terça-feira, 24 de novembro de 2015

Temo


Temo que a vida chegue ao ponto de não me surpreender.
De não me fazer ter vontade de viver. De não me voltar a fazer sorrir.
De o sol, apesar de brilhar, deixar de me iluminar.
De as horas passarem em minutos iguais a si mesmos e de as ondas deste mar serem sempre as mesmas a cair.

Temo que os rostos de quem comigo se cruza na rua, apesar de diferentes, não se consigam renovar.
De os olhos não voltarem a mostrar o sentir que alma traz em si.
De o coração deixar de fazer circular o sangue que faz viver.
De o movimento do corpo seja um simples e automático repetir.

Temo que as cores se tornem todas num cinza quase morto de um não-viver, de um apenas respirar para não morrer...


04.Nov.2015

Mar


Ouvi o mar sussurrar o teu nome nas gotas perdidas na areia, para ele corri e nada recebi de ti.

O vento chamou por mim e para ele em vão sorri e de ti nada me trouxe.
O sol deixou de brilhar e a chuva caiu, como que chorando a sua ausência e de ti soube o que era a saudade. O que é viver sem o abraço quente de quem ama.

As lágrimas trouxeram-me à boca o sabor do teu corpo depois de me amares e os lábios abriram-se para, de alguma forma, te sentir.
E as horas, essa infinidade de minutos, demoram a trazer-te para o meio de mim.

A fazer-te, de novo, parte de mim.

A deixar-me, finalmente, voltar a viver.


26.Out.2015