sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Folha de papel...

Sou folha de papel.
Lisa. Branca. Deslavada.
Inanimada. Insensivel.
Isenta de sentir.
Sou folha de papel.
Agora que existes.
Agora que fazes parte da minha vida,
Eu vivo.
Es o meu senhor do destino.
Es quem me risca os dias,
Quem os salpica de alegrias,
Cores e sentires.
Es o dono das palavras
Essas, que me escrevem
Os minutos, as horas.
Sou folha de papel.
Tu o poeta. Tu o Senhor.
Tu o carcereiro do meu amor.
Tu o dono do meu ser,
Do meu sentir e querer.
Sou folha de papel.
Tua Deusa, sabor a mel.
Teu encanto tornado fel.
Sou folha de papel.
Amachucada, rasgada e fora jogada.
Ja nao te importa me escrever,
Ja nao te importa me viver,
Me pintar e alegrar...
Sou folha de papel.
Apenas mais uma que teu prazer,
Mais uma no teu livro,
Sou folha de papel...

03/11/2011

Nó na garganta...

Tenho um nó na garganta. Daqueles nós que nos sufocam, que nos impedem de respirar, falar e viver.
Sim! Um nó na garganta. Não laço, não fácil de desfazer. Mas daqueles como nas meadas de lã, que se emaranham em milhões de fios, que sendo apenas um, se multiplicam em milhões.
E o meu nó na garganta é desses, assim: um fio multiplicado em milhões.
E cresce. Todos os dias cresce-me o nó.
Aqui! Na garganta. Que impede que diga, que fale, que deixe sair...
E entrar. Entrar novo ar, entrar nova vida, respirar!
E cresce. Porque cada dia ha mais fios a aumentar.
Há mais dúvidas a crescer. Mais perguntas. Mais silêncio. Mais vontade de gritar!
Estou tolhida, encolhida, "invivida"...
Suspensa neste nó. Suspensa neste grito surdo.
Surdo porque não ouves. Não queres ouvir.
E assim sendo, sufoco no meu grito surdo feito nó na garganta...

03/11/2011

Sussurra-me...

Fala-me ao coração,
Ao sonho, a ilusão,
Ao querer e a razão!
Fala-me ao ouvido,
Sussurra-me, baixinho...
Fala-me ao toque,
Ao sentir no corpo,
Ao sentir-te forte,
Desejo e vontade!
Fala-me aos sonhos,
De princesas e castelos,
De conquista sem medos,
De amores eternos!
Fala-me de prazer,
De ser tua deusa, teu querer,
De ser tua dona, sem saber,
De ser tua escrava, por apenas te saber!
Fala-me! Diz-me do teu ser,
Da tua vontade, teu viver!
Fala-me ao corpo ou a alma,
Ao que mais te der vontade.
Eu ouço, eu sinto,
Eu faço e desfaço,
Mas fala-me...

02/11/2011

Queria poder...

Queria poder fazer magia,
Poder fazer-te menos ferido,
Menos magoado,
Menos perdido.
Queria poder limpar teu corpo,
Das dores do fisico,
Dos cortes dos teus desamores,
Dos sulcos das lagrimas
Que verteram das tuas desilusoes.
Queria passar um veu,
Que tapasse as cicatrizes,
Que te curasse e nao as sentisses.
Que te tratasse a alma ferida,
O coracao partido de amores nao vividos,
De amores correspondidos e sofridos.
Queria que pudesses ser quem es,
Assim, sem mudar, com o que sabes e o que sentes,
Mas sem as marcas e as dores,
Pelo menos, nao tao presentes...

02/11/2011

Musicado por: Jorge Alhinho