terça-feira, 13 de maio de 2014

Ficar

 
A noite já nos invadiu com a sua ausência de cor, escurecendo os recantos das esquinas das ruas desertas de gente, pois o fresco é intenso na rua. Não há ruídos que invadam a calçada, nem risos ou sequer vozes abafadas pela distancia que o vento encurta.
Silêncio. Absoluto. Como se o tempo se tivesse tornado contrário à sua essência. Suspenso, parado, calando os ponteiros dos relógios tornando-os no reflexo de uma eternidade.
 
Cá dentro, há vida. E há tempo. E há um coração que bate, descompassado perante a inércia do outro lado da janela.
 
Cá dentro, de mim, há palavras que não me deixam descansar o corpo como ele deseja, fechar as pálpebras e tornar-me igualmente morta, suspensa e silenciosa, como lá fora.
Há palavras que não me acalmam a mente, que se repetem incessantemente, como proferidas agora, neste preciso instante. E dói. E magoa. E ferem. E trazem-me a vontade de desistir, de largar e de voar sem pena do que vai ficar, do que vou deixar.
 
E ficaria, deixaria demais. E doeria demais, ainda mais.Porque eu quero ficar.
Porque o que me prende é forte demais, cada vez mais.
Porque há (outras) palavras que me enchem o coração, a alma e me completam a essência.
E há o olhar(te) nos olhos que, silenciosos como a noite, gritam palavras de amor, de partilha, de luta e dessa vontade de caminhar(mos) no dia-a-dia.
 
E há o deitar no leito e o teu calor ser meu por inteiro...
 
 
10.Maio.2014

(Apenas) Ser tua

 
Hoje quero
Sentir o teu desejo
Percorrer-me as formas
Desta pele que é volúpia,
Que é arrepio entregue
Aos desejos da luxúria.

Hoje quero
Que me tomes,
Sem rodeio, sem atrasos,
Nas tuas mãos
Conhecedoras dos meus pecados,
Sabedoras das minhas vontades.

Hoje quero
Pertencer-te sem fronteiras,
Entregar-me sem pudor
Aos devaneios que tenhas,
À loucura do frenesim
Que me faz o meu corpo vibrar
A cada vez que te sinto,
Louco, forte, potente,
Em mim a entrar,
O meu ventre a dominar,
Do meu delírio controlador.

Hoje quero
(Apenas)
Ser tua!


09.Maio.2014