terça-feira, 15 de maio de 2018

Se os meus olhos falassem

Se os meus olhos falassem o que diriam?

Que as salgadas lágrimas que deles brotam são de dores ou alegrias?

De todos os momentos em que o sol, apesar de brilhar, não me aquecia o coração, não me chegava à alma.

De cada vez em que recordo a minha mãe e sei que o seu abraço era único e que sou privilegiada por ainda não ter esquecido o seu cheiro, o calor do seu corpo.

Naquele instante em que te olho, meu amor, e não resisto à felicidade que é tu me amares e como perfeita me veres e sentires.

Se os meus olhos falassem diriam que a cada dia há um sentir diverso, um ver diferente.

Há um sonho que morre e uma esperança que nasce.

Há lágrimas que quase me matam e outras que me renovam.

Se os meus olhos falassem diriam que eu simplesmente vivo!


2017.08.07

Tão simplesmente

 
Há dias em que me sinto pequena.
Uma mulher pequena, com uma alma pequena, a viver uma vida pequena.
 
Pequena na verdadeira essência da palavra.
Pequena de sentimentos, de vontades, de acções.
 
Em que sinto que não passo de alguém que sabe apenas sobreviver. Um dia de cada vez.
Em que a felicidade é efectivamente efémera e o dia a dia é cheio de pequenas e vazias situações que acabam por encher(me) de penas e dores.
Em que tudo me esgota.
Em que as forças de olhar o dia como algo novo não passa de uma mera ilusão.
 
E eu canso-me. Demasiadamente depressa.
E deixo de sonhar, de querer alcançar e invade-me esta sensação de (quase) desistir.
 
Não há sol que brilhe o suficiente.
Não há flor em que o perfume me inebrie o suficiente.
Nada é suficiente. Nada chega para inundar o vazio que se apodera do corpo, da alma e da mente.
 
Um passar de horas igual ao de ontem.
 
Isto tão somente.
 
Um mundo pequeno, de dias imensamente longos.
Uma vida pequena, sem grandes feitos, com a sensação de não deixar, legar, ensinar nada.
 
Isto tão simplesmente.
 
 
2017.08.06