiando o afastar das vestes,
Que a pele e a carne já desesperam!

Dedos que tacteiam
Pontos escondidos,
Desvendados por gemidos
Soltos no meio de um beijo,
Deslizando,
Humedecidos,
Pelo tesão provocado,
E,
Invadida me sinto,
Uma e outra e outra vez,
Até me entregar,
Rendida,
Ao supremo prazer,
De assim,
Indefesa,
Te pertencer.
 
 
19.Maio.2014

Talvez...

 

É estranho quando no meio de tantas almas, de tantos sorrisos, de tantas palavras soltas e ditas em momentos infindos, a solidão e o vazio permaneçam. Sejam prementes no peito. No corpo. No coração.
Talvez eu seja demasiado exigente com os outros.
Talvez eu seja demasiado intransigente com os que me rodeiam.
Talvez eu não me dê como deveria: de forma leve e superficial.
Talvez eu me devesse rodear de mais pessoas.
Talvez eu devesse não me entregar desta forma: completa e totalmente.
Talvez eu devesse reservar-me um pouco mais.
Talvez devesse guardar-me um pouco mais.
Talvez...
Talvez devesse deixar de tentar ser perfeita. A cada dia adaptar-me e crescer e melhorar.
Talvez devesse ser mais egoista. Mais descontraída. Mais dada aos meus defeitos.
Talvez assim, me sentisse menos gorada nas expectativas de receber o quanto (penso que) dou.
Talvez devesse deixar-me apenas levar pelo correr das horas, como folha manietada pelo vento, avançando ou recuando, fazendo ou não.
Talvez...
 
 
15.Maio.2014

Escorre-me


Escorre-me
Pela pele molhada,
De gotas salivada,
A ânsia do teu querer.
 
Escorre-me
Pelo corpo a vontade,
De sentir a tua boca
Lânguida,
Demorada e lenta,
Desenhando-me desejos.

Escorre-me
Pela carne o tesão
De me querer em ti perder,
De te querer em mim a entrar,
A tomar,
A me fazer te pertencer.

Escorre-me
Pelas entranhas o líquido
Que louca,
Demente e
Insanamente
Em mim derramas,
Num momento
Em que os corpos
São apenas e tão somente
Um.
 
 
13.Maio.2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

A hora que mais me dói



É esta a hora que mais me dói.
Quando o corpo se deixa cair no leito, despido dos despojos do dia, nu das vestes que fazem a vida contida.
Quando o silêncio que me rodeia cede lugar ao ruído da mente que, ainda demasiado desperta, fervilha com palavras e imagens. Memórias, recentes do dia ou antigas. Lembranças de cheiros ou sons, de músicas ou gargalhadas, de lágrimas alegres ou tristes de dor, salgadas.
 
No meu hoje, analiso e apercebo-me que há menos para viver do que o já vivido.
E eu vivi tão pouco! E eu quero viver tanto mais!
 
É esta a hora que mais me dói.
Quando os anos por vir são menos do que os vividos. Quando as horas dormidas são imensamente mais que as ainda por viver. Quando os minutos se tornam preciosidades, que temos de explorar e aproveitar de forma a termos no rosto espelhado o sorriso da felicidade. Preciosidades que não se guardam, que se esquivam e acabam sem possibilidade de retorno, de voltarem.
 
É esta a hora que mais dói.
Quando me apercebo que te vou ter por pouco tempo. Mesmo que seja até ao meu último fôlego, para o quanto te amo e te desejo, é tão pouco o tempo.

11.Maio.2014