sexta-feira, 11 de maio de 2012

A luz do dia

Aguardo a luz do dia,
É noite cerrada em mim,
Como do outro lado da janela,
Nestas horas de noite sem fim.
É um constante negrume
Um murmuro, um queixume,
Que me invade e atormenta,
Que me desilude e apoquenta,
Que nunca desaparece, se esfuma,
E antes se apodera, devagar,
Do que sou, do que tenho para dar,
Qual ladrão escondido na penumbra.
Aguardo a luz do dia,
Essa luz imensa que tens no olhar,
Dessa cor de céu e de mar,
Que tanto me fazem sonhar e desejar!
Aguardo ser tomada,
Invadida, beijada,
Pela luz que de ti emana,
Que tanto me alegra o sorriso,
Que tanta vida me dá à alma.
És o meu sol na janela,
Aquele porque anseio ao acordar,
Que com apenas o olhar
A minha pele (fria, inerte por culpa da noite gelada,)
Fazes aquecer e arrepiar,
A cada toque, obrigada a renascer.
Aguardo pelo dia
Em que a noite não regresse,
Em que apenas exista
A luz do teu dia!

2012.05.02

A respirar...



E queria apenas ficar assim, imóvel, sem ter de mover o corpo, apenas mantê-lo a respirar, o coração a bombear esse líquido vermelho que faz viver. Mas não queria sentir, apenas manter o corpo vivo. Mas sem pensar. Sem pensar no que sinto, nesta vontade de mudar, nesta sensação de vazio que de mim se está a apoderar. Queria ficar imóvel, a olhar as vidas  dos outros a passar, um filme que apenas se vê e que de de vez em vez ficam guardados no baú das memórias em frames que não são nossos, portanto não sentimos tãao profundamente como os nossos. A vida deveria ser um filme, captada pelos nossos olhos e re-editada, fracção a fracção, apagando, arrancando tudo que não queremos sentir. E eu, eu deixaria de querer ficar imóvel, vendo a minha vida passar, apenas a respirar.

2012.04.30

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobrevivo...


Por entre as pessoas que passam, perco-me em pensamentos abstractos, sem nexo. E olhando-as não as vejo, nem às suas vidas cheias de pequenos nadas que as fazem sorrir. Na verdade, nem sei se sorriem, nem quero saber, não as quero enxergar de tão cega que estou. Cega de sentimentos e sensações que se apoderam de mim. E eu, eu não estou em mim. Estou aqui ao lado, como se o meu corpo apenas vivesse, sem  a alma que lhe dá vida e que me olha sem me ver porque eu, eu hoje não vivo, apenas sobrevivo.

2012/04/29

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A boca de uma mulher

A boca de uma mulher
É um mundo a descobrir,
É amor num falar,
Sedução num entre-abrir,
Excitação num lábio morder.
A boca de uma mulher
Sabe como te conquistar,
As palavras no lugar,
O tom de voz a agradar,
Sentimentos e pedidos
Que não podes recusar,
Mesmo sabendo que te pode mentir,
E feitiço em teu olhar,
E desenho e cor vibrante que te faz acreditar.
A boca de uma mulher
Sabe como te prender,
Palavras ao ouvido que te estimulam a líbido,
Toques de lábios no pescoço,
Sussurrando respiros mais profundos e intensos.
A boca de uma mulher
É beijo que te enlouquece,
É língua que por ti entra,
Que na tua se mistura,
Que a tua entrelaça,
Que a tua procura,
Nesse desalinho de bocas sedentas.
A boca de uma mulher
É teu mais premente desejo,
Deslizando poro a poro.
Saboreando-te o cheiro,
Deliciando-se com teu sabor,
Largando gotas quentes de saliva,
Misturando-se com teu suor,
E num rápido e seguro movimento,
Suga-te o membro,
Lambe-o e saboreia-o sem tempo,
Que o teu corpo não controla,
Nesse intenso frenesim de vai e vem,
E o teu prazer não se contém,
Não se demora,
Nem se detém
E em fonte de gozo se torna.
Na boca de uma mulher
Está todo o seu poder!