sábado, 22 de setembro de 2012

Em tudo me perder


O dia vai terminando em cores laranja seco e vermelho pálido num correr de águas de um rio interminável no seu constante desaguar nesse mar de ondas doces e revoltas.
O olhar perde-se na janela que me indica o seguir para além do que é visível nos sonhos dos dias que passam sem ilusões.
Perde-se no que poderá vir a ser o amanhã agora que o hoje já quase chegou ao fim e tudo de novo me trouxe às lembranças de um desejo reprimido e tapado em sufocos de respiração lenta e ofegante.
Perde-se no dia seguinte em que o futuro das horas é incerto numa vontade de me perder de mim e do censo comum de ter de me obrigar a ser banal e idêntica a todos os que me rodeiam e de mim se afastam nessas vidas plenas de grandes nadas.
E eu não quero perder-me em grandes nadas. Quero perder-me em imensos e muitos e minúsculos tudo.
Em tudo é onde me quero perder.
Nesse tudo que por muito singelo que seja é o que nos faz querer viver.
E eu quero-me perder em ti e na grandeza da tua singela presença. Da tua singela voz. Do teu imenso e caloroso abraço que me há-de envolver por completo o corpo e rarrepiar a pele numa entrega inteira.
E o olhar perde-se no véu que tapa a janela que não mostra o que desejo...


18.Set.2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

E é isto...


Máscaras

Por vezes apaixonamo-nos pelas máscaras que criamos e vamos adorando a personagem que permitimos deixar crescer dentro de nós.

Como se fosse realmente verdadeira a forma de pensar e de agir e as palavras nascessem de forma natural como se sentidas.

E criamos um mundo de ilusões que vai crescendo em forma de fantasias demasiado reais para serem apenas fruto do nosso mais profundo desejo.

E as palavras dos outros soam ao que lhes queremos ouvir, raramente ao que na realidade querem dizer pois o nosso mundo é tão perfeito nessa imensa mescla de ilusões que nada o pode macular.

Mesmo que sejamos nós a maior nódoa no nosso pano. Mas aí, as desculpas e as justificações são as mais sinceras e verdadeiras aos olhos de todos. Em especial dos nossos.

Habitualmente o sofrimento causado por terceiros é o grande culpado. Sim, é tão fácil desculparmo-nos os falhanços e más decisões colocando o ónus nos outros.

Sim, há quem esteja apaixonado pela sua própria máscara e não consiga assumir os seus erros e falhas. Os seus defeitos e acções menos acertadas.

E aponte o dedo a quem, por qualquer motivo tem uma acção menos própria, menos perfeita do ponto de vista inteiramente parcial da perfeição que a máscara criou. Nem que a acção seja igual a tantas que já tivemos.

Mas a minha máscara e a que vejo todos os dias ao espelho sem a maquilhagem dos teatros em que alguns são meras personagens secundárias em que se acham o centro do mundo.

Não sou apaixonada pela minha máscara: é real e deixa marcas neste rosto que o tempo vai teimando em não conseguir mascarar.
Marcas do assumir que o erro faz parte de mim e que com ele tenho de viver, aprender e não sempre os outros culpabilizar.

E tu? Já aprendeste a não te mascarar e a assumir que também consegues perfeitamente errar?
16/09/2012

Palavras parcas

Por vezes as palavras são parcas em reflectirem o que nos vai na alma.
Como se não fossem suficientemente grandes ou profundas ou até exactas do sentimento que nos inunda os pensamentos.
Como uma sensação de deixar sempre algo por dizer, incompleto e a necessidade de nos repetirmos de forma a reforçar esse sentimento acaba por lhe tirar a intensidade.
É como a tua presença em mim: és parte do que sou, entranhado em cada poro da minha pele num odor que me vicia e me percorre por inteiro.

É como a tua ausência em mim: deixa de correr o líquido que me faz viver e me alimenta o corpo sedento do teu sabor e a alma carente do teu amor.

E não há palavras para a dor que a tua não presença me provoca e nem o tempo se torna meu amigo pois não ameniza este sentir e que me mergulha num imenso não viver.

14/09/2012