sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ausência



A noite chega carregada de chuva e sem a luz da sua eterna companheira hoje tapada por mantas de núvens negras.
E o silêncio é quase absoluto na rua e dentro destas paredes que me sufocam e apertam o peito que quase explode por não conseguir respirar.
Um aperto que me impede de sentir, de gritar e de deixar de respirar. De querer, de desistir e de avançar.
Um respirar mecânico, automático, sistemático e repetitivo, sequêncial mas sem vontades. Sem querer ou não querer.
E que dói. Dói a cada inspiração de ar frio que me gela por dentro.
Dói a cada expiração que não quer deixar sair o pouco calor que ainda me resta.
E o silêncio que é quase absoluto, que se quebra com esta dor de manter o coração a trabalhar, nesta incapacidade de sequer pensar.
Há dias em que o silêncio da tua ausência é demasiado grande e me invade e quase me mata por dentro...


30/11/2012

IX Verdade Irrefutável



... Anseio pelo dia em que poderei vestir-me de ti, para sempre, todos os dias.


28/11/2012

Vazio



Não há maior vazio que o vazio de não ter nada dentro do peito e que aqueça o coração.
O vazio é um frio que se toca, que se sente na ponta dos dedos quando tomamos a decisão de olhar para o que somos.
E às vezes, muitas vezes, sou nada a não ser esse tudo de vazio.
Esse todo cheio de nada que seja mais palpável que um pouco quase nenhum de algo que valha a pena. De algo que merece existir em mim. De algo que é digno de apenas ser.
E muito pouco que seja, é. Existe. Ocupa-me e deixa-me menos vazia. Como se houvesse esperança, razão. Para avançar e enfrentar um novo dia.
Um dia que quase me deixa cheia e viva e completa.
Mas só às vezes.
Na maioria dessas horas que correm estou vazia de sentires que me encham e cheia do vazio das saudades do que (jamais) me dará vida.

28/11/2012

Saudades



Onde começam as saudades?
Numa memória guardada nas gavetas das recordaçoes, representadas em momentos que paramos no tempo.
Começam no imenso e profundo teu olhar que me reconhece os movimentos e o sentir sem ter de falar.
Ou no sorriso que me aquece a alma e me enche o coração desse sentimento que é mais, muito mais que paixão.
Começam no cheiro que se sente quando o vento quente do sul me traz o teu odor numa onda de mar fresco e salgado.
Ou no paladar que subtilmente me invade a boca de vontade de mergulhar a minha língua na tua e te sugar todo esse teu sabor.
Começam nas palavras de amor e de desejo escritas pelos teus dedos nos meus seios, gravadas na minha pele mais escondida, no meio do centro do meu corpo.
Ou no meu ventre contraíndo-se de prazer quando o teu me invade e entra e sai com todo o teu fervor.
Não!
As saudades começam no meio de uns lençóis onde acabamos de nos amar, onde sempre ao deitar te vou desejar e onde ao acordar te vou sempre pensar.
Numa cama onde me quero contigo, para sempre deitar.

27/11/2012