sexta-feira, 16 de março de 2012

Come de mim...

Come de mim,
Do meu corpo,
Da minha pele.
Sente-me o sabor fresco e ácido dos seios,
Sente-me o gosto quente e doce da boca,
Sente-me o paladar intenso e lânguido do meu ventre.
Come de mim!
Saboreia cada pedaço de pele,
Enche cada poro meu
Com esse sabor que é teu,
Da tua língua molhada,
Deslizando em mim,
Arrepiando-me,
Levando meu corpo a reagir,
A libertar-se em odores de desejo,
Odores de fêmea que deseja macho,
De mulher que ser tua.
Entra em mim,
Deixa-me o ventre em frenezim,
Preenche-me de ti,
Dá-me prazer,
Faz o meu néctar descer,
Não páres,
Come de mim!

16/03/2012

Desencontros...



Os desencontros são algo que me fascina.
Como podem duas pessoas desencontrarem-se nos dias que correm? Só se uma delas ficar sem bateria no telemóvel! E ainda assim, serão poucas que realmente se desencontram.
Mas não é destes desencontros que falo. É dos outros, daqueles do coracao. De quando duas pessoas se apaixonam ou não.
Sim, duas pessoas que se amam podem desencontrar-se. Porque um encontro na altura errada, num momento menos propício ao amor, seja porque já se tem um compromisso ou porque a vida profissional não permite "assentar", pode acontecer. E a paixão torna-se um desencontro de almas porque sofrem por não se encontrarem e viverem em constante desencontro.
As desculpas para estes desencontros são o que mais me seduz: não era o momento certo ou já não tinha de ser.
Mas que raio!! Se não era o momento certo porque aconteceu?
Porque duas pessoas se encontram e sentem e amam naquele preciso momento e porque se completam!
E quantas vezes o repetem mutuamente em telefonemas e mensagens de amor que trocam ao longo das horas, longas e sem vida, em que nao estao juntos?
E não era o momento certo, este de encontrar quem nos preencha, quem nos faça palpitar de vida?
Então qual será?
Mas a que mais me faz pensar e quando dizem que não estava destinado a ser, a acontecer, a ficarmos juntos.
Mas depende de quem para além dos que amam?
Depende da inércia de quem deve dar o passo e se deixa ficar naquele lugar sem tempo, sem espaço que é o medo.
Arranjam milhentas desculpas e não avançam, não se atiram ao precipício de amar e se entregar.
Sim, eu também tenho medo e também fico suspensa nesse lugar.
E o nosso desencontro, acabo por provocar apenas com o receio de arriscar...
Arriscar a ser feliz...



15/03/2012

Inacabado


Há sentimentos que não se explicam.
Tomam conta de nós como se de uma erva daninha se tratassem: não sabemos como aparecem, ganham raízes profundíssimas e nunca desaparecem. Por mais que tentemos estão lá sempre. E mesmo que pensemos que acabaram, que desapareceram de vez, desenganem-se pois reaparecem com mais força ainda, enterrando-se e embrnhando-se ainda mais.
Há sentimentos assim, que se prendem nas nossas entranhas, que se escondem no âmago do nosso ser e ali ficam, adormecidos, à espreita da melhor oportunidade para aparecerem. Para nos voltarem a atormentar! Sim apenas para isso.
Sentimentos que gostaríamos de nunca experimentar. Que nos fazem sofrer vezes sem conta sempre que decidem voltar.
E trazer com eles esses desejos impensados de mar e de beijos nunca dados, mas sentidos e quase provados.
Tu és assim, apareces e desapareces de forma inconstante e repetida e sempre que te perco arranco-te da minha vida.
Qual erva daninha que não se quer, não se deseja.
E de vez em vez, regressas e fazes-me acreditar de novo que tudo é possível, que o sonho é realizável. Com essa força que só tu tens, que só tu consegues fazer vibrar em mim.
Sim, és como uma erva daninha, nunca desapareces.
És um constante, premente e presente sentimento inacabado...

15/03/2012

Lágrimas



Doces lágrimas de sal que caiem dos olhos são meras lembranças de manhãs de orvalhos.
Escorrem, abrem caminhos na pele do rosto, vivem sem margens, morrem na boca.
Boca que tantas vezes se inundou com beijos de água com sabor teu.
Sabor que não esquecerei, sabor em que me viciei.
Vício que se entranha na pele, que me corre no quente fervilhar do líquido que me faz viver, que me faz pulsar.
E como pulsou ao ver o teu olhar. E como pulsa apenas de te pensar.
E revivo os momentos nossos, preciosos no amar, no beijar e no partilhar.
E o sorriso volta a brilhar por até voltar a imaginar aqui, ao meu lado, respirando e vivendo do mesmo sonho que eu sonhei.
Os  dias que junto a ti passaria, os minutos que ao teu lado correriam rápidos, velozes, sem medo do futuro.
Futuro que adormeceu. Que quebrou. Que não aconteceu.
E o sonho morreu.
E eu volto a chorar. A chorar doces lágrimas de sal por tu já não seres real...

15/03/2012