sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Silêncio IX



Há silêncios que imperam de forma abstrata, que chegam devagar, com passos que não se sentem mas que se vão impondo por períodos de tempo cada vez mais longos e que se nos vão apoderando da companhia que acabamos por perder.
Há silêncios que nos são impostos. Que não advêm do passar dos dias, que não surgem som o tempo, que são apenas uma negação ao que dizemos. Como se não existíssemos. Como se não falassemos, como se as palavras que de nós saiem ficassem presas numa espiral de tempo amorfo, parado, que nunca se concretizassem, nunca pudessem de facto ser ouvidas. Perdidas para sempre no espaço, no vento que não corre e não as leva ao destino.
E aqui surge a pior das solidões: quando há tanto a dizer e não há quem queira ouvir, quem as queira sentir connosco, quem as queira perceber e devolver-nos o pensamento sob a forma de outros sentimentos ou lógicas ou vivências.
Há silêncios que doiem mais que a ausência de sons...

16/12/2012

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