sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Seria diferente?



O dia já cumpriu a tarefa de aquecer a alma e o corpo. Entrega-se agora, lenta e demoradamente, ao descanso.
O único som que aqui existe é o do silêncio e pela janela vê-se a agitação do fim de tarde de uma sexta-feira e o rio, esse, corre sem pressa para se juntar ao mar e se tornar imenso.
Há pássaros a regressar e outros a partir, cruzam o céu azul manchado de tons laranja como nos dias de Primavera. As luzes das ruas já espreitam por entre os prédios onde o sol já não marca presença.
E aqui, dentro destas paredes, o corpo também deseja o descanso e que a tranquilidade invada a alma e a mente se deixe vaguear em sonhos (im)possíveis de concretizar.
E os sonhos são tão (im)previsíveis... Como amar e ser amado, como querer e ser desejado, como seduzir e ser cortejado. Como ter o corpo e o ego lisonjeado.
É tão (im)previsível a necessidade de ser feliz. E são tão facilmente (in)alcançáveis.
Tudo pelo tempo. A culpa é sempre do tempo: não era o momento certo, não estava bem naquele momento, se soubesse o que sei hoje, se..., se..., se...
Se fosse hoje seria tudo tão (in)diferente. Somos o que somos. Somos o que crescemos e aprendemos em determinada altura – de novo o tempo que nos condiciona.
Eu não agiria de forma diferente, em determinada altura, perante determinada situação.
Seria mais ou menos (in)feliz? Não posso saber. Foi o que decidi. Foi o que escolhi. Foi o que foi.
E estou bem assim. Adormecendo ao final do dia tranquilamente.


05.Fev.2016

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

(In)Felicidade



Vazia. Oca. Uma casca de noz sem miolo. Não, uma casca com miolo, podre, intragável.
Agora transporta essa imagem para um humano. Uma humana, eu.
Um corpo que definha a cada ano. Um corpo que denuncia as variações do passar dos dias.
Um rosto marcado por rugas de quem riu e também chorou.
Um rosto endurecido pelas vivência de quem foi... (In)Feliz.
E um recheio pior ainda. Cravado do cheiro putrefacto de quem tem nada. Nada de bom por dentro.
Recheio crivado de espinhos feitos por mágoas, dores, despeito, amargura.
Um ser que se fechou e em si guardou e alimentou com o próprio ser, com a própria alma sentimentos de nada mais do que dor.
A impossibilidade de se libertar de tudo o que construiu à sua volta.
A impossibilidade de algum dia acordar deste tormento que é viver e descobrir que deixou de respirar.
Uma queda vertiginosa num abismo sem retorno mas que nos tenta.
Ser infeliz é uma escolha... Muito mais fácil do que a de perseguir a felicidade.


28.Jan.2016