terça-feira, 15 de maio de 2018

Mundo

A noite já domina há muito as cores do céu e o sol já se perdeu, faz horas, por trás da linha do horizonte.

O silêncio domina a rua, agora vazia de gente, sem o cantar dos pássaros e o riso das crianças.

Aqui dentro não há silêncio que resista.

Aqui dentro do meu peito há um ardor que me queima.

Um aperto que me esmaga. A Alma.

Nos dias que correm, onde a informação voa de forma inimaginável penso: como é possível?

Como é possível que em pleno século XXI ainda há tanta fome, tanta xenofobia, tanto desprezo para com o Ser Humano, para com os animais?

É desolador ver as notícias.

É desolador saber o que se passa pelo Mundo.

É desolador de uma forma que me sufoca o respirar. De uma forma que não contenho as lágrimas. De uma forma que me sinto de tal forma impotente que me dói cá dentro, que me dilacera como uma faca.

E depois, olho para o "meu mundo" e vejo como sou uma mulher de sorte. Como as pessoas que me rodeiam são boas, simples e com um coração enorme.

Vejo que tenho tudo, que ainda posso olhar o Mundo e, no meio de tanta feiura, sentir que ainda há esperança. Que o céu azul ainda me faz sonhar, que o mar será eternamente salgado e igual às nossas lágrimas. Que ainda podemos mudar algo e que a maldade, o egoísmo e a falsidade serão, um dia, apenas uma lembrança de um sonho menos bom.



2017.07.25

Perfeito

Desejo-te
Com a vontade que se mostra,
Com o querer que se sente,
Com todo o fervor de um corpo que estremece.

Penso-te
É vivo momentos passados,
De novo ansiados,
De um toque que vibra
Dentro do peito,
Dentro do corpo,
Dentro do sexo que,
Por ti,
Se humidifica.

Espero-te
No local onde sempre nos amamos,
Sem poiso certo,
Sem hora marcada,
Sem previstos combinados.
No inesperado instante
De um desejo em crescendo,
Incontrolado,
Imprevisto,
Lento ou rápido,
Mas que seja satisfeito,
Concretizado e em prazer liquefeito
De um qualquer perfeito momento.


2017.07.24